O Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém recebeu, esta sexta-feira, o fadista Francisco Salvação Barreto, que levou temas do seu disco, ‘Horas da Vida’, e, outros, que integram o repertório do seu percurso enquanto fadista.

Obrigado por terem vindo. É muito importante para mim. Espero que gostem do espectáculo que preparámos“, disse Francisco após interpretar os primeiros temas.

Num registo sóbrio e sem alaridos, Francisco cantou à vida, servindo Fado a quem ao CCB se deslocou.

Em palco esteve acompanhado por Pedro Amendoeira, na guitarra portuguesa, Rogério Ferreira na viola de fado, e Francisco Gaspar, no baixo.

O fadista que preza e valoriza a elegância, canta com igual característica. Afinado, boa dicção, sem exagerar na extensão vocal, linguagem corporal muito contida e pouca conversação com o público.

Francisco opta por transmitir, bem, as mensagens através do seu repertório. O público aceitou e acarinhou bastante o fadista.

A sala, que não esgotou a sua lotação, registou a presença de familiares, amigos e simples admiradores do artista.

Com uma disposição clássica dos músicos em fado, um desenho de luz sóbrio, foi mesmo a interpretação do fadista a destacar-se mas sem atingir a excelência enquanto espectáculo musical. Um concerto bonito, elegante, mas não arrebatador.

Realce para o extraordinário bom gosto na escolha de repertório e destacando-se logo, na minha opinião, os temas ‘Eu já não sei’, ‘Vaga no azul amplo, solta’ (Fernando Pessoa) e ‘Negrura’ (Miguel Torga).

Prestou homenagem a João Ferreira Rosa destacando a importância deste no seu percurso no fado.

Francisco Salvação Barreto é presente e futuro do Fado. O Fado necessita de classe e Francisco tem-na. Tem também qualidade interpretativa e emoção. Deverá melhorar as dinâmicas de espectáculo e a comunicação com o público.

Destaque ainda para a referência a Manuel de Almeida, de quem interpretou Rapsódia, que antecedeu encore no qual interpretou mais dois temas.

Nota: Texto Actualizado, 09:30, 08-06-2019

Texto: Rui Lavrador
Fotografia: Alexandre Marques

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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