David Carreira: “Nunca chegas à perfeição, porque é sempre um caminho sem fim.”

 

 

‘7’ é o nome do último disco de David Carreira e foi o ponto de partida para uma entrevista ao artista que actuará em Novembro no Altice Arena.

O novo disco e o concerto no Altice Arena foram apenas dois dos pontos abordados numa entrevista na qual falou sobre o seu percurso, o momento da música portuguesa e os objectivos internacionais.

 

7’ é associado muitas vezes à perfeição. Este é um disco perfeito do David ou é parte do percurso em busca da perfeição?

Um álbum nunca consegue ser perfeito. Aliás, há uma frase que costumo dizer “tu nunca acabas uma música, tu deixas de te divertir com ela”. Toda a fase de criação de um tema passa por várias etapas – encontrar os acordes e há muitas formas de o fazer, seja directamente na produção ou com uma guitarra e ir experimentando; depois há a criação da melodia, da letra. Quando já tens esse esqueleto do tema, passas para a produção da música, encaixas a voz nos sítios certos, as harmonias que preenchem os espaços. E no final, é alinhar os arranjos e passar à mistura. E em todas estas fases há sempre algo a melhorar, e podes nunca terminar um tema. Eu termino quando me deixo de divertir com o tema e sinto que está na altura de ser o público a divertir-se, seja a ouvirem em casa ou nos concertos. Nunca chegas à perfeição, porque é sempre um caminho sem fim.

 

Estes temas foram sendo criados ao longo do percurso e dividem-se entre a alegria e a tristeza. A inspiração é maior na alegria ou na tristeza?

Depende muito, sinceramente. Este é um álbum com lado marcadamente feliz e outro triste. O lado mais triste e romântico foi feito mais rapidamente e em primeiro lugar, estava na altura do Inverno e isso também ajuda a puxar esses sentimentos. A parte feliz comecei a trabalhar só na primavera do ano passado, mas acabou também por sair muito rápido. É algo que passa por fases e momentos de composição.

 

Quais os maiores desafios deste disco?

Os grandes desafios deste álbum eram sobretudo, cada vez mais, marcar uma posição no mercado musical português e dar-me a conhecer a pessoas que não ouviam os meus temas anteriores. E por isso, as várias ondas musicais presentes no álbum 7, e o meu desafio sempre passou muito por isso, não tenho vontade de produzir um álbum que seja igual do início ao fim, gosto da diversidade e ter a possibilidade de estar em cima de palco e passar de um tema como o “Gosto de Ti” ou o “Cuido de Você” para o “problema é que ela é linda”, por exemplo. E tinha mais um desafio, ir cada vez mais longe – levar a minha música e a música portuguesa para fora do país. Sempre tracei esse objectivo com este álbum de chegar ao mercado brasileiro, com várias duetos, várias idas ao Brasil, seja a nível de promoção ou também para trabalhar com compositores e músicos brasileiros.

 

Qual a grande diferença deste disco para o seu trabalho anterior?

A grande diferença está exactamente no que referi acima, o álbum 7 seja teve como objectivo muito presente a internacionalização, o dar a conhecer a minha música ao brasil. E daí os duetos com Kell Smith, Ana Vilela, Mc Rita ou Nego do Borel. É um caminho que quero continuar a fazer, nunca descurando o mercado português.

 

Dizer que o David está para Portugal como Justin Timberlake está para os Estados Unidos é…

É um grande elogio, porque sempre foi para mim uma referência. Somos de gerações diferentes, mas lembro-me de músicas do Justin que ainda hoje me estão muito presentes, como o “Cry me a river”. É um artista que sigo, não só a nível musical, mas também na representação e na gestão de carreira. Timberlake, Usher, Beyoncé são artistas que têm essa vertente de músicas, mas também de entertainment. E graças a esses artistas, a música hoje em dia tornou-se um espectáculo de entretenimento. As pessoas têm de sair da sua vida diária para sonharem, e a música tem essa capacidade.

 

Maro, Sara Carreira, Inês Herédia, MC Zuka, Nuno Ribeiro, Zim e Kell Smith participam neste disco. O caminho é melhor quando partilhado?

Eu sempre gostei de fazer duetos, em certas músicas ajuda a transmitir melhor a mensagem, outras vezes simplesmente porque se tratam de artistas com quem quero muito trabalhar.

 

Ainda pesa o facto de ser ‘o filho do Tony Carreira’ ou por outro lado essa questão ajudou a abrir portas?

Nunca pesou nem pesa, sinceramente. É algo que nem penso muito no assunto.

 

Entretanto aproxima-se o Altice Arena. Medos e receios existem? Quais?

Estou com imensa vontade que chegue o dia, é uma super Produção, um concerto único para mim e espero que seja único para toda a gente que vai assistir. É um 360 para ser exactamente diferente do resto da tour, e para sentir que todo o público vai estar perto de mim no show e vou estar rodeado por toda a gente. Quero que seja um concerto que fique na memória de toda a gente, em que se possam divertir, cantar, dançar..

 

Calculo que vá ter convidados. Quem é já quer anunciar?

Já anunciei alguns convidados, os Supa Squad, Deejay Télio, Mc Zuka, Nuno Ribeiro, a Sara, a Kell Smith. Brevemente vou anunciar o resto dos nomes.

 

Neste momento como olha para o mercado nacional em termos musicais?

O mercado nacional nunca esteve tão forte. Para mim ser um dos artistas que representa este mercado, seja com temas na rádio ou a marcar presença nos primeiros lugares nos tops Youtube e Spotify. Onde antigamente era só música estrangeira, hoje começamos a ver artistas portugueses, e são estas mudanças que vão elevar a nossa música e levá-la cada vez mais longe.

 

França é um mercado já conquistado por si?

Não, é um mercado no qual já não lanço novidades há algum tempo. Fiz uma pausa lá para conseguir focar-me no mercado português e no Altice Arena. Mas após esse concerto é possível que volte e lance também novos temas em francês

 

Quais os próximos passos?

Neste momento o meu foco é o Altice Arena e a digressão. Este ano decidi lançar 9 singles em 9 meses até 30 de Novembro. O ‘Minha Cama’ saiu há um mês e meio, está já com 5 milhões no youtube e mais de um milhão no Spotify.

 

Qual a mensagem que deixa a quem o segue e em particular aos nossos leitores?

Desde já agradeço a quem tiver a ler esta entrevista e conto com toda a gente no Altice Arena a 30 de novembro.

One thought on “David Carreira: “Nunca chegas à perfeição, porque é sempre um caminho sem fim.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.