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Dulce Pontes regressou a Lisboa para apresentar o seu mais recente disco, “Peregrinação”, no Teatro Tivoli BBVA, que se encontrava completamente esgotado.

 

 

Fonte de inspiração para muitos artistas portugueses, idolatrada por outros tantos e aclamada por um público que sempre lhe foi fiel ao longo do tempo, Dulce Pontes não desiludiu no regresso a uma grande sala lisboeta.

 

 

“Peregrinação” é o novo trabalho discográfico de Dulce Pontes e é constituído por um duplo cd, “Nudez” e “Puertos de Abrigo”. A escolha de alinhamento para este espectáculo não foi a mais feliz, mas Dulce Pontes soube agarrar o público do primeiro ao último acorde. Em nenhum momento o público deixou de aplaudir vigorosamente a artista.

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Dulce Pontes é provavelmente a artista com melhor e mais poderoso aparelho vocal em Portugal. A elasticidade e maleabilidade da sua voz permite-lhe mudar constantemente de registo de uma forma natural e aparentemente sem grande esforço. Por entre murmúrios e uma viagem dos graves aos agudos que arrebatam qualquer ser que deixe a mensagem da peregrina Dulce Pontes chegar até si.

 

Abriu o espectáculo com “La Peregrinacion”, de Ariel Ramirez e Felix Luna, seguindo-se “Grito” de Amália Rodrigues e Carlos Gonçalves, para ao terceiro tema endurecer a voz na interpretação dificílima de “Nevoeiro” de Fernando Pessoa.

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“Va de retro” da sua autoria, antecipou uma viagem à música tradicional portuguesa em “Cantiga da Roda” (adaptada por si a partir do cancioneiro tradicional português), regressando aos originais da sua autoria em “Canto do Risco”, música feita em parceria com Gastão Neves.

 

Dulce Pontes foi brilhantemente acompanhada em palco por Marta Pereira da Costa na guitarra portuguesa, David Zaccaria no violoncelo, Daniel Casares na guitarra flamenca, André Ramos na viola de fado, Paulo Silva na bateria e percussão, Amadeu Magalhães no bandolim, gaita de foles e acordeão, Juan Carlos Cambas no piano e Hubert-Jan Hubeek no saxofone.

 

O Minho veio a Lisboa com “Bailados do Minho” (Artur Paredes e Dulce Pontes), para seguidamente atingirmos dois momentos sublimes: “Ele é que canta a mim” da autoria da artista do Montijo e ainda “Meu amor sem Aranjuez”, de Joaquim Rodrigo e Dulce Pontes. São dois momentos em que Dulce mostra um controlo absoluto no ataque às notas, no prolongamento das mesmas e na intensidade correcta dada a uma dicção sublime.

 

 

Num espectáculo de poucas palavras para com o público, Dulce Pontes guardou para a parte final do espectáculo temas em castelhano. “La legenda del tiempo” de Pachon e Federico Garcia Lorca, “Alfonsina y El Mar” de Ariel Ramirez e Félix Luna, “Ay ondas que eu vin veer” de Martin Codax, terminado ao som do tango com “Maria de Buenos Aires” de Astor Piazzolla e Horacio Ferrer.

 

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Público em êxtase e de pé obrigam a encore e eis que surge o momento da noite. Dulce Pontes dirige-se ao público para dizer que há uma pessoa na plateia de quem gosta muito, FF, e convida-o a subir ao palco para cantar “Canção do Mar”. FF, fã confesso de Dulce Pontes, aceita e sobe a palco e o que aconteceu a seguir foi arte. Momento sublime em que duas almas e duas vozes se encontraram, caminharam e abraçaram-se num momento em que a música foi amor. Brilhante momento para término de concerto.

 

 

Dulce Pontes regressou em grande aos palcos nacionais. Fica a curiosidade de assistir a novos e diferentes temas num alinhamento que em alguns momentos perde dinâmica.

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Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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