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Artes à Rua está a chegar ao fim da sua primeira, e bem conseguida, primeira edição. Esta sexta-feira subiu ao palco, localizado na Praça de Giraldo, o espanhol António Portanet que trouxe alguns poemas de Federico Garcia Lorca, num espectáculo intitulado “Eternamente Lorca”

 

 

 

O cantautor espanhol tem ligação a Portugal desde os tempos da conquista da liberdade, entenda-se o 25 de Abril. A sua obra é extensa e de qualidade indiscutível. Tem a capacidade de nos fazer mergulhar num oceano de palavras e melodias despertadores de emoções várias ao mesmo tempo que a nossa alma e a mente conquistam uma liberdade que poucos nos transmitem. Neste espectáculo prestou homenagem a Garcia Lorca, numa homenagem por ocasião do 80º aniversário do assassinato do poeta.

 

 

 

Federico Garcia Lorca é um conceituado poeta e dramaturgo que morreu a 1936, sendo uma das vitimas da Guerra Civil Espanhola. Da sua obra constam a Andaluzia, referências à música e folclore andaluz, à etnia cigana, entre outros, sendo que ao longo do seu percurso artístico passou ainda pelo teatro, pela pintura, mostrando ainda talento como pianista. Um ser humano de qualidades únicas e cuja obra deve inspirar-nos a todos. Desconhece-se, factualmente, os motivos do seu assassinato, embora haja suspeitas de várias ordens, com base nos ideais defendidos por Lorca.

 

 

 

A Praça de Giraldo é, provavelmente, o melhor salão de festas ao ar livre de Évora: quer pela história, quer pela beleza que tem. Os eborenses têm demonstrado uma boa adesão ao Artes à Rua, estivemos no concerto do fadista Duarte e estava cheio, como pode ser visto pelas reacções que têm surgido nas redes sociais. Este certame junta várias artes como a música, o teatro ou a dança.

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O cantautor espanhol abriu o espectáculo com “chiribi”, subindo a palco após uma breve introdução instrumental por parte dos músicos que o acompanharam: David Leão na flauta, Norton Daiello no baixo, Pedro Jóia na guitarra e Vicky Marques na percussão.

 

 

Um grande prazer e uma grande honra” actuar em Évora, começou por revelar num português perfeito, explicando que “vivi muitos anos em Portugal, o que faz com que tenha uma alma dupla”. Todo o espectáculo foi cantado em espanhol.

 

 

 

“Verde que te quiero verde” do famoso Romance Sonámbulo foi a obra que se seguiu, um espectáculo em que António Portanet optou por poemas que constam de “Poeta em Nova Iorque”, país no qual Lorca esteve antes de ir para Cuba.

 

 

 

Os poemas apresentados, e devidamente musicados, carregam em si um grande peso e densidade emocional, contudo de rara e espantosa beleza. Lorca tinha o dom de humanizar a escrita, daí ser tão fácil para o leitor/ouvinte conseguir captar a(s) essência(s) da sua, vasta, obra.

 

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Em “Noche de Quatro Lunas”, Lorca “escreve sobre o amor” começou por dizer Portanet, antes de recordar que “Lorca era homossexual, mas no amor não existem essas barreiras, portanto este é um poema de amor”.

 

 

 

A intensa carga dramática imprimida pela voz de Portanet à obra de Lorca, foi bem suportada pelos seus instrumentistas, com arranjos de rara beleza e harmonia. A plateia da Praça de Giraldo ora silenciava durante as canções, ora aplaudia convictamente no final de cada tema.

 

 

 

“Canción de la muerte pequena”, “Valse n las Ramas”, “La Aurora”, foram alguns dos temas que se seguiram, por entre os quais Portanet falava da importância do escritor assassinado durante a Guerra Civil Espanhola, chegando mesmo a dizer que “Lorca é o escritor  mais traduzido em todo o mundo”, e abordando a eternidade da sua obra.

 

 

 

A passagem de Lorca por Cuba foi recordada em “Son de Negros de Cuba” numa homenagem a Santiago de Cuba, culminando o espectáculo com “Sevillanas Século XVIII”.

 

 

 

Pedro Jóia é um instrumentista de outro mundo, chegam a faltar palavras para caracterizar o seu dedilhar e o sentimento que emprega na arte que pratica, sendo que a flauta de Daniel Leão teve a capacidade de no fazer viajar a sítios recônditos da nossa alma, enquanto Norton Daiello e Vicky Marques conseguiram momentos de grande intensidade e técnica.

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Artes à Rua termina a 27 de Agosto. A programação pode ser consultada aqui. O Infocul agradece à Câmara Municipal de Évora, todas as facilidades concedidas para a realização da nossa reportagem.

 

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Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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