Fado Nação, Carlos Leitão e Raquel Tavares em grande no fecho da quarta edição do Caixa Alfama

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No segundo e último dia de Caixa Alfama, o bairro lisboeta voltou a encher-se de amantes da canção nacional. Acompanhámos os espectáculos de Fado Nação, Carlos Leitão e Raquel Tavares.

 

 

Fado Nação é a expressão da alma e do sentimento de um Povo, de uma nação, de Portugal. Fado Nação é uma visita às raízes do fado tradicional, onde se cantam as mais belas influências do folclore, marchas e canções nacionais”. Estas são algumas das características deste projecto, protagonizado pelos fadistas consagrados, Maria da Nazaré e António Passão, que o actor Vítor de Sousa nos apresentou, em voz off , no início do espectáculo.

 

 

Maria da Nazaré e António Passão subiram ao palco às 21:10 no Restaurante do Museu do Fado.

 

 

“É Daqui da Minha Terra” e ” Portugal Meu Amor” foram os dois primeiros fados interpretados por Maria da Nazaré, mais dois solos, “Vim para o Fado e Fiquei” e ” Para se Cantar Bem o Fado”,  foram interpretados por António Passão, que substituiu Maria da Nazaré em palco. De seguida ambos deram as boas vindas ao público, que praticamente esgotava o espaço.

 

 

Deram-nos a conhecer os músicos que os acompanharam numa noite especial, palavras dos próprios, Múcio Sá na guitarra portuguesa, Carlos Fonseca na viola de fado e Luís N’ Gambi no baixo.

 

 

António Passão ofereceu-nos o primeiro bloco de músicas, ” Recordei”, “A Mulher, “Um Cigarro e uma Canção”, tema interpretado de uma forma muito expressiva e com espaço para um pequeno instrumental, ” O Fadista e uma Guitarra” e ” Eu sou Saudade”. Este último tema foi precedido por um poema sobre a saudade, declamado por António Passão, poema que já tinha sido declamado por António Vilar da Costa.

 

 

Durante o espectáculo António Passão não se cansava de pedir desculpa ao público pelo debilitado estado de saúde, agradecendo a sua compreensão. Um estado gripal agudo impedia-o de contribuir a 100% para um espectáculo que tinha de ser um sucesso.

 

 

“Ser Fadista” foi interpretado pelo dueto, durante o qual os dois fadistas não se inibiram de gestos de elogio mútuo.

 

 

Seguiu-se mais um bloco de fados interpretados por Maria da Nazaré. A fadista, que alguns apelidam de Senhora Fado , mostrou que tudo nela é Fado, interpretou com alma, com todo o seu ser fadista ” Rosa Caída” no fado menor, ” Quem me Dera ser o Fado” no versículo, ” “Libertação” (fado meia-noite) e ” Fado de Outrora” no Fado Pechincha.

 

 

Os fadistas consagrados deste palco decidiram fazer uma homenagem aos grandes nomes do Fado de sempre, tais como Tristão da Silva, Amália Rodrigues, Fernanda Maria, Carlos Ramos, Beatriz da Conceição entre outros. Interpretações intercaladas entre os dois fadistas com apresentação mútua em relação ao homenageado e ao tema interpretado.

 

 

O espectáculo foi ainda composto por mais dois conjuntos de quatro temas a solo para cada intérprete, e mais um dueto, “Só nós Dois”. Para terminar o espectáculo sucederam-se canções, marchas e folclore. Esperemos mais notícias de Fado Nação.

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Carlos Leitão dispôs de um cenário idílico para fazer o seu espectáculo – o Adro da Igreja de Santo Estêvão. A nível geográfico, com uma vista privilegiada sobre Lisboa, a nível histórico, a relação com o espaço do grande fadista Fernando Maurício, na interpretação de “Igreja de Santo Estêvão”.

 

 

Uma noite fresca em Lisboa, que não impediu o público de se deslocar, para ouvir aquele que Custódio Castelo considera uma das melhores vozes da actualidade.

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Carlos Duarte Leitão foi acompanhado na guitarra portuguesa pelo seu irmão Henrique Leitão, na viola de fado por Luís Pontes e no baixo por Carlos Menezes, a sua ” dream team” como o próprio afirma.

 

 

“Talvez porque Lisboa me esqueceu” é o primeiro tema do seu último trabalho “Quarto”, e foi tema introdutório deste espectáculo. “Não te menti” com letra de Moita Girão e música de Miguel Ramos era um tema já interpretado por Fernando Maurício. Uma interpretação plena de alma que o público aplaude com gosto.

