Duarte Nuno Vasconcellos: “A Buzico neste momento está em contra-relógio…”

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Duarte Nuno Vasconcellos nasceu na Madeira a 8 de Junho de 1973, vive em Lisboa desde 1991 e fundou a Buzico! Produções Artísticas em 2011. Polémico, frontal e um apaixonado pelas artes, não resiste a uma boa conversa e também conta com um humor inteligente. A primeira grande entrevista do Infocul teve-o como personagem principal. Um ano e meio depois, aproximadamente, Duarte Nuno Vasconcellos volta a conceder uma entrevista ao Infocul para falar dos novos projectos da Buzico!, do seu percurso, de política…da vida!

 

 

Em Setembro terá a maior produção, pelo menos em termos financeiros, alguma fez feita pela Buzico, em cena no Auditório do Casino Estoril.

 

 

 

Ora muito bem. Então é assim, o espectáculo do Casino Estoril chama-se “Segundo Capítulo”, é do autor Neil Simon, é uma comédia com quatro actores. Posso dizer quem são os actores:  André Nunes, a Matilde Breyner, a Leonor Seixas e o Salvador Sobral, que não o cantor. Tenho que fazer este reparo que irá gerar alguma confusão sendo que o projecto foi trazido à Buzico pela Matilde Breyner e pelo Salvador, que tem este projecto há algum tempo para querer pôr em cena e vieram como é costume com a maioria dos projectos, vieram bater à porta da Buzico para perguntar se nós teríamos interesse em produzir” começa por nos dizer sobre o espectáculo que estará no Auditório do Casino Estoril, provavelmente em Setembro, e que tem já a decorrer uma campanha de crowdfunding, a qual abordaremos mais à frente.

 

 

É um espectáculo que vai exigir, independentemente do seu elenco e que tem encenação de Nádia Santos, um esforço financeiro grande e procura de apoios a nível financeiro grandes. Isto porque nós teremos que reproduzir de uma forma real ou mesmo que não seja real, que seja imagética, temos que produzir em palco a noção de duas casas, porque a história de toda a peça decorre em duas casas e portanto nós teremos que ter o palco dividido em duas áreas que representem a casa de uma das personagens e a casa de outra das personagens. E para isso, enfim, entre outros contactos com entidades privadas para recebermos ou para termos apoio financeiro para a realização deste projecto, nós vamos lançar, quando esta entrevista sair às tantas já lançámos, a nossa primeira grande loucura ou fim de quase seis anos, que é uma campanha de crowdfunding onde estamos a pedir 15 mil euros” acrescenta sobre a campanha que à data desta entrevista (5 de Junho) ainda não estava a decorrer. Actualmente quem quiser contribuir poderá fazê-lo aqui.

 

 

Mas 15 mil euros é muito dinheiro e é importante que o público e todos os interessados em contribuir para este espectáculo saibam para que se destina a quantia pedida. Duarte Nuno Vasconcellos refere que “as pessoas que contribuírem, enfim, no site onde está a campanha de crowdfunding está lá toda a informação sobre o espectáculo, sobre o valor que nós pedimos e qual o destino desse valor. É óbvio que se nós formos ler, e também porque o espaço não é muito, são meia dúzia de linhas a dizer o que nós estamos a pedir sendo que todo este dinheiro irá para pagamento de direitos autorais, encenação, do cenário e da construção do cenário por que é algo que tem um peso significativo em todo o orçamento porque o criar um cenário que esteja em palco, que seja desmontável, que depois possa ser fácil de montar em digressão. Tudo isto exige um trabalho que não fica barato e portanto a construção de um cenário, seja ele de que tamanho for… mas a construção de um cenário nunca é uma coisa que fique barata. Em todos os outros espectáculos que nós fizemos, com um maior ou menor peso, o que teve sempre maior peso de custo foram os cenários. Talvez o espectáculo que teve menos custo a nível de cenário foi “A noite do choro pequeno” porque tinha um banco que representava uma paragem de autocarro. Portanto, talvez tenha sido o espectáculo que tenha tido o cenário com menos peso na estrutura de construção do espectáculo. De resto, todos os outros não” antes de acrescentar que “o cenário e adereços são coisas que têm um peso significativo. Posso vos dizer que, ou posso te dizer se fica melhor, deste orçamento que nós pedimos, a parte que envolve cenário, guarda-roupa, e adereços consome a grande maioria do valor. Tudo o resto, desde direitos de autor, encenação, eventualmente o pagamento dos ensaios para os atores tudo isso é um valor residual dentro deste espectro que é pedido. Tivemos que nos lançar nesta demanda . Felizmente ou infelizmente a Buzico continua a ser uma entidade que não tem qualquer tipo de apoio estatal ou privado com continuidade e quando eu digo com continuidade é com este espaço de continuidade. Às vezes quando há apoios privados não quer dizer que sejam com continuidade”.

