Falso Impacto: “Portugal não estava preparado para um atentado que vitimou o Primeiro Ministro”, diz autor do livro, sobre a morte de Sá Carneiro

‘Falso Impacto’ é o livro policial da autoria de Ricardo Bragança Silveira, editado pela Emporium.

Ricardo mora actualmente no Forte da Casa, concelho de Vila Franca de Xira, e foi a partir desta localidade que concedeu entrevista ao Infocul.pt sobre um livro que tem como ponto de partida a morte do ex Primeiro-Ministro de Portugal, Francisco Sá Carneiro.

Há 4 datas que estruturam este livro policial, que relaciona realidade e ficação. A primeira (4 de Dezembro de 1980) é a do despiste do avião (modelo Cessna) que transportava, e acabou por vitimar, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro da Defesa e seus .acompanhantes a bordo. Segue-se 4 de Dezembro de 2000, data em que um jornalista morre em circunstâncias muito

misteriosas na Ponte 25 de Abril. Por último, uma explosão nas instalações da OTAN em Oeiras

provoca vários mortos, 4 de Dezzembro de 2019.

Jorge Ferreira, um Inspector da Polícia Judiciária é levado a um mundo de intrigas e mistério para descobrir quem esteve por detrás do ataque. A investigação leva-o a momentos que julgava ultrapassados. Conseguirá evitar um próximo ataque? Conseguirá, com a ajuda do seu amigo de sempre descobrir o que se passou?“, refere a sinopse. Um livro que aconselho leitura, e que o deixará a questionar-se

 

Seguidamente, apresentamos a entrevista realizada a Ricardo Bragança Silveira.

 

Quando começou a pensar neste ‘Falso Impacto’ e qual o objectivo deste livro?

Este livro começou a ganhar forma na minha cabeça quando me comecei a interessar mais pela leitura de policiais, sendo que o objectivo deste livro é contar uma história às pessoas ao mesmo tempo de fazê-las pensar em vários temas.

Qual a abordagem que este livro faz ao acidente que vitimou Sá Carneiro?

A abordagem é o ponto de partida para uma história de perseguição, intriga e crime. Este livro não pretende ser nenhuma tese sobre a queda do avião, apenas fazer despertar consciências.

Quem são estes jornalistas que refere no livro?

Vamos ver, os personagens do livro são ficcionais. Há um jornalista que vem referido no prólogo e na sinopse, que é retirado de uma história que se conta e que permitiu aumentar a intriga no livro, os outros jornalistas são meramente ficcionais.

Quanto tempo levou toda esta pesquisa que aqui apresenta?

Não sei precisar, com certeza absoluta, o tempo que demorou a pesquisa. Muita dela foi feita ao mesmo tempo que escrevia o livro. O livro demorou cerca de 4 anos a ser escrito e está escrito há cerca de 10 anos. Claro que agora, para a edição, tive de rever algumas partes da história. Agora, a pesquisa feita teve a ver com os acontecimentos de 4 de Dezembro de 1980 e com a construção dos personagens, para a qual contei com a ajuda, na altura, do Inspector Sobreiro da Polícia Judiciária, que me recebeu, ainda nas antigas instalações e que me ajudou nessa construção de personagens. Importa referir que, qualquer incongruência com o trabalho da Polícia é da minha inteira responsabilidade. Mas volto a referir que o livro é uma obra de ficção, não uma tese sobre o acidente de Camarate.

Na sua opinião, enquanto cidadão, o que aconteceu naquele fatídico dia e quem o ou os responsáveis?

Na minha opinião, naquele fatídico dia, morreu o Primeiro-Ministro, Ministro da Defesa de Portugal e respectivos acompanhantes. Não por acidente, mas porque alguém quis que isso acontecesse. Penso que os verdadeiros responsáveis nunca serão descobertos senão daqui a duas gerações, quando se puder falar sobre o tema sem medos. Talvez um dia se saiba quem foram os verdadeiros responsáveis pela morte de Sá Carneiro.

Há também um parte ficcional. Onde termina a realidade e entra a ficção e como foi o desafio de as juntar?

O livro é principalmente uma obra ficcional. A beleza de um policial é mesmo essa, a desafiante capacidade de juntar a ficção com a realidade, mas acaba por ser crucial a experiência como leitor no desafio de levar as linhas do livro a bom-porto.

Com quem contou na escritura deste livro? Alguém que mereça um agradecimento destacado?

Conforme já referi acima, tive a ajuda do Inspector Sobreiro da Polícia Judiciária, da área de Relações Públicas que foi de uma simpatia e generosidade enorme quando esteve comigo durante um dia há cerca de 15 anos, quando iniciei a pesquisa para este livro. Mas também contei com a ajuda da minha mulher, a Carla, que me deu alento e ajudou ao longo da construção do livro, e da minha irmã, Patrícia, que me ajudou com a correcção do livro.

Acha que houve justiça no tratamento jornalístico e judicial dado ao acidente que vitimou Sá Carneiro?

Eu acho que o problema no tratamento dado a este acidente foi político. Embora a Assembleia da República tenha chegado à conclusão do atentado na década de 90. Contudo os tribunais sempre seguiram a linha da tese de acidente. O que me parece foi que se deveria ter investigado todo e qualquer indício de atentado para se chegar a uma conclusão mais precisa. Quanto ao tratamento jornalístico, tentaram sempre explorar todas as teses (principalmente a do atentado). A verdade é que, na minha opinião, Portugal não estava preparado para um atentado que vitimou o Primeiro Ministro, Ministro da Defesa e acompanhantes, pelo que o mais fácil foi seguir-se a tese do acidente.

Qual a maior marca que Sá Carneiro deixou em termos políticos e de valores em Portugal e na sociedade portuguesa?

Importa referir que Francisco Sá Carneiro foi um dos grandes estadistas do nosso país. Arrisco mesmo em dizer que foi, com Mário Soares, Álvaro Cunhal e Diogo Freitas do Amaral, um dos fundadores da democracia portuguesa, numa época em que se fazia mais política por paixão do que hoje em dia. Claro que o que sei é do que me é transmitido pelos meus pais e pela História do nosso país, uma vez que Sá Carneiro morreu antes de eu nascer. Mas pode-se dizer que, numa época de muitos tumultos e incertezas. Infelizmente partiu muito cedo porque penso que teria dado um muito maior contributo à democracia portuguesa.

Dado o actual estado de emergência, como poderão as pessoas ter acesso a este livro?

Vivemos tempos muito difíceis e ainda nos estamos a adaptar. Neste momento andamos e ver em conjunto, eu e a editora, a melhor forma de colocar, desde já, o livro na rua. Possivelmente em breve estará à venda no site da Emporium Editora, e talvez através da minha página de Facebook, sendo que apenas será possível o envio por correio (neste momento). De qualquer forma irei partilhar novidades nas minhas páginas de Facebook e Instagram.

E interagir consigo? Será melhor pelas redes sociais ou via e-mail? Onde o poderão encontrar?

Podem interagir comigo através da minha página de Facebook (Ricardo Bragança Silveira – Escritor) ou através do Instagram (ricardo.b.silveira_escritor). Podem, também, contactar-me para o meu e-mail ricardo.b.silveira_escritor@hotmail.com .

D.R.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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