Diego Miranda: “a música é que decidiu fazer parte da minha vida”

_MG_6210_03

 

Diego Miranda é um dos mais aclamados DJ’s nacionais e um dos mais reconhecidos internacionalmente. É frequente vê-lo na lista dos melhores do mundo. Em entrevista ao Infocul falou um pouco do seu percurso e também do que está a preparar para este ano de 2017.

 Quando é que decidiu que a música seria a sua vida?

 

Sempre tive duas grandes paixões, o surf e a musica. Acho que nunca tomei mesmo essa decisão porque as coisas foram acontecendo naturalmente, já tinha acabado os estudos e já tocava em algumas festas, comecei-me a focar, cada vez mais na música e o surf foi ficando para as férias. Os trabalhos começaram a surgir e cada vez dava-me mais gozo estar a tocar e a interagir com o público. Acho por isso, que a música é que decidiu fazer parte da minha vida.

 

 

 

Ao ser DJ, optou por uma área musical que não é das mais aclamadas em Portugal. Sempre teve em mente a internacionalização?

 

Não foi uma coisa imediata mas sempre me propus atingir certos objectivos ao longo de cada ano e sempre tentei acompanhar a evolução. Por isso cheguei a uma fase na minha carreira que achei que já tinha dado e conquistado o que podia em Portugal queria partir para novos horizontes. Entrei para umas agências no Brasil que me começaram a abrir portas e assim foi naturalmente. Quando dei por mim já estava a tocar em todo o mundo. (sorri)

 

 

 

Como é que a sua família e o seu circulo mais próximo reagiu quando decidiu fazer disto um modo de vida?

 

Não foi fácil, ninguém encarava a música como uma profissão a sério, um modo de vida e depois, filho de coronel e professora mais complicado ainda (risos) mas os meus pais sempre quiseram que eu fizesse acima de tudo aquilo que mais gosto. Só me pediram que tirasse um curso profissional antes, na área que gostasse, neste caso, técnico de som na ETIC. Depois disso, já era adulto e já pagava as minhas contas a tocar, era livre para seguir os meus sonhos.

 

_MG_6207_02

 

 

É considerado um dos melhores do mundo e por muitos como o melhor em termos nacionais. É uma motivação ou uma grande responsabilidade?

 

Ambas, ao mesmo tempo que te dá força para continuar e ser cada vez melhor e um grande orgulho, há uma maior responsabilidade, o público torna-se mais exigente, eu próprio fiquei mais exigente também, desde o som ao visual, tento que seja tudo na perfeição.

 

 

 

Quem são as suas grandes referências na música?

 

Independentemente do estilo sempre fui fã de Carl Cox, a sua técnica de mistura não deixa ninguém indiferente. Mas sempre tentei ser acima de tudo, eu próprio não sou muito de seguir tendências ou copiar estilos.

 

 

 

Em termos de discografia o que está a ser preparado?

 

Depois da Nashville ter estado em número 1 da beatport e 1001tracklist, soube agora que a “Viking” está no top 25 das mais tocadas em França, não podia estar mais feliz. Preparo-me agora para lançar um novo tema para a smash the house dos Dimitri Vegas & like mike e espero ter o support deles novamente. Acabei de lançar a “Never Surrender” feat Mod Martin e está a começar a tocar nas rádios. Também voltei ao estúdio com Mikkel Solnado, quem admiro muito e só posso dizer que estou muito satisfeito com o resultado. Vou também ter  um tema com Mia Rose que ainda  ontem  tivemos em estúdio a gravar,  adoro a voz dela (sorri). Tenho mais coisas que não posso revelar por enquanto… mas Thes Best is Yet to come (sorri)

 

 

 

O que o inspira, na criação da sua música?                                                                                                                                                            

 

Os meus fãs… Quando tocam nas minhas  festas,  é ai onde me sinto verdadeiramente próximo do meu público , muitas vezes depois de uma actuação chego a casa de manha e vou para o estúdio, quer seja para melhorar músicas novas que testei como para desenvolver novas ideias que surgiram na minha cabeça durante a festa.

 

 

 

 Sente que é mais reconhecido em termos internacionais do que nacionais?

 

Temos o costume de avaliar “o que é de fora é que é bom”, posso dizer que estou sempre a receber o carinho dos fãs em Portugal e a ser reconhecido, é um grande orgulho e satisfação, mas no estrangeiro é diferente, porque há países tão grandes que a oportunidade de estar assim perto de um artista é quase única então, deliram mesmo.

 

 

 

O que poderia ser feito para divulgar mais e melhor o trabalho dos Dj’s em Portugal?

 

Antigamente era bem mais complicado não existia muita informação acerca, mas penso que agora já existe escolas de musica como a ProDj, portais da internet nomeadamente a 100%djs, magazines entre elas a djmag e por aí fora portanto penso que estamos no bom caminho.

 

 DIEGO MIRANDA

 

O que está a ser preparado para o ano de 2017?

 

Um dos grandes festivais internacionais já tenho confirmado novamente mas que ainda não posso revelar (sorri). Já tenho novas Tours confirmadas para a Ásia onde tenho estado mais ultimamente, que passam pela China, Japão, India, Indonésia e Vietname. Também já tenho agendadas várias datas em Ibiza, no Ushuaia novamente e no novo club chamado Hi Ibiza e que ainda vai dar muito que falar (antigo Space Ibiza).

 

 

 

Se fosse permitido escolher um músico, que não DJ, para um dueto quem escolheria?

 

Pergunta difícil, admiro vários cantores e músicos muitos deles com quem tive o privilégio já de trabalhar mas posso citar alguns internacionais como Sam Smith ou Bono Vox.

 

 

 

“NEVER SURRENDER” é o mais recente single e conta com uma participação especial? Como surgiu esta possibilidade?

 

 

O cantor Mod Martin foi me sugerido pelo seu manager Vitor Cunha que já era um grande amigo meu, assim que ouvi a voz dele fiquei fascinado, muito semelhante à de Bono (dos U2). Mas esta música tem uma história. A primeira versão desta música foi lançada no ano passado pelo Natal, é verdade. Como apoio algumas causas sociais por essa altura, ia visitar os doentes da Pediatria do Hospital de Santa Maria e queria lhes oferecer algo especial, já que muitos deles nunca têm oportunidade de sair de lá sequer, quis lhes levar um mini concerto ao vivo até eles e poder dar-lhes umas aulinhas de djing, uma espécie de workshop. Mesmo assim, achava que não chegava, queria lhes oferecer algo original. Então fechei-me em estúdio com o Mod que se disponibilizou imediatamente e criou uma letra especificamente para eles, nasceu a Never Surrender. Tocámos para eles ao vivo e foi um dia cheio de emoções inesquecivel. O feedback foi tão positivo que um ano depois quisemos pegar nela novamente, mas dar-lhe um groove mais actual e lança-la para o mercado. Gravámos agora o videoclip maioritariamente na China e espero que gostem tanto dela quanto nós ainda mais pelo significado que ela tem e pela sua história.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

Rui Lavrador has 6389 posts and counting. See all posts by Rui Lavrador

Rui Lavrador

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.