Duarte Nuno Vasconcellos: “Mais depressa fecho a empresa, do que abro uma associação”

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As dificuldades económicas são sempre um dos obstáculos para quem cria uma empresa e com isso tem que cumprir uma série e obrigações. Na área da cultura, as dificuldades são mais que muitas. É por este assunto que iniciamos a segunda parte da entrevista a Duarte Nuno Vasconcellos, sendo que poderá ler a primeira aqui.

 

 

Vou te dizer muito sinceramente: Até hoje tive uma altura, muito numa fase inicial, onde ponderei a continuidade ou não da existência da Buzico e estamos a falar mesmo o que se poderá chamar no primeiro ano, que é sempre um ano muito complicado. A grande maioria das empresas novas, muitas empresas nascem e não chegam a durar um ano e eu percebo porquê. Ao fim de um ano houve uma altura em que eu ponderei se deveria ou não continuar com a Buzico. Mas posso dizer uma coisa com toda a minha certeza. Eu mais depressa fecho a empresa do que abro uma associação. A essa tentação eu não cedo. Prefiro fechar a empresa e prefiro procurar outro caminho mas não esse caminho e é uma questão de princípio” diz-nos sobre a possibilidade de criar uma associação ao invés de uma empresa.

 

 

 

O número de elementos na equipa da Buzico tem vindo a aumentar, sendo que nesta altura, além de Duarte Nuno Vasconcellos, a equipa conta com “mais quatro pessoas a trabalharem comigo” ao invés dos “três ou dois” aquando da nossa última entrevista.

 

O crescimento da Buzico vai muito além da componente financeira. “Não é só a questão do financeiramente. É a questão que de facto houve aqui uma conjuntura que proporcionou criar uma viragem…criou aqui uma viragem na estrutura da empresa e que de facto permitiu que pudéssemos crescer a nível humano, é óbvio que também te digo com a maior frontalidade que às tantas se me perguntasses se neste preciso momento em que nós estamos, em que temos quase sete projectos a avançarem em simultâneo ou mais ou menos em simultâneo que irão acontecer entre o início da temporada em Setembro e o final da temporada, a chamada temporada teatral que é de 2017/2018, que termina em Julho, e temos alguns projectos em mão, quase sete alguns são peças de teatro, outros são coisas que vão entrar noutras áreas mas que para já ainda não posso levantar muito o véu sobre o que é, mas posso dizer que vamos ter um espectáculo musical, musical no sentido de um concerto, uma coisa pensada de raiz que vai ser talvez a primeira produção que nasce dentro da Buzico”, sem contudo nos revelar os nomes que irão integrar o elenco.

 

 

Imagina aqueles concertos comemorativos dos Miseráveis que tu não vês o espectáculo todo e que tens os cantores que vêem à frente e cantam as suas musicas. A ideia é ser um pouco como se fosse um espectáculo-concerto com um elenco de 3 ou 4 cantores, ainda não esta definido. A nossa ideia preferencialmente seriam 3, um leque de músicos também não muito grande porque não faz sentido, porque a ideia é que seja um espectáculo-concerto relativamente intimista mas é uma ideia que surgiu dentro da Buzico em 2012, que ficou em águas de bacalhau e agora houve aqui a vontade de ressurgir, de pegar nesta ideia com a entrada do novo produtor executivo houve a ideia de pegar neste projecto que estava supostamente na gaveta” acrescenta sobre esta produção.

 

Os orçamentos da Buzico são pequenos quando comparados a outras produções que contam por exemplo com um milhão de euros. Questionei a Duarte Nuno Vasconcellos como se sentia perante esta discrepância, tendo o produtor dito “Bem. Eu não sei, quer dizer, não é eu não sei mas de facto eu nem sei o que é ter um milhão de euros, quanto mais um milhão de euros para fazer um espectáculo. Para já, se eu tivesse 1 milhão de euros tentava construir uma sala para mim, primeiro lugar, que é um objectivo. Gostava de ter um espaço meu e de não andar a ter esta dificuldade que também tenho constante que é de andar com a casa às costas e quando começo com um projecto ou quando me vêm bater a porta com um projecto eu digo sempre ‘a primeira coisa que nós temos que fazer é encontrar uma sala’. Depois de encontrar a sala é que começamos a produzir o espectáculo. É um bocadinho construir…não é construir a casa pelo telhado, porque arranjar uma sala não é construir a casa pelo telhado mas a nossa primeira prioridade porque eu tive alguns dissabores com espectáculos que começámos a avançar com a produção e de repente não arranjamos espaços para os apresentar e eles acabaram por cair e isso agora eu não corro esse risco. Como não corro esse risco a escolha, ou melhor, os projectos avançam a partir do momento que há um espaço”.

