Festas de Lisboa: José Manuel Neto fez o Castelo São Jorge parecer pequeno para tanto talento!

José Manuel Neto subiu a palco no Castelo de São Jorge para o segundo dia de “Fado no Castelo” inserido nas Festas de Lisboa, apresentando o seu novo disco “Tons de Lisboa”, tendo ainda como convidados Nathalie, Rão Kyao, Vicky Marques e Pedro Moutinho.

Depois de ao final da manhã desta sexta-feira, 17 de Junho, ter apresentado no Museu do Fado o seu disco, “Tons de Lisboa”, o primeiro a ser editado pela Label Museu do Fado Discos,  José Manuel Neto subiu a palco no Castelo de São Jorge, mostrando o porquê de ser considerado um dos mais geniais e virtuosos guitarristas de guitarra portuguesa.

 

 

Por detrás da timidez que apresenta quando interage com o público, José Manuel Neto apresenta com a sua guitarra portuguesa momentos de genialidade só ao alcance dos predestinados. O seu dedilhar é impactante no público que não fica indiferenteàs obras de arte produzidas pelo artista. Os temas tocados por si transmitem o seu cunho pessoal, criando uma identidade muito própria.

 

 

Na história da guitarra portuguesa são muitos os nomes que marcaram e continuam a marcar gerações como são os casos de Fontes Rocha, Armandinho, José Nunes, António Parreira e tantos e tantos outros. Para as gerações que agora começam e para as futuras, José Manuel Neto será certamente também ele uma referência deste instrumento tão português.

 

 

No Castelo São Jorge abriu espectáculo com um instrumental de Armandinho, seguido por um de José Nunes.  Homem de poucas palavras, José Manuel Neto prefere transmitir as suas emoções usando como veiculo o instrumento musical que domina como poucos, a guitarra portuguesa.

 

 

A primeira convidada chamada a palco foi Nathalie que conta ainda com um longo caminho a percorrer para se afirmar no fado. Tem qualidade mas deverá rever e melhorar a sua interpretação. Peca por transmitir muito pouco a quem a ouve.

 

 

Rão Kyao foi o segundo convidado chamado a palco e ai sim assistimos a um maravilhoso diálogo entre a sua flauta e a guitarra de Neto. O Fado não é apenas cantado, pois os dois provaram que pode também apenas ser tocado. Neste caso, muitíssimo bem tocado.

 

 

Vicky Marques também foi chamado a palco para acompanhar em dois temas “Valsa Eduardina” e “Finta”, dois dos temas que integram “Tons de Lisboa”.  O primeiro composto por Eduardo César e com arranjo de José Manuel Neto e o segundo com composição de Valter Rolo e arranjo musical de Tiago Machado e José Manuel Neto.

 

 

Pedro Moutinho teve duas interpretações de elevada qualidade, quase irrepreensível a transmitir todo o fado que em si transporta, ou não fosse ele originário de família fadista. “Fado da contradição” foi um dos temas interpretados.

 

 

Do novo trabalho de José Manuel Neto ainda a destacar o tema “Será” de Carlos Bica com arranjo de Tiago Machado. O encore foi antecedido por variações em mim do “Fado Lopes”.

 

 

A pedido do público regressaram os músicos a palco, convidados incluídos terminando o espectáculo em bom nível com “Ser Fadista”. A acompanhar José Manuel Neto em palco durante todo o concerto estiveram os também eles fabulosos músicos Daniel Pinto no baixo e Carlos Manuel Proença na viola de fado. Carlos Manuel Proença que é também um exímio compositor e produtor.

 

 

José Manuel Neto, filho da conceituada fadista Deolinda Maria, começou desde cedo a sua ligação ao fado mas só agora apresenta o seu primeiro disco. A qualidade do seu trabalho essa é já reconhecida há muitos anos, não só nas casas de fado, como em espectáculos a solo ou acompanhando nomes como Mariza, Ana Moura, Camané ou Carlos do Carmo.

 

 

O recinto não encheu de público ao contrário do anunciado pela organização, mas José Manuel Neto fez o Castelo São Jorge parecer pequeno para o seu imensurável talento.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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