Évora: Carlos Pinto de Sá destaca “Temos equipamentos que temos que reabilitar”

 

 

Durante a apresentação da programação cultural para 2019, em Évora, o Presidente da Câmara, Carlos Pinto de Sá abordou o ‘espartilho’ que o PAEL coloca à autarquia em termos de verbas. No final da apresentação falou mais especificamente dos constrangimentos a que isso obriga.

Em declarações a’ ODigital, o autarca revelou que “o município estava estrangulado financeiramente, fizemos um trabalho que não é visível imediatamente pelas pessoas, sobretudo porque as pessoas não verem obra e não verem intervenção, e portanto isso é algo que as pessoas querem, acção imediata. O problema é que tínhamos aqueles números que eu salientei aqui, portanto foi necessário resolver isto para que as outras áreas pudessem ter apoio”, até porque “não era possível desenvolvermos Évora sem resolvermos o problema económico e financeiro do município, ele está encaminhado e não está ainda resolvido. Ainda temos encargos e compromissos importantes e estamos a concretizá-los, mas neste momento já temos uma margem importante que nos permite fazer investimento em várias áreas”, como é exemplo “a cultura, e ter também apoios para outras acções que o município necessita e que vão desde a economia até às questões sociais, à juventude, ao desporto. Portanto ainda não é um grande volume de verbas mas são verbas que já começam a ter algum significado sobretudo quando não havia dinheiro nenhum e agora começa a haver algum dinheiro”.

Sobre o PAEL (Programa de Apoio à Economia Local), diz que “é absolutamente tremendo porque nos obriga, por exemplo, a ter impostos, taxas, tarifas no máximo, e portanto não nos permite dar apoios financeiros às associações sem fins lucrativos e precisamos de resolver o problema do PAEL que foi assinado por 20 anos, vamos no quinto ano, para nos vermos livres do PAEL e depois a pouco e pouco, não pode ser tudo de uma vez, começarmos a libertar destas amarras e dar apoios que nesta altura estamos impedidos de dar. Este processo está iniciado e espero que no primeiro semestre deste ano consigamos resolver o problema do PAEL”.

Numa clara abordagem à vertente cultural, falou ainda sobre os equipamentos que o município já dispõe e sobre os que poderão ser reabilitados ou criados de raiz. “Temos equipamentos que temos que reabilitar e utilizar na medida do possível, salientei o Palácio D. Manuel que é absolutamente simbólico enquanto património de Évora e que pode dar contributo, onde vamos ter condições, eventos muito diversificados e onde vamos ter o centro interpretativo da cidade de Évora e vai ser um casa de recepção a quem também visita Évora. A obra já iniciou, já está no terreno, estamos a falar de uma obra difícil, porque é um património de grande valia e onde a intervenção tem de ser muito cuidada. Vamos reabilitar, depois de mais de três décadas, o salão central e transformá-lo numa sala multiusos para poder ser usado por todos aqueles que quiserem fazer as suas iniciativas no centro da cidade, obviamente de acordo com regras, mas será uma sala de gestão do município que a porá à disposição dos artistas, do agentes culturais, mas também de outras actividades que porventura seja possível. Vamos intervencionar o Garcia de Resende para melhorar algumas condições de segurança, de logística, vamos resolver o problema do estacionamento aqui atrás para lhe dar dignidade, estes são alguns dos aspectos. Agora, precisamos de pensar noutros equipamentos, e portanto isso é algo que a cidade tem de assumir no seu todo, porque a câmara por si só não vai ter capacidade para por exemplo construir um grande equipamento e para isso temo todos de encontrar soluções, reivindicar, pormos de comum acordo para atingir esses desideratos mas algo que seja consensual, queremos que isto possa ser reconhecido por todos e não seja bandeira política de uma determinada força política, não é isso que queremos. Queremos que seja reconhecido por todos como algo essencial à cidade”.

Para quem não seja de Évora, “as acessibilidades são boas, em termos globais. Estamos bem servidos por auto-estrada, estradas nacionais, rodoviária, ferroviária…”, contudo ressalva que “estamos preocupados com a questão da ferrovia porque como é sabido o serviço ferroviário baixou significativamente e esse é um problema que já discutimos com os responsáveis das Infra-estruturas de Portugal e da Refer. Não há perspectivas de grande melhoria nos próximos anos, mas é algo com que não nos conformamos. Porque Évora tem de ter um serviço com dignidade para quem se desloca de Lisboa, etc”.

Esclareceu ainda que “estamos a intervir no sentido de melhorar as acessibilidades dentro da cidade. Já começámos a fazer intervenções nos passeios, nas passadeiras e vamos querer fazer alguns corredores quer da cidade para os bairros, quer dentro da própria cidade, para facilitar a vida de quem nos visita e isso está programado nos investimentos para este ano”.

 

 

Texto: Rui Lavrador
Entrevista e fotografia: Hugo Calado

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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