Num dia frio, no qual a chuva marcou presença, Évora teve noite musicalmente quente e ritmada ao compasso de pop rock e em língua camoniana, responsabilidade de Manuel Guerra.

 

 

“Santos da Casa não fazem milagres” ou “Casa de Ferreiro, Espeto de Pau” são alguns dos ditados populares que poderiam agoirar a estreia de Manuel Guerra em Évora, cidade que lhe é querida.

A verdade do que faz superou os nervos que o acompanharam até subir a palco. Perante sala cheia, Manuel Guerra soube prender, interessar e conquistar o público.

 

 

 

Na presença dos seus quatro músicos e da sua filha, Isabel, iniciou o espectáculo com “Brincar com o Fogo”, “Diz o que pensas” e “Tristezas não pagam dívidas”. Após um primeiro “Boa noite“, dirigiu as primeiras palavras ao público para expressar o desejo de que “espero que passem um bom bocado” antes de fazer referência à gélida temperatura, “aqui em cima também está frio,as mãos estão geladas” e dando a receita para combater o frio, “vamos cantar mais umas“. Antes de passar ao tema seguinte alertou que “todos temos um pouco de Rita“, antes de interpretar “Ri-te Rita”, tema após o qual Isabel saiu de palco.

 

 

Manuel Guerra, talvez por ser autor de maioria dos seus temas, consegue naturalmente dar vida às suas canções e “levar a carta a Garcia” e demonstrou isso em “Deixa-me ser eu” e “Somos eu”.

 

 

Um dos momentos mais fortes, emocionalmente, do concerto surgiu com “Nunca mais te perdeste”, uma clara homenagem ao irmão que faleceu. Neste tema surgiram imagens do irmão projectadas em palco, tendo ainda a companhia de Isabel a cantar este tema. O beijo trocado no final do tema demonstrou o quanto emocionante foi relembrar alguém tão próximo e querido de ambos. O público percebeu e promoveu das mais prolongadas ovações da noite.

 

 

Depois de “Começar de Novo”, vez de chamar a palco o convidado especial desta noite, o fadista Carlos Leitão.

Carlos Leitão escreveu “Faltam Poemas” e foi num dueto bem conseguido, acompanhados apenas por piano, que demonstraram uma amizade de anos reflectida num momento de partilha de talento. Momento ainda para Carlos Leitão falar sobre a amizade para com Manuel Guerra, antes de em “Premonição” demonstrar a valia da sua voz grave, impulsionada por um coração que bate ao ritmo de valores quase em desuso mas de extrema necessidade por uma vida que valha a pena.

 

 

 

Depois de um momento mais emotivo, e até intimista, hora de voltar a soltar palmas e bater o pé ao ritmo de “Dá-lhe Asas”, tema que deu nome ao seu primeiro EP, editado em 2014. Manuel Guerra prestou ainda homenagem a João Só, “pessoa muito importante na gravação deste disco“, ‘Sem porquês’, e que não pôde marcar presença neste espectáculo devido a compromissos profissionais, antes da interpretação de “Um só sentido”.

 

 

E qual percurso de “Vais e Vens”, pediu, seguidamente, ajuda do público para fazer de coro em “O Mar”, após o qual regressou Isabel a palco mesmo que o tema se intitular-se “Nada para dizer”, embora a mensagem seja de extrema importância, valorizando os silêncios que em determinados momentos devemos ter.

“Sou o meu país” foi o tema mais reivindicativo da noite e qual houve a curiosidade de ser usado um megafone. Após os habituais agradecimentos foi “A Fugir” (nome do tema) que se despediu do público

 

 

Chinês, Janeca, Nuno Páscoa e Miguel Monteiro foram os músicos que acompanharam Manuel Guerra, que a pedido do público regressaram a palco para mais três temas: “Emergir” (mais uma vez a ser dedicado ao irmão), “A chover” e “Vou voltar”.

 

 

Manuel Guerra, após disco bem conseguido, demonstrou em palco a sua valia, valores e mensagens a precisar de serem ouvidas por quem goste de música. A sonoridade é pop rock mas a qualidade não tem barreiras e a todos pode chegar.

 

Fotografia: VS Management

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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