Festival Internacional de Música de Marvão terminou com música para Alma e amor no Coração!

 

 

 

No último dia do Festival Internacional de Música de Marvão, os espectáculos iniciaram-se com a celebração da Eucaristia e Missa de Haydn, no Convento de Nossa Senhora da Estrela.

 

O espectáculo contou com a soprano Juliane Banse, a meio-soprano Roxana Constantinescu, o tenor Martin Mitterrutzner, o baixo Andreas Mattersberger, o Officium Ensamble e a Orquestra de Câmara de Colónia, liderados pelo maestro, e director artístico do festival, Christoph Poppen.

 

Um momento onde a arte e a fé se unem, onde as emoções imperaram e a introspecção apenas foi interrompida pelos aplausos, merecidos, a cada momento musical. A palavra de Deus, algumas reflexões lidas em várias línguas, e claro uma missa muito bem conduzida transformaram este momento, num dos mais fortes do destes últimos dois dias de festival, nos quais estamos a marcar presença.

 

Mais do que as crenças de cada um, todas respeitáveis, o que aconteceu neste momento foi a celebração da alma, quer por via da fé, quer por via da arte. Ambas conseguem tocar apenas as almas sensíveis e ajudam a mudar as mais empedernidas. O enquadramento deste espectáculo, desde o local ao alinhamento e respectiva execução foi sublime!

 

Como curiosidade, para os não melómanos, referir que Franz Joseph Haydn foi dos mais importantes compositores austríacos, pertencendo ao por demais conhecido “classicismo vienense” ao lado de nomes como Mozart ou Beethoven, ao quais foi chamado, posteriormente “Trindade Vienense”. Haydn era considerado um homem tranquilo e optimista. Duas características do estado de espirito de quem ouve as suas obras!

 

O repertório integrou a Missa em sib M, Ho. XXII:12, “Theresienmesse”: Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus-Benedictus e Agnus Dei. Destacar a qualidade, subtileza e devida correcção técnica das vozes aos instrumentistas. Arrebatador!

 

Pelas 16:00, na Igreja de São Tiago, momento para música de câmara com Raphaela Gromes, no violoncelo, e Julian Riem, no piano. Um espectáculo que primou pela simplicidade, não entender por básico ou de pouco interesse. Porque a simplicidade da interpretação destes dois músicos foi o que tornou verdadeiramente grande este momento. Do repertório constaram obras de Strauss, Rossini, culminando num brilhante “Fígaro”, em variações a partir do “Barbeiro de Sevilha”, de Rossini.

 

A linguagem corporal de Riem é encantadora tal a união que demonstra com o piano, sendo um só, e Gromes é uma eximia intérprete de violoncelo fazendo-nos voar para locais onde só a música de qualidade e os intérpretes excepcionais conseguem.

 

 

O Festival culminou com a Gala de Encerramento no Pátio do Castelo de Marvão. Espaço completamente lotado para ouvir a Orquestra de Colónia a soprano Juliane Banse, a meio-soprano Anna-Doris Capitelli, o tenor Martin Mitterrutzner, a flautista Adriana Ferreira (depois da brilhante actuação do dia anterior), Cristiana Neves Custódio e Dominic Molnar na trompa, brilhantemente liderados pelo maestro Christoph Poppen.

 

 

Começo pelo maestro. Já de manhã tinha ficado com a ideia de uma grandiosidade artística e humana por parte de Mr.Poppen, o concerto de encerramento confirmou a ideia. A liderança em palco fá-la de uma forma natural e subtil, com uma elegância quase suprema e no momento dos aplausos tem a humildade de se deslocar para a lateral dos músicos para que sejam estes os aplaudidos. Um pequeno gesto, dirão alguns, mas que demonstra a grandiosidade do artista e do homem, que por sinal é director artístico do festival. E se a música não for partilha de valores e emoções, então perderá parte da sua importância…

 

 

Os músicos voltaram a estar a um nível altíssimo, pode parecer redutor e repetitivo mas a verdade é que a qualidade dos integrantes deste festival é mesmo elevada (não se ficando pela publicidade) e numa altura em que se criam estrelas e vedetas como quem bebe água, há que valorizar quem verdadeiramente tem valor e qualidade. No Festival de Marvão existe em doses quase industriais.

 

 

O alinhamento integrou obras de Haydn, Mozart, Verdi, Joaquin Rodrigo, entre outros, terminando assim de forma suprema um festival que conta com um potencial artístico e de crescimento bastante elevados. Assim continue, porque o festival, Marvão e o Alentejo merecem.

 

Nota: Em breve apresentaremos uma galeria fotográfica dos últimos dois dias do festival.

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Notícia publicada a 30/07/2018


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