 

 

 

Como eu te disse, neste momento dos sete projectos que eu há pouco falei, três têm condições de avançar concretamente, eventualmente quatro, o tal concerto, mas isso há-de ser uma coisa de uma noite ou duas noites, não há-de ser uma coisa maior do que isso mas esse espectáculo também já tem um sitio. Os outros três já têm todos sítio. Quer dizer, “O Segundo Capitulo” vai para o Casino Estoril em Setembro, o “Céu”, que eu ainda não tinha revelado o nome, do Xavier Pereira, terá encenação do João Ascenso, do qual nós fizemos agora dois dias de casting para escolher actrizes e posso dizer, foi muito…fiquei muito feliz porque nós vamos ter uma grande dor de cabeça para conseguir escolher porque tivemos muito bons castings. Apareceram de facto atrizes que vão dar que falar nos próximos anos em Portugal. Ainda por cima nos estávamos há procura de um elenco muito jovem, entre os 20 e os 25 anos e portanto…” acrescenta.

 

 

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Duarte Nuno Vasconcellos revelou ainda que o “espectáculo que mistura dança com arte circense, apesar de não ter ainda data fixa, há já o compromisso de pelo menos para estreia, e depois também virá aqui ao Village, no Teatro Meridional, portanto estes espectáculos já posso falar porque independentemente de tudo já têm sitio para acontecer. Os outros ainda estão a espera e é só essa a razão porque eu ainda não falo sobre eles. Porque é prematuro. Há um ano e meio, ou há um ano e cinco meses quando dei a entrevista para o Infocul, e com muito prazer, porque vocês estavam a começar e gostei muito de ter aquela nossa longa conversa na Benard, eu falei-te do tal projecto que carece disso e que ainda não foi feito que é o tal projecto teatral com o Flávio Gil e portanto não foi posto na gaveta, esta em standby por variadíssimas razões, uma das quais porque o Flávio com um grande sucesso tornou-se cabeça de autoria das revistas do Parque Mayer e fez a sua primeira encenação. Foi algo que correu muito bem porque há muito tempo uma revista não estava tantos meses em cena e que terminou ontem e que foi um grande sucesso. E o mesmo trio de autores já está a preparar a próxima revista e sinceramente espero que tenha o mesmo sucesso que esta teve mas claro que o projecto com o Flávio continua em cima da mesa. Está um bocadinho em standby. Um dos motivos porque em primeira mão será necessário arranjar um sítio para levar o espectáculo a cena.”

 

 

Numa fase da sua vida em que se sente “grato”, Duarte Nuno Vasconcellos aproveitou a entrevista para prestar um esclarecimento sobre o funcionamento da Buzico! Produções Artísticas e a Buzico! Agência.

 

 

A Buzico de facto está dividida em duas áreas de negócio e que funcionam de forma independente, a Buzico Produções Artísticas e a Buzico Agência, e esta forma de trabalhar independente é óbvio que cria algumas confusões no mercado porque às vezes as pessoas acham que deveria de existir e não somos nós que achamos, são os outros, acham que deveria de haver uma promiscuidade entre as duas áreas de negócio e eu nunca em 16 projectos que produzimos impus a nenhum encenador escolha de elenco, a não ser quando me foi solicitada opinião e ai sim claro que dei a minha opinião e dei os meus achegas como darei sempre mas nunca impus e em 16 espectáculos produzidos nós tivemos 4 agenciados nossos a trabalhar nesses espectáculos como actores. Temos tido mais o João Ascenso a trabalhar como encenador, que também é nosso agenciado, mas como actores tivemos até hoje quatro. Eu nunca por nunca vou impor a nenhum encenador ou a nenhum projecto trabalhar com os agenciados da Buzico. Se eles fizerem sentido claro que sim e tenho todo o gosto. Este projecto que nós fizemos agora, este casting que nós fizemos agora de audição para o espectáculo “Céu”, do Xavier, nós abrimos castings a todas as agências e a Buzico Agência, na sua vertente de agenciamento foi contactada tal e qual como todas as outras, com o mesmo e-mail que todas as outras receberam e foram escolhidas as actrizes dentro da faixa etária que era preciso ou que era pedido para se candidatarem ao casting. Não faz sentido para nós trabalharmos de uma outra forma se não assim”.

 

Para que não restem dúvidas sobre o trabalho independente de cada uma das áreas da Buzico, Duarte Nuno Vasconcellos refere que “Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque“.

 

Agradecimento: Village Underground Lisboa
Fotografia: Ulisses Almeida

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