 

A Buzico neste momento está em contra-relógio para dia 08 de Junho, no dia 08 de Junho, que é o dia dos meus anos… A Buzico está a contra-relógio para entregar na DGArtes a sua primeira candidatura para um espectáculo que será apresentado no próximo ano. Posso já te falar desse espetáculo. É um espectáculo que vai finalmente…vou finalmente conseguir entrar numa área onde nós ainda não tínhamos entrado, que é a área da performance. Vamos ter um espectáculo que vai misturar dança contemporânea com artes circenses. É um espectáculo que irá estar, posso dizer…ainda não tem data fixa porque tem haver com uma questão especifica do espaço, porque eles ainda não puderam fechar datas de programação mas posso dizer que será no Teatro Meridional que será apresentado o espectáculo e depois eventualmente também terá apresentações aqui no próprio Village. E este espectáculo pela sua especificidade, pela primeira vez a Buzico vai lançar-se numa candidatura à DGArtes… Esperemos ser bem sucedidos até porque também envolve…por algumas razõess envolve alguns valores significativos e portanto nós achamos que tendo em conta a mistura de várias sensibilidades porque o espectáculo terá uma composição musical original de raiz, será trabalhado em aparelhos de novo circo e, para além disso, terá também uma componente de dança. Eu não falo muito mais deste espectáculo porque, para já, o espectáculo está com dois intervenientes. Poderá ter três. É uma das coisas que ainda vamos fechar antes da questão da candidatura” diz-nos quando o questionámos sobre se não tinha apoios do estado por não se candidatar ou se o estado recusava-se a apoiar perante candidaturas.

 

 

Sobre este espectáculo revela-nos também em primeira mão o nome dos actores que irão integrar o elenco: Susana Alves Costa e Celso Jumpe.

 

 

 

Ainda relativamente aos apoios financeiros, Duarte Nuno revela que o maior apoiante da Buzico é “o público. O público, quer o que vai aos espectáculos quer o que contribui nas campanhas de crowdfunding que a Buzico tem feito. Tal e qual como eu tinha dito quase há um ano e meio atrás, é com a sociedade civil hoje em dia que eu acho que nós podemos contar”.

 

Além da Buzico! Produções Artísticas, Duarte Nuno Vasconcellos é ainda responsável pela Buzico! Agência. “É a mesma empresa com duas áreas independentes de negócio” diz-nos, antes de explicar porque preferiu criar uma empresa ao invés de uma associação: “Voltamos à pergunta de há um ano atrás, de há um ano e meio atrás para te dizer o mesmo que te disse, porque eu queria e quero que as coisas tenham uma determinada regra a seguir. Uma associação…é óbvio que tinhas muitas facilidades financeiras” mas “também terias numa entidade sem fins lucrativos sempre a possibilidade de as coisas não serem feitas…eu não digo a teu gosto porque eu não quero estar a dizer que a coisa seja feita à minha maneira mas que tenham a minha marca como eu acho que as coisas devem ser feitas porque as pessoas facilmente cedem a pressões e eu tento não ceder e tenho conseguido, é óbvio com algum custo, não ceder a pressões. É óbvio que tem custos financeiros muito grandes mas também lembro-me sempre, por acaso não sei se disse isto quando nós falámos da ultima vez, mas lembro-me sempre de uma coisa. Quando eu fui trabalhar na Companhia Teatral do Chiado , o Juvenal ter-me dito, já que eu não cheguei a conhecer o Mário Viegas, mas o Juvenal Garcés ter-me dito que o Mário quando abriu a Companhia de Teatro do Chiado e quando fundou uma empresa e ele que tinha sido fundador de várias companhias de teatro que eram ou cooperativas ou associações, tinha feito…tinha decidido abrir uma empresa porque dizia que tinha chegado a altura de ser empresário de teatro à moda antiga como era o Vasco Morgado. O Mário dizia que queria ser um empresário à moda antiga de teatro e não estar sujeito às tricas que acabam por acontecer quando tu estás envolvido dentro de uma estrutura que é uma associação ou que é uma cooperativa”.

 

 

Contudo, desengane-se quem acha que Duarte Nuno Vasconcellos decide tudo na Buzico. Isto porque a equipa Buzico funciona “como se fossemos um colectivo, ou seja, eu dou sempre a minha opinião como todas as pessoas que trabalham comigo também dão a sua opinião e têm a liberdade de dar a sua opinião e de dar a sua visão sobre as coisas e muitas vezes não é a minha visão que acaba por vingar como visão para seguir um determinado caminho mas eu só tenho esta liberdade porque a empresa é minha e porque não é uma associação, porque se fosse uma associação haveria sempre alguém, um membro da direcção, um membro de não sei do quê que iria sempre ter a sua influência e que ia sempre achar que é como nós queremos mas acho que não seja como nós queremos…”

 

Duarte Nuno Vasconcellos revelará mais novidades na segunda parte da entrevista a sair em breve.

Agradecimento: Village Underground Lisboa
Fotografia: Ulisses Almeida

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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