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Carlos Leitão dá as boas vindas e agradece a presença do público que tanto se encontrava à sua frente como na sua rectaguarda. Para continuar a sua homenagem a Fernando Maurício, o fadista interpreta “Igreja de Santo Estêvão no Marceneiro. O silêncio instalou-se e no fim os aplausos não cessavam.

 

 

Carlos Duarte Leitão cantou vários poemas de uma beleza que nos fazem parar e querer fazer rewind, e “Um Instante de Deus” é um deles, sendo também um dos temas do seu último trabalho.

 

 

A cumplicidade entre todos os músicos era evidente, mas é de destacar a forma como Henrique Leitão se entregou à sua guitarra portuguesa. “Premonição” é um tema do seu próximo trabalho a sair brevemente. Aqui, o fadista também autor e compositor sentou-se e acompanhou este tema com a guitarra clássica. “Noite de sexta-feira” é também um dos temas do seu próximo trabalho.

 

 

E chega um momento alto da noite ” Fado Loucura”, numa interpretação admirável, e na noite de ontem dedicado à mãe, presente no público. Carlos Leitão cantou no fado das horas , em que deu espaço para que cada músico solasse e fosse, por si, apresentado. Em ” encore” Carlos Leitão cantou “Parti” no menor. A ovação foi enorme.

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Não e fadista quem quer, mas sim quem nasceu fadista. Carlos Leitão nasceu fadista com um leque de tradicionais que deixou o público de alma lavada.

 

 

Raquel Tavares encerra o Caixa Alfama 2016 de uma forma brilhante. Descontraída, sorridente e sempre com luz no olhar durante as interpretações magistrais. “Alfama” é o tema com que a fadista dá inicio ao espectáculo. Ouvimos a primeira parte em off e de seguida Raquel entra em palco e termina o poema a cantar.

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“Eu já não sei” e “Sombras da Madrugada”, letra de António José e música de Ferrer Trindade, foram temas escolhidos para o início do espectáculo. O público interagiu com Raquel, a qual foi muito ovacionada.

 

 

Raquel continua a encantar, interpretando dois temas do seu novo trabalho,” Gostar de quem gosta de nós” de Tiago Bettencourt e, com letra de Pedro Abreu Lima, seguindo-se “Não me esperes de volta”, com música de António Zambujo. Como a própria fadista afirmou, trata-se de um tema que facilmente denuncia Zambujo como o seu autor.

 

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“Limão, verde Limão” é um tema que sugere muita interacção com o público, que corresponde a todas as solicitações da fadista.

 

 

Para homenagear Beatriz da Conceição, Raquel coloca xaile e canta”Deste-me um beijo e vivi” na música de Alfredo Marceneiro. Entre os vários elogios que teceu Beatriz da Conceição, afirmou que enquanto fosse viva, a sua Bia não seria esquecida. Ao público foi mostrado um vídeo com o conteúdo de uma conversa entre as duas. Durante esta visualização Raquel manteve-se no centro do palco, de pé e de cabeça baixa, numa atitude de profundo respeito. “Meu Corpo” foi mais um mote de homenagem a Bia. Emocionada, retira-se do palco e tem lugar uma guitarrada.

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Raquel regressa já sem xaile e interpreta “Regras da Sensatez” de Rui Veloso e Carlos Tê. Durante o espectáculo Raquel recebeu muitas flores, gestos que muito a sensibilizaram.

 

 

Neste momento Raquel agradece aos fadistas presentes e decide alterar o alinhamento para interpretar ” Senhora do Livramento” , poema de José Luís Gordo na marcha do Marceneiro , em homenagem a Maria da Fé, que muito preza e se encontrava no público.

 

 

Chegou a hora de falar sobre Alfama. A fadista esclarece que não nasceu em Alfama, mas sim no Alto de Pina, mas o seu coração esta em Alfama onde cantou toda a vida, e menciona ” nós moramos onde mora o nosso coração. Homenageia agora os “alfamenses” e as mulheres do seu bairro, dando como exemplo António dos Santos, o baladeiro de Alfama, que cantava e tocava sempre em balada.

 

 

O público teve oportunidade de ouvir um fado cantado quando Raquel tinha 11 anos e a fadista termina-o a cantar em palco. “Meu Amor de longe” com música e letra de Jorge Cruz é interpretado por Raquel com muita alegria e com total cumplicidade do público. Raquel está feliz!

 

 

Com “Rapaz da Camisola Verde” Raquel apresenta os músicos com quem sempre interagiu durante todo o espectáculo. Para terminar Raquel repete” Meu Amor de Longe”. Tínhamos acabado de assistir a um espectáculo de uma grandeza inquestionável.

 

 

Uma Raquel que consegue cantar e interpretar tudo o que lhe derem de uma forma superior, como aconteceu na noite passada, mas que nunca deixará de ser fadista. A Sra Dona Raquel Tavares!

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