Faça um passeio pelo mundo com o “Archivo Pittoresco” de Lula Pena

Lula Pena

 

Em 1998, Lula Pena editava o seu primeiro álbum, “Phados”. Neste disco apresentou uma mescla de ritmos que passam pelos diversos continentes do mundo para desembocarem na voz de Lula Pena. Seguiram-se os trabalhos “Troubadour”, em 2010, e onde voltou a deslumbrar com voz e guitarra e “Archivo Pittoresco”, editado recentemente. 

 

 

Este álbum tem uma grande presença do folk, blues, fado, flamenco ou bossa nova, a cantora e compositora mistura geografias de sons e línguas que são servidas num conjunto deslumbrante de cordas de onde se sobressai a guitarra acústica de Lula. 

 

 

A partir desta guitarra, que também serve para marcar o ritmo das canções que são apresentadas em  “Archivo Pittoresco”, foram feitas melodias bastante densas, timbres profundos e ritmos vividos. Os temas cantados por Lula Pena têm uma estética bastante particular, não tivesse a cantora se inspirado nos pintores do século XIX que decidiram sair do espaço físico dos ateliês e explorado o que os rodeia.

 

 

O disco traz-nos treze temas cantados em português, castelhano, francês, grego, língua sarda (falada na Sardenha) e inglês. Estas músicas transportam-nos numa viagem pelo mundo de Lula Pena. Quando a cantora actua ao vivo dá o mote para o início desta travessia musical com “Come wander with me”. Esta música marca o início de uma viagem por diversos géneros musicais.

 

 

O novo trabalho de Lula Pena é composto por trovas medievais, como é o caso de “Cantiga de Amigo”, do cantor e compositor brasileiro Elomar; embarcamos até às terras do Chile em “Ausencia”, de Violeta Parra, navegamos na foz do Amazonas em “Breviário”, texto da ensaísta e professora brasileira Jerusa Pires Ferreira; vamos até a São Salvador da Baia com “O Ouro e a Madeira”, de Ederaldo Gentil, já falecido mas que bisa neste álbum com “Rose”, a flor que representa o amor e a paixão.

 

 

Para quem acredite em Deus, este pode ser encontrado sobre as mais diversas formas, até sobre a forma de uma flor. Na música “Deus é Grande” esta entidade é apresentada como um elo de ligação entra as diversas coisas e não uma força que regula as nossas vidas. 

 

 

Diversas vidas e vivências que são cantadas ao longo das treze canções que compõe este disco. Em “Poema / Poème”, texto em francês da autoria da cantora, sentimos um prazer que nos leva quase ao êxtase quando ouvimos a voz quente da intérprete que se apresenta sempre acompanhada da sua guitarra quando se apresenta. 

 

 

“Pesadelo da História”, leva-nos a reflectir sobre a influência da herança africana no mundo da lusofonia e foi a música de apresentação de “Archivo Pittoresco”.

 

 

Em “Ojos, Si Quereis Vivir”,Lula Pena leva-nos numa viagem pelos sentidos. Estes são activados à medida que canta cada uma das palavras desta canção que remonta ao século XVII). Se “Ojos, Si Quereis Vivir” activa-nos os sentidos, a mexicana “Las Penas” fala sobre a submissão total dos sentidos.

 

 

“Pes Mou Mia Lexi”, do compositor grego Manos Hatzidakis. Foi na Grécia que nasceu a democracia e a cultura ocidental, neste tema é relembrado que todos somos gregos, nem que seja de coração.  

 

 

“A Diosa (No Potho Reposare)”, é um tema tradicional sardenho que aborda um amor vivido à distância. Dois amantes separados pelo mar mas unidos por uma paixão que não nos deixa repousar e que nos leva a imaginar como será esta “Deusa”.

 

 

Em “Archivo Pittoresco”, o terceiro álbum de longa duração da cantora, Lula Pena é a luz e a verdade na voz que guia os ouvintes numa viagem à volta de um mundo de sons. Este disco já se encontra nas lojas.

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