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A Praça de Touros Daniel do Nascimento, na Moita, recebeu ontem, 10 de Setembro, a primeira corrida da sua feira anual, de Setembro.

Em praça o cavaleiro João Ribeiro Telles, os Forcados Amadores da Moita e os matadores António Ferrera e Ginés Marin, frente a touros da ganadaria David Ribeiro Telles.

Os touros, que definem maioritariamente os triunfos, foram todos pertença da ganadaria David Ribeiro Telles, sendo que os dois primeiros (lidados por Telles e Ferrera) pecavam por falta de apresentação e ‘trapio’ (para a importância da Moita).

Os seguintes melhor apresentados e ligeiramente mais harmoniosos de cara e de ‘astes’ . Em termos de bravura destacaram-se os três últimos, pela positiva.

João Ribeiro teve duas distintas lides. Na primeira destaca-se o primeiro curto, com ligeira batida ao ‘piton’ contrário e resultando emotivo.

No terceiro curto e dada a velocidade de execução o touro ficou quase paralelo ao cavalo, resultando numa reunião pouco ortodoxa. Contudo, uma lide positiva mas sem triunfo de Telles.

Melhorou frente ao segundo touro do seu lote. A lide teve alguns percalços como um escorregamento do cavalo, devido ao piso irregular, que não resultou em nada de maior mas apenas susto, e depois um forte toque na montada. Contudo, tudo se elevou nos dois últimos ferros curtos.

Citando de largo, forte batida ao ‘piton’ contrário e reuniões emotivas, com claro destaque positivo para o último ferro da actuação. Público no bolso e duas voltas à arena (a segunda não a deveria ter dado).

Pelos Amadores da Moita pegaram David Solo (1ª tentativa) e Fábio Silva (2ª tentativa) com uma grande primeira ajuda de Lúcio Rodrigues.

Um dos grandes destaques desta corrida era, e foi, a vertente de toureio a pé, com duas destacadas figuras do ‘escalafon’ espanhol: Ferrera e Marin.

Ferrera esteve a gosto e com vontade nos dois touros. No primeiro, com pouca cara e sem apresentação nem ‘trapio’, há a destacar uma bonita série de naturais, bons ‘derechazos’ e o insistente pedido de música…por parte do toureiro. Foi assobiado por não bandarilhar, contudo, e justiça lhe seja feita, foi um ‘tércio’ que sendo imagem de marca durante muitos anos, deixou de o executar há já algum tempo. Os seus bandarilheiros estiveram desastrosos frente ao primeiro touro, do seu lote.

Frente ao quinto touro da corrida, o segundo do seu lote, recebeu o oponente de joelhos em terra e com duas largas ‘afaroladas’, no tércio de bandarilhas delegou novamente função nos bandarilheiros e na muleta fez o público da Moita explodir em aplausos.

‘Faena’ prolongada, por ambos os lados, com prolongadas séries cadenciadas e com profundidade. Voltou a pedir música, foi-lhe concedida e ainda teve tempo para aplaudir a banda. Deu par tudo. Três voltas à arena, justas por base de comparação com as duas de Telles, e porta grande. Como em 2006. Moita é praça importante para Ferrera, pelo seu passado, e Ferrera é querido pelas gentes da Moita. Noite bonita!

Ginés Marin passou discreto neste noite. É um toureiro com pouca comunicação com o público. Não é efusivo, é ‘iow-profile’ e aposta sobretudo num toureio técnico, nem sempre compreendido por público menos atento ou astuto.

No primeiro touro, foi breve no capote, delegou bandarilhas aos seus bandarilheiros e na muleta esteve discreto e curto, embora sobrepondo-se ao touro.

No segundo, e após triunfo forte de Ferrera, esteve mais disposto e a gosto. Cadenciado no capote e artista com a muleta, por ambos os ‘pitons’, mas sem nunca ter sonoro triunfo. Na primeira ‘faena’ não teve música, na segunda foi premiado com música e duas voltas à arena.

Registou-se meia casa de lotação preenchida, provavelmente aquém do que a organização desejaria.

Corrida dirigida por Fábio Costa.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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