Entrevista a Paulo Ribeiro: “Modas de Viés” estreia em Beja

O cantor e compositor bejense Paulo Ribeiro apresenta na sexta-feira, 8 de Julho, o espectáculo “Modas de Viés”, juntando-se aos Tango Paris e aos Moços da Aldêa. Este espectáculo gravita em torno do cante alentejano, do qual se confessa um grande apreciador. As Modas do cancioneiro tradicional do Alentejo serão apresentadas com uma roupagem mais moderna recorrendo a instrumentos como a bateria ou as guitarras. 

O meu interesse pela música começou desde muito cedo. Sempre tive interesse pelo cante alentejano. Lembro-me de ir com o meu pai às tabernas e ver lá os homens a cantarem. Na adolescência tive uma banda de pop/rock, os “Anonimato”. Sempre estive envolvido em diferentes projectos, como os Tais Quais e Baile Popular. Mantive o gosto pelo cante alentejano até hoje“, conta Paulo Ribeiro sobre como nasceu a sua paixão pela música.

 

 

Com a banda Anonimato, fundada nos anos 90 e com a qual iniciou a sua carreira musical, editou os álbuns “Anonimato” e “O dia mais longo do ano”.

 

 

Actualmente, para além do espectáculo apresentado no “Beja na Rua-Festival de Artes na Rua”, que decorre até 16 de Julho, o cantor e compositor de Beja faz parte dos “Tais Quais”, ao lado de João Gil, Tim, Vitorino, Jorge Palma, Celina da Piedade ou Serafim.

 

 

Este espectáculo gira em torno do cante alentejano. Parte do cante tradicional, que faz parte do nosso património. É pegar neste traço do Alentejo e integrar as baterias e as guitarras para interagir com outras abordagens e a partir dai reinventar um pouco. Uma reinvenção da tradição pois não tem de ser cristalizada. Eu trabalho muito com a tradição. Os grupos corais estão ligados a um tempo que já passou mas os homens que vão actuar comigo já não estão tão ligados aos campos como antigamente“, é desta forma que explica a base do espectáculo “Modas de Viés”. 

 

 

A cantora Joana Espadinha, com formação ligada ao jazz; o poeta/performer Napoleão Mira, que vai traduzir a música em palavras ditas; Tango Paris e os Moços da Aldêa são os convidados esperados que vão trazer novas interpretações do tradicional cante alentejano.

 

 

Esta expressão da música alentejana, em conjunto com o fado é património imaterial da humanidade pela UNESCO. “Eu acho que isso não tem só haver com o universo do cante. É mais o desinteresse que existia em Portugal. Começou-se a falar mais devido devido a classificação do cante por parte da UNESCO que o fez virar um pouco moda. Às vezes é preciso um abanão para as pessoas olharem. Existe uma versão mais tradicionalista com pessoas a acharem que não se pode mexer ou alterar as letras tradicionais do cante“, diz Paulo Ribeiro sobre o crescente interesse no cante alentejano desde a classificação deste pela UNESCO como património imaterial da humanidade.

 

 

Não há muita gente a criar novas coisas mas há gente que ao longo dos anos que fez coisas fantásticas como o Janita Salomé ou o Vitorino. A candidatura veio levantar mais curiosidade. Os jovens já assumem que gostam de ouvir e cantar como se fazia tradicionalmente. Começam a surgir grupos corais de jovens. Espero que este espectáculo seja positivo. É uma luz que se abre. Há muito para fazer com este espectáculo, outras actividades. O cante pode ligar-se a tudo“. 

 

 

O compositor de Beja espera um futuro positivo para o cante alentejano que têm cada vez mais jovens a canta-lo, o que fará com que este não “morra“. 

 

 

O espectáculo foi criado para se apresentar no Festival de artes na rua. Depois o espectáculo vai ficar disponível. Vai ser concretizado nesta sexta-feira mas esperamos ter outras oportunidades pois criou-se uma interacção muito boa entre todos os intervenientes. Espero que possamos fazer outras apresentações”, revela o autor do espectáculo.

 

 

Para além deste trabalho que estreia no dia 8 de Julho, o trabalho de Paulo Ribeiro continua a demonstrar o melhor que se faz no Alentejo.

 

 

O cante é mais do que uma expressão musical. É um traço de uma identidade cultural do povo alentejano e isso é muito interessante. As pessoas cantavam nos mais diferentes momentos da vida de uma forma muito natural. O cante classificado é aquele cantado só com vozes. É uma fase muito importante para a expansão desta expressão musical“, diz o cantor sobre o que distingue e torna único o cante alentejano.

 

 

Quanto a outro dos projectos em que está envolvido, os Tais Quais, convida à descoberta, algo que pode fazer-se através de um clique na “internet. Editámos um disco que foi disco de ouro. Estou a preparar o meu disco a solo que em princípio sai em Outubro. Este espectáculo está ainda muito fresco, ainda se está a pintar. Na sexta vai estar tudo pronto para a estreia da Modas de Viés“, revela-nos.

 

 

Antes de actuarmos actuam os Meninos de Minas. As Modas de Viés são às 23 horas. Venham a Beja conhecer a cidade que está muito viva, com bandas a tocar nas ruas. É um festival muito interessante. É impressionante a cidade em Julho! Antes era um deserto e agora transformou-se num oásis. Visitem e conheçam a cidade. Depois de uma boa gastronomia venham assistir o Modas de Viés, vai ser um serão interessante“, este é o convite que o músico deixa para assistirem ao espectáculo e visitarem a cidade de Beja.

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