Fafá de Belém: Comemora 30 anos de carreira em Portugal com nova digressão e recorda-nos como começou o amor a Portugal e a paixão pelo Benfica

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A mais portuguesa das cantoras brasileiras está de regresso a Portugal. Fafá de Belém regressa para uma digressão Piano & Voz em que será acompanhada por João Rebouças. Em entrevista ao Infocul.pt falou sobre a digressão, o regresso a Portugal, a paixão pelo nosso país, o caos politico no Brasil e claro sobre o Sport Lisboa e Benfica, pelo qual nunca escondeu a sua paixão.

 

Numa manhã primaveril e solarenga, em conversa com o Infocul, a cantora brasileira começou por nos dizer que “o meu coração é verde no meio, de um lado amarelo e do outro vermelho” para explicar o seu amor pelo Brasil e por Portugal, país a que regressa para comemorar os seus 30 anos de carreira no país de Camões.

 

 

A digressão Piano & Voz comemora os 30 anos de carreira em Portugal, comemoração que iniciou no “Casino Estoril, na passagem de ano, foi a minha primeira casa aqui e o primeiro palco onde cantei, há 30 anos no Carnaval”.

 

 

Fafá de Belém está de regresso a Portugal após alguns anos de ausência, pois “eu estava sem agente, e tive muito tempo no Brasil, mas este ano preparámos o regresso, através da UAU, uma empresa óptima, as meninas são muito queridas e o Paulo [Dias] gente finíssima” para uma digressão que irá percorrer “teatros e auditórios, mas também faremos o espectáculo ‘grande’ em outros locais”.

 

 

A cantora brasileira conhecida pelos sucessos “Vermelho”, “Abandonada”, entre outros, revela que “tinha muita vontade de fazer este espectáculo pois tem um repertório aberto. O João Rebouças toca comigo há muito tempo, só toca comigo e Chico Buarque, tem bom gosto (risos). Nesse repertório tem músicas minhas, outras que não costumo cantar habitualmente, tem Rui Veloso, Deolinda, Paulo Gonzo e fado. Então eu conto a minha história musical com musicas emblemáticas da minha vida” acrescentando que “não está nada previsto, mas gostaria de os ter a todos no show” quando questionámos se haveria a possibilidade de ter Rui Veloso, Paulo Gonzo ou Deolinda nos seus concertos.

 

 

O fado estará também presente no show com “Nem às paredes confesso”, “Só a noitinha” ou “Não queiras saber de mim”. A artista recorda que “tenho um disco de fado e então vou buscar, “Nem às paredes confesso”, “Só à noitinha”…O que é maravilhoso no piano & voz é que temos um repertório fechado mas eventualmente alguém pede uma musica e nós tocamos, então vira quase um sarau, uma coisa intima. Os Deolinda, eu ouvi no carro e adorei e corremos atrás da música… “ relembra antes de acrescentar que “isto dá uma flexibilidade de repertório no Piano & Voz”.

 

 

Depois de 30 anos a cantora explica o amor entre si e o público português recorrendo-se às suas raízes pois “eu cheguei aqui com memória da minha casa, sou neta de portugueses, eu reencontrei o cheiro da minha infância na comida, no perfume…A minha avó era uma figura interessantíssima e cozinhava muito bem, o meu pai só não nasceu aqui porque ele era português de alma” acrescentando que “a cada dia eu estou mais ligada a Portugal, tenho grandes amigos aqui e venho muito cá, tirar férias, descansar, costumo dizer que Portugal é o meu ninho de afecto. Quando venho para cá é como se reencontra-se com a minha alma”.

 

 

Em Portugal ganhou uma das suas outras paixões, o Benfica, uma paixão irracional afirma, acrescentando que “surge antes do “Vermelho”, fazendo referência a um dos seus hits. Recorda que “a primeira vez que vim a Portugal com José Nunes Martins fui assistir a um Sporting- Benfica, e o meu coração bateu vermelho ali, muito tempo antes do tema “Vermelho”. Nessa altura eu tinha perdido o meu pai recentemente, vim a Portugal para uma digressão e vinha muito abalada, profundamente abalada, o motorista desviou caminho e passou pelo Estádio da Luz e todos cantavam o “Vermelho”, nesse dia Portugal me enrolou numa bandeira e me carregou de colo em colo. Foi emocionante porque eu não sabia do sucesso, o disco tinha quase um ano, estoirou “Abandonada” mais três ou quatro canções mas o “Vermelho” ainda não tinha tocado, foi uma grata surpresa, agarro-me sempre a essa bandeira e colo e levo comigo no coração”.

 

 

Relembrou ainda mais duas histórias curiosas: a primeira numa das vezes em que visitou o Estádio da Luz, sendo alvo por parte das claques encarnadas com o cântico de “Vermelho” e o aceno de cachecóis, “e eu acenei o meu” disse dando uma risada, e a segunda “depois de o “Vermelho” ter explodido aqui, eu cheguei num hotel e as minhas malas eram verdes, e fui directa para a televisão. O meu produtor olhou para as malas e disse que eram da Fafá”, obtendo como resposta no hotel “verdes? não são dela” recorda não evitando sonoras gargalhadas.

 

 

Mas nem só de alegria Fafá falou com o Infocul. Questionámos a artista sobre o caos politico que o Brasil atravessa e de que modo afecta a indústria musical. “O Brasil já vem de uma crise no ano passado, foi um ano complicado, este ano mais delicado ainda. Acredito que neste momento vivemos uma ingovernabilidade por uma série de factores e com isso a estabilidade do país perde-se. As coisas não avançam, os investimentos caíram, há 10 milhões de desempregados, acho que se perdeu a mão e ao mesmo tempo o Congresso não anda. Estamos num estado de paralisia, reflectindo-se em todas as áreas. Eu não me posso queixar pois tenho um cachet equilibrado há 40 anos, mas artistas que explodiram recentemente e que tinham cachets altíssimos, baixaram violentamente ou deixaram mesmo de trabalhar” acrescentando que o “clima está pesado”. “O Brasil nunca foi isso, somos o país que abraça, um país solidário, um país em que todos recebem e são bem recebidos” lamenta.

 

 

No Brasil onde alguns artistas portugueses têm tido aclamado sucesso como Carminho ou António Zambujo. Para Fafá de Belém “Carminho hoje em dia está ‘estoirada’ e Zambujo também” acrescentando que “vejo muito bem e já estava na hora” referindo-se ao acolhimento do povo brasileiro à música portuguesa.

 

 

Eu venho abraçar o povo que me abraça há 30 anos” diz acrescentando sentir-se “grata” pelo carinho do povo português. Em breve serão anunciadas as datas da digressão.

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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