maria dulce caiola

 

 

O fadista Duarte subiu a palco na Praça de Giraldo, em Évora, no ciclo Pois Canté! do Artes à Rua, a decorrer nesta localidade alentejana.

 

 

Artes à Rua é um festival de Artes Públicas que congrega na sua programação: música, teatro, dança, performance, instalação, entre outras actividades. Tem estado a decorrer desde Julho e em vários espaços de Évora.

 

 

Num dia quente, com temperaturas a aproximarem-se dos quarenta graus, Duarte subiu a palco pelas 22:00, perante uma boa moldura humana que ocupava parte significativa desta emblemática praça. Este espaço é uma homenagem a Geraldo Geraldes, também como conhecido como Sem Pavor, e que conquistou esta cidade aos mouros, tendo sido nomeado como alcaide da cidade e fronteiro-mor por D. Afonso Henriques, após este feito. A história diz-nos ainda que todos os caminhos em Évora a ela vão dar, desde a sua construção, que ocorreu entre 1571 e 1573.

 

 

 

Duarte actuou em casa, pois nasceu em Évora e teve a sua infância em Arraiolos. Fez-se acompanhar por Pedro Amendoeira na guitarra portuguesa e por João Filipe na viola de fado. “Vai de Roda”, da sua autoria, foi interpretado sem suporte instrumental e foi o inicio de um “desembrulhar de fados”, como quem vai abrindo presentes, em conjunto com o público que esteve solícito para com o artista ao longo de todo o espectáculo. Na melodia do Fado Meia-Noite e com letra da sua autoria, trouxe Fado Escorpião, antes de mergulhar em “Cinco Quadras ao Gosto Popular” de Fernando Pessoa, no Fado Alfacinha.

 

 

 

Duarte tem uma postura sóbria em palco, com uma voz que sabe utilizar em cada nota e adaptando-a a cada poema, sendo suportada numa linguagem corporal que personifica a intensidade que pretende dar a cada interpretação. Na interacção com o público é também muito equilibrado, evitando sempre o exagero. Tudo servido em doses muito equilibradas.

 

 

 

O final de 2017/inicio de 2018 trará novo disco do fadista eborense. Mas quem se deslocou à Praça de Giraldo, teve oportunidade de ouvir três dos temas que irão constar do alinhamento do novo trabalho discográfico.  “Dizem”, com letra de Duarte e na melodia do Fado Perseguição, aborda as pessoas que falam muito da vida dos outros mas sem saberem quase nada sobre essa outra pessoa.  “Covers” conta também com letra da sua autoria mas na melodia do Fado Pechincha, teve uma explicação curiosa, “gostamos de fado, é uma chatice… Agora querem acrescentar umas coisas ao fado. É como pedirmos um cozido e servirem um cozido com natas… “. “Menina da Estação”, letra e música do fadista,  aborda uma paixão por alguém com quem nunca falámos.

 

 

 

 

Soube puxar pelo público com a inserção de temas do cancioneiro tradicional português/alentejano como “Maria da Rocha”, “Terra da Melancolia”, “Vou-me embora vou partir” nas quais colocou a assistência a cantar consigo no refrão. Do seu anterior disco trouxe um dos mais belos temas, além de outros, em “Quadras dum dia Sozinho” com letra da sua autoria e música feita em parceria entre si e Carlos Manuel Proença.

 

 

 

 

Um espectáculo de Duarte permite uma viagem do Alentejo a uma Casa de Fados, sendo disso exemplo “Saudades trago comigo” de António Calém na melodia do Fado Mouraria, tendo ainda sido prestada homenagem a Amália Rodrigues com a interpretação de “Estranha Forma de Vida”. Estando em Évora era “quase obrigatório” um tema dedicado à cidade, que surgiu com “Évora Doce” no qual voltou a contar com o público.

 

 

 

Duarte conseguiu um espectáculo de boa qualidade, perante um público que o acarinhou bastante. Aguarda-se com expectativa o novo disco que sucederá a “Sem dor nem Piedade”.

 

 

 

Fotografia:  Maria Dulce Caiola

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

Rui Lavrador has 6432 posts and counting. See all posts by Rui Lavrador

Rui Lavrador

2 thoughts on “Évora gostou e aplaudiu o fado de Duarte

  • Avatar

    Bravo. Duarte é um valor seguro e dos mais criativos no Fado, sem imitar ninguém, sem seguir “modismos”, com um grande clareza de intenções, com letras suas e de extraordinária sensibilidade e qualidade, que entende o Fado e a ele se entrega. Tudo nele é de uma enorme honestidade e grande entrega. Bravo Duarte!
    A Praça eborense não será antes Praça DO Giraldo? O Giraldo Geraldes sem pavor?

    Reply
    • Rui Lavrador

      Caro Eduardo,

      Caso visite a Praça de Girado repare no nome inscrito na placa de toponímia.

      Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.