O Infocul marcou presença na apresentação do Artes À Rua, um não festival como referiu o vereador da câmara de Évora, Eduardo Luciano. A apresentação do certame que decorrerá em Évora de 13 de Julho a 5 de Setembro, aconteceu na Casa do Alentejo, em Lisboa.

 

Eduardo Luciano começou por explicar que “os maiores desafios de toda esta programação é com uma equipa de 4 pessoas montar um festival que dura 2 meses com espectáculos diários e em alguns dias mais que um por dia, com artistas de 14 países, com coisas que vão desde a música às artes plásticas, à performance, à fotografia e montar isto tudo é de facto o grande desafio. Outro grande desafio é olhar para isto com uma lógica de programação por ciclos e não com uma programação avulsa, esse foi outro grande desafio que conseguimos, vamos ver como é que corre, o Artes á tua tem estado a crescer todos os anos, este ano é o ano que queremos dar um salto no sentido da internacionalização e da diversificação, vamos ver como é que corre, estamos muito confiantes”.

Sobre o custo deste certame explicou que “temos um orçamento que foi aprovado na câmara municipal, que tem duas componentes, uma componente para a programação da câmara para o artes á rua e outra componente para aquilo que nós chamamos de Novas Criações, a soma destas duas verbas dá qualquer coisa como 500 mil euros”.

Para quem nunca foi ao certame, afirma que “é uma oportunidade única que verem coisas que não vem em todas as salas de espectáculos e depois têm oportunidade de se apropriarem de um espaço absolutamente magnifico que é o espaço publico da cidade de Évora e depois no mesmo dia podem ter uma opera propositadamente escrita para a cidade e terem 3 rappers a cantar noutro sitio da cidade e tudo isto se cruza. Não há palcos definidos, nós temos um ciclo no festival que foi um ciclo que teve uma projecção enorme no ano anterior, que é o festival de música antiga, que é um ciclo de nichos muito apertados porque estamos a falar de música medieval foi o que teve o maior sucesso de divulgação mediática e é isso que nós queremos, a cultura é isto, é enquanto eu bato o pé a ouvir o hip-hop a seguir posso ouvir o executante de um instrumento medieval de música antiga”.

 

No final de Junho decorreu a Feira de São João na qual o cartaz musical contou com vários nomes sonantes e mainstream.

Sobre este equilíbrio entre o entretenimento e a cultura, o mediático e o não mediático, refere que “estamos a falar de eventos com características completamente diferentes. Este ano tivemos o cuidado de no palco da feira de São João ter de facto coisas mais populares e que atraem mais pessoas e portanto, o equilibro da cultura da cidade de Évora faz-se entre a programação do Teatro Garcia Resende, que é uma programação anual diversificada, desafios difíceis e outros menos difíceis, a Feira de são João que é um acontecimento de cariz popular que tem de ter um palco diferente, e o Artes à rua que é uma mistura disto tudo isto. Misturar Chico César com ópera ou misturar Madeleine Peyroux com coisas bem mais complicadas de ouvir, é por ai o caminho, não há outro”.

 

Em 2019, Évora acolhe mais de 300 participantes, oriundos de mais de 12 países, entre atores, artistas visuais (da escultura, da fotografia, da pintura ou da performance), cantores, bailarinos, músicos e muitos outros, que protagonizam os quase 100 espetáculos e intervenções artísticas do Artes à Rua.

 

Promovido pela Câmara Municipal de Évora, o festival é concebido em parceria com artistas, criadores, agentes, programadores e públicos. Refletindo uma narrativa de tolerância, de paz e de interculturalidade, decorrente da leitura que a autarquia faz das artes: como forma de emancipar os cidadãos e de potenciar a criatividade e todas as expressões do pensamento, consequentemente, como forma de transformar a sociedade.

 

Durante o “Artes à Rua”, Évora converte-se num único e grande palco ao ar livre, oferecendo a residentes e visitantes da cidade uma programação cultural que reúne nomes sonantes das artes, portugueses e estrangeiros, assim como novas criações, de artistas consagrados e de artistas eborenses emergentes.

 

A cantora e compositora irlandesa Sharon Shannon; a sua congénere norte-americana Madeleine Peyroux, a artista francófona originária do Haiti, Moonlight Benjamin; o icónico Chico César, do Brasil; a dupla Martirio e Chano Dominguez, de Espanha; ou o português Manel Cruz, são apenas alguns dos nomes que este ano atuam no festival.

 

As novas criações são uma das suas prioridades. No “Artes à Rua” vão estrear-se trabalhos de: Omiri, com “Alentejo Volume 1 Évora”; das Mulheres de Palavra, projeto criado de raiz, e propositadamente, que junta as cantoras Uxia, Mynda Guevara, Mara e Emmy Curl ao grupo eborense Vozes do Imaginário; da produção Mar-Planície que, mediante textos do escritor José Luís Peixoto, agrega os artistas Carlos Martins, o Grupo de Cantares de Évora, João Paulo Esteves da Silva, Mário Delgado, Carlos Barreto, Alexandre Frazão, Manuel Linhares, Joana Guerra e José Manuel Rodrigues; e a Ópera Geraldo e Samira, com música de Amílcar Vasques Dias, encenada por F. Pedro Oliveira, com a participação de Nélia Pinheiro, da Companhia de Dança Contemporânea de Évora, e de grandes vozes líricas nacionais e internacionais, como Marco Alves dos Santos ou Natasa Sibalic, de uma orquestra, do Coro Eborae Musica e de outros instrumentistas, bailarinos e cantores.

 

Adicionalmente, à semelhança dos dois anos anteriores, e no que se refere a novas criações, mas de artistas locais ou com residência em Évora, também em 2019, o “Artes à Rua” abriu uma chamada para estes criadores. Desta resultaram mais de 40 propostas, protagonizadas por mais de 100 artistas, as quais integram também a programação geral do festival.

 

Este ano, uma das opções de programação contempla o público infantil e familiar. O espetáculo Canções de Roda, com Ana Bacalhau, Jorge Benvinda, Sérgio Godinho e Vitorino, são uma das propostas selecionadas neste sentido, havendo outras ofertas que passam pelo teatro e pela música para estes públicos em especial.

 

A sua programação é assim transversal, vai desde a animação de rua, cinema, circo, dança, escultura, fotografia, literatura, música – nas suas vertentes de clássica, jazz, hip hop, rock, etc. -, teatro, ópera, entre outros domínios artísticos. Todos resultantes em espetáculos, produções e encontros em vários espaços públicos da cidade, ao ar livre, e gratuitos. E nos vários palcos, montados pela cidade.

 

E todo o programa está agrupado por ciclos e/ou outros festivais e por extensões de festivais.

 

No primeiro caso estão o Transiberia Mundi, o Guitarras Ao Alto, o FIME, a Música Portuguesa a Gostar Dela Própria ou O Bairro, este um festival de hip hop. Em extensões de festivais a que o “Artes à Rua” se associa surgem o Ev.Ex, que traz a música e a poesia experimental à cidade; o Festival Cister Música, de Alcobaça; o Lisbon Music Fest ou o Ethno Portugal, da Associação Pé de Xumbo.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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