Estoril Sol celebra 20 anos da revista Egoísta

Fiel à sua matriz de índole cultural, a Estoril Sol acaba de lançar uma nova edição da revista “Egoísta”, em plena época pandémica que coloca ao País e ao Mundo novos e decisivos desafios. Trata-se de número especial que assinala, precisamente, os 20 anos da “Egoísta”, uma revista de culto que se consolidou como a publicação mais premiada a nível europeu.

Egoísta 20 anos, é uma edição comemorativa que, como todos nós, foi apanhada pela pandemia e pelo confinamento. Pronta em Fevereiro deste ano, a edição chega agora ao mercado e existem inúmeras razões para não perder este número especial 20 anos”, explica a editora Patrícia Reis.

Destacamos o ensaio de António Barreto, cujo título reflecte o objectivo do texto: Vinte Anos: Não há Céu sem Inferno. Trata-se de uma análise do que foram estas duas décadas do novo milénio com enfoque específico na realidade portuguesa. Entre outras coisas, António Barreto escreve: “O mundo está em fúria, o clima e a natureza estão zangados. Nestes 20 anos, por evolução telúrica ou por obra do Homem, ocorreram algumas das piores catástrofes de que há memória e registo”, revela Patrícia Reis.

Outras perspectivas são apontadas por Paula Cosme Pinto, que escolhe mulheres para este século, destacando as que considera mais significativas na luta para um mundo paritário. Filipe Santos Costa não faz uma análise nem uma ficção – são dez retratos da realidade que Gonçalo F. Santos se encarregou de ilustrar com fotografias exclusivas. Imperdível, também, é o conjunto de ficções, narrativas inéditas, assinadas por Tânia Ganho, Valter Hugo Mãe, ou Rui Couceiro. Exploram-se universos distintos, tendo sempre em conta o tempo, o poder do tempo, as marcas do tempo. Olhamos o espaço com Miguel Gonçalves, o século com Sebastião Reis Bugalho e o mundo com Patrícia Reis. A poesia chega-nos pela mão de Maria Quintans. Nos portfólios artísticos destacam-se Kenton Thatcher, Carlos Ramos, Luís Filipe Cunha e, de novo, Gonçalo F. Santos. A ilustração – e o aspecto mais lúdico desta edição – é da responsabilidade de Júlia Cunha.

Na abertura do editorial “Valeu a Pena?”, Mário Assis Ferreira, director da “Egoísta”, recorda: “Um dia, algo distante, tive a incauta tentação de editar um “Jornal de Boas Notícias”. Arrojada façanha essa, logo gorada por um fatídico estudo económico que me ditava o ónus de uma exígua circulação por carência de leitores interessados, bem mais ávidos de penumbras noticiosas…

Penumbras que nos reconduzem a um perímetro semântico circunscrito a desgraças, cataclismos, corrupções, barbáries, qual condimento maléfico de uma existência temperada em fel… Será essa, talvez, a natureza humana… Ou talvez a morbidez seja sinónimo de ingenuidade: algo diferente seria a nossa visão do mundo, se o mal não fosse exercitado sob a aparência do bem. Ainda que essa benemerente aparência surja travestida em dever noticioso, alimentada em guetos de tribalização informativa, exacerbando opiniões, ignorando factos, sepultando a verdade no cemitério da ética.

Assim nos deixamos submergir em vórtices de desesperança, subjugados à crueza do que lemos, vimos e ouvimos, inábeis no descortinar entre a veracidade dos factos e a mentira das fake news. Pois quanto maior for a calúnia e insidiosa a intriga, mais se nos aguça a memória em apetência de acreditar!

Eis, porém, qual “Grito do Ipiranga”, que esta edição da Egoísta se dedica a cultivar uma outra visão de um mundo que, ao longo das duas últimas décadas, também nos trouxe boas notícias. E porque nos chamamos “Egoísta”, façamos jus à presunção desse subjectivismo, para celebrar, como boa notícia, os vinte anos de publicação de uma Revista que abriu, no panorama editorial português, um farol de luminosa exaltação literária, artística e cultural.

Lançada há 20 anos, a Revista “Egoísta” foi já galardoada com 90 prémios nacionais e internacionais na área do jornalismo, design, edição, criatividade e publicidade, o que a torna na publicação mais premiada a nível europeu.

Em mais uma edição de colecionador, a “Egoísta – 20”, como as restantes, é para guardar. Os leitores da revista “Egoísta” podem encontrá-la à venda no Clube IN do Casino Estoril e do Casino Lisboa. A “Egoísta” tem, ainda, uma campanha de assinaturas e está disponível em www.egoista.pt

Texto: Estoril-Sol

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