Freddy Locks: “A cultura é intemporal e uma grande riqueza, só pessoas com essa sensibilidade deveriam ser programadores culturais”

 

 

 

“Overstand” é o mais recente disco de Freddy Locks, um dos artistas portugueses de maior projecção internacional no reggae, que recentemente foi elevado a Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

 

 

O músico português concedeu uma entrevista ao Infocul, na qual abordou a elevação do reggae por parte da UNESCO, o novo disco e todo o processo criativo que o antecedeu. O disco conta com 10 faixas, e Freddy Locks revela quais as mensagens que pretende transmitir ao público, dando ainda conta do facto e do porquê de ter maior projecção internacional do que nacional.

 

 

Antes de mais, Parabéns. O reggae é Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO. Qual a importância desta distinção, tendo em conta que o reggae ainda não é dos movimentos mais expressivos em Portugal?

Penso que esta distinção tem grande importância para o mundo e para a musica Reggae, vem dar maior credibilidade junto dos media e da população no geral. O Reggae e particularmente o Bob Marley têm sido pilares muito importantes em muitas comunidades um pouco por todo o mundo, contribuindo para a paz e liberdade de forma decisiva na consciência das pessoas e esta distinção é apenas mais uma consequência do poder que o Reggae tem