Feira de Outubro: Entrevista a Vasco Pereira, cabo do Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira

Começa amanhã, 3 de Outubro, a Feira de Outubro, na Praça de Touros Palha Blanco em Vila Franca de Xira.

Serão 5 espectáculos em 4 dias, sendo três corridas de touros e duas novilhadas populares.

O Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira são das maiores e mais distintas bandeiras culturais de Vila Franca de Xira e marcam presença nestes espectáculos ao integrarem os cartéis das novilhadas (a 3 e 5 de Outubro) e pegando em solitário a corrida de touros nocturna, a 6 de Outubro.

O Infocul entrevistou Vasco Pereira, cabo do grupo, sobre a importância desta feira, a temporada do grupo e as condicionantes que a pandemia provocada pela COVID-19 veio trazer.

 

Vasco, este ano a Feira de outubro num formato diferente é quase uma prova de resistência das gentes de Vila Franca. Durante o período de confinamento chegou a pensar que este ano poderia não haver feira, da mesma forma que não houve Colete Encarnado?

Numa fase mais inicial do período de confinamento ainda acreditava que a corrida de maio se desse, com o passar do tempo e, o desenrolar da pandemia, sim cheguei a pensar que este ano não haveria, efetivamente, nada. Felizmente não acertei e o setor reiniciou a atividade da melhor maneira.

 

Os mais jovens do grupo irão pegar nas novilhadas de dia 3 e 5. Como sente os mais novos perante a responsabilidade de pegar na mítica Palha Blanco?

Neste momento o Grupo de Juvenis está a passar por uma fase muito boa, em três aspetos que destaco: são muitos elementos, muito amigos e têm muita ilusão de se afirmarem no seio do Grupo. Certamente que vão estar à altura.

 

A grande prova de fogo, se assim podemos dizer, será na tradicional noturna de terça-feira. Pegar seis touros em solitário é sempre uma responsabilidade acrescida. Mais ainda na Palha Blanco, onde provavelmente mora a afición mais exigente. Qual a melhor recordação que tem de uma corrida de terça-feira na Feira de outubro em Vila Franca?

Escolher a melhor nunca é fácil, na medida em que todas as que estamos fardados são muitos especiais, cada uma pela sua razão. Destaco a Terça-feira noturna da mudança de Cabo em 2018, essa sem dúvida será sempre especial para mim.

 

O grupo que lidera é uma das mais importantes bandeiras da cultura Vilafranquense. É transmitida essa responsabilidade a quem entra no grupo?

A responsabilidade de ser uma das mais importantes bandeiras da cultura Vilafranquense é assimilada por cada elemento à medida que o tempo passa e que vão presenciando eventos da cidade, relacionados com a tauromaquia em que o Grupo tem sempre um grande destaque.

 

Aproveitando a pergunta anterior, pergunto-lhe se este ano o grupo teve muitas entradas e quantas tem em média por ano?

Nesse aspeto, este ano foi de facto muito bom. Tivemos cerca de doze elementos jovens a querer entrar para o Grupo. No ano anterior tínhamos tido seis entradas o que já é um número considerável, mas a média anual deverá andar pelos três/quatro elementos.

 

Esta foi provavelmente a temporada mais atípica de que teremos memória. Como foi a vossa preparação, tendo em conta estas condicionantes?

A nossa preparação este ano não se alterou muito felizmente pelos habituais treinos nas ganadarias e a preparação física e psicológica de cada um.

 

Já é possível fazer um balanço da vossa temporada?

Ainda é muito cedo para fazer um balanço geral da temporada, visto que se avizinha uma altura de grandes compromissos, mas das corridas que já pegámos faz se um balanço muito positivo.

 

Como é o Vasco enquanto cabo? É um cabo diplomático ou um cabo de dar muitas ‘duras’?

Na posição de cabo muitas vezes temos de ter essas duas facetas, há que ir adaptando consoante as situações, naturalmente. Mas a minha caracterização deixo para os elementos do Grupo.

 

Tem alguma superstição antes das corridas?

Sou católico, nesse sentido gosto de fazer as minhas orações e pedir ajuda e proteção não só, mas também em dias de corrida.

 

Qual a sua primeira memória da Palha Blanco?

A minha primeira memória na Palha Blanco é sempre das minhas primeiras memórias enquanto pessoa já, desde muito pequeno que fui a corridas e em especial em Vila Franca, de maneira que é difícil para mim identificar uma em específico. Mas salientando uma, sem dúvida a primeira vez que pisei a arena, por volta de 2004/2005, para pegar uma bezerra numa das garraiadas da Casa do Forcados.

 

Que mensagem deixa aos nossos leitores e como convida os aficionados a esgotar, dentro das limitações impostas pela DGS, a lotação da Palha Blanco nos 5 espetáculos que integram a Feira de outubro?

Penso que, pela maneira como a Feira está montada, que será difícil não esgotar nos 5 espetáculos, posto isto a mensagem é mais a de que aproveitem e desfrutem de todas as corridas e novilhadas dado que, da nossa parte e, de todos os intervenientes, o empenho será o máximo para que as coisas resultem da melhor maneira.

Nota: Castella fois substituído por El Fandi e Juanito. Na corrida de dia 4, lidam-se 3 touros Vale Sorraia a cavalo e 4 Calejo Pires a pé.

 

Entrevista e texto: Rui Lavrador
Fotografia: Nuno Almeida

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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