O Castelo de São Jorge, em Lisboa, recebeu pelo segundo dia consecutivo, o ciclo Fado no Castelo, inserido nas Festas de Lisboa.

Depois da apoteose do dia anterior com Ana Moura e Sopa de Pedra, este sábado subiram a palco a fadista Raquel Tavares e Gospel Collective.

Raquel é das mais carismáticas fadistas da actualidade. E o fado é, também, Raquel Tavares e vice-versa.
Além do fado tem feito algumas incursões por outros géneros musicais, como é exemplo o disco com reportório de Roberto Carlos, mas é na canção nacional que mais facilmente o público a reconhece.

Gospel Collective é um projecto nascido na capital, em 2010, que agrega cantores com fé em Deus e que provêm de áreas tão distintas como a soul, o rock, hip-hop, o jazz ou o afrobeat. Inspirados no repertório gospel norte-americano, cantam em português e inglês.

Acompanhada por André Dias, na guitarra portuguesa, Bernardo Viana, na viola de fado, e Daniel Pinto, no baixo, Raquel Tavares iniciou o espectáculo com Fado(s), ‘Zanguei-me com o meu amor’ e ‘Sombras da Madrugada’.

Começou por explicar a honra e felicidade que sentia ao actuar no Castelo, na sua Lisboa, perante a sua gente.

Do seu disco ‘Raquel’, interpretou, seguidamente, ‘Gostar de quem gosta de nós’, de Tiago Bettencourt, e ‘Não me esperes de volta’, de Paulo Abreu Lima e António Zambujo.

De volta ao cancioneiro tradicional, seguiu-se ‘Limão, Verde Limão’.

‘Fiz-me fadista com os fadistas, com a geração antiga’, disse, entre outras coisas, quando homenageou a geração mais antiga do fado e com quem crssceu. ‘Meu corpo’ de Fernando Tordo e Ary dos Santos, criação de Beatriz da Conceição, foi o momento brilhantemente interpretado que se seguiu.

O trio de fado e Fred Ferreira, na percussão, estiveram inspirados no instrumental que antecedeu a subida a palco dos Gospel Collective.

Após um momento, literalmente, divinal, e um, outro, divertido com a fadista, o colectivo acompanhou a fadista num tema de Roberto Carlos, ‘Como é grande o meu amor por você’.

O poderio vocal de Raquel alicerçado num colectivo de vozes que nos transporta para uma outra dimensão, permitiu momento de arte sublime.

E o enquadramento paisagístico não podia ser melhor.

De Fernanda Maria, letra de Linhares Barbosa e na música do Fado Alberto, Raquel interpretou ‘Não passes com ela à minha rua’, iniciando assim um momento em que prestou homenagem ao fado tradicional e revelando que nesta fase lhe apetece ir buscar dados antigos para cantar.

De Lucília do Carmo trouxe ao Castelo, ‘A Travessa da Palha’, também com letra de Linhares Barbosa e na música do fado Britinho.

De mãos dadas com a tradição, Seguiu-se ‘Ardinita’, criação de Fernando Maurício, com letra de Linhares Barbosa na música do Fado Corrido.

Criação de Maria José da Guia, celebrizado por Fernanda Maria, e com Gospel Collective a acompanhar a fadista, momento para ‘Fui ao Baile’. Momento genial, divertido e com classe.

Mais introspectivo e apenas com a fadista acompanhada pelo trio de fado, momento para ‘Nem às paredes confesso’ com o coro do Castelo de São Jorge, entenda-se o público presente, a mostrar letra decorada e gargantas afinadas.

Numa actuação a roçar a perfeição, Raquel Tavares prosseguiu com ‘Foi Deus’. Raquel demonstrou noção de espectáculo, dicção perfeita, enquadrou tudo com precisão e naturalmente conquistou o público. Momentos de rara beleza aquando de alguma contenção vocal para seguidamente a projectar de forma exímia. Um conhecimento e utilização do seu aparelho vocal com grande perícia.

Do repertório dos Xutos & Pontapés, numa harmonia exemplar entre a fadista e o colectivo, ouviu-se ‘Circo de Feras’, com Fred Ferreira, na bateria a definir o ritmo.

Em modo arraial e pedindo ao público para ir dançar para junto do palco, interpretou ‘Cantiga da Rua’ e ‘Emoções’, de novo.

Foi ainda exigido encore, com a fadista e o colectivo gospel a regressarem para o polongamento da festa, numa noite em que Fado, Gospel e Liberdade andaram de mãos dadas com a tradição, assemelhando-se ao namoro de Lisboa com o Tejo.

 

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: João de Sousa

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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