D.R. (Dorantes/Facebook Oficial)

A Aula Magna recebeu esta quinta-feira, 25 de Outubro, o pianista andaluz David Peña, conhecido como Dorantes.

Naquele que foi o segundo espectáculo desta edição do Festival Flamenco de Lisboa, Dorantes fez a sua estreia em Lisboa. Uma estreia para recordar.

Em palco, além do seu piano, contou com a ‘bailaora’ Leonor Leal, o baterista Javi Ruibal e o contrabaixista Javier Moreno.

‘El tiempo por Testigo…A Sevilla’ é o nome do disco que Dorantes lançou em 2017 para celebrar 20 anos de carreira.

Numa noite fria, Dorantes foi o autor de um espectáculo quente, harmonioso e muito feliz. Através do seu piano levou-nos por sonoridades que fundem a música clássica, o flamenco, o jazz e a música latina.

O poderio do contrabaixo e a batida da bateria levam-nos para um enquadramento único na abordagem ao flamenco.

Em criança foi guitarrista flamenco, e além do piano, Dorantes sabe também tocar instrumentos como violino, baixo e bateria.

Francisco Carvajal, director do festival, tem mérito em trazer a Portugal um distinto músico como Dorantes, porque nos permite, sem sair da cadeira, conhecer o mundo através da sensibilidade e genialidade de Dorantes, pela voz do seu piano.

Abriu o espectáculo com Rondeñas, flamenco original da cidade de Ronda, a solo com o seu piano e logo aí o virtuosismo começou a mostrar-se e a deixar o público entre o silêncio e o aplauso efusivo.

Dorantes é um revolucionário do flamenco e um estudioso, não nasceu para ser mais um seguidor, como tantos e tão bons que já existem. Dorantes nasceu para criar, inovar e assim dar novos caminhos a uma tradição de si já tão bonita, o flamenco.

Seria impossível neste espectáculo não ouvirmos ‘Orobroy’, quiçá o tema mais importante de todo o percurso de Dorantes e que deu nome a um disco, em 1998.

Destaque ainda para a vertente de bailado a que assistimos neste espectáculo, a cargo de Leonor Leal, pela classe e qualidades únicas apresentadas. Teve o cuidado de adaptar cada vestido aos temas que dançou e apostou numa linguagem física que soube a poesia em movimento, não esquecendo as bases importantes da dança flamenca, como marcação, o tacão, os movimentos suaves, expressivos e ilusórios das mãos.

Em suma, Dorantes teve uma estreia extraordinária em Lisboa! Que volte rápido!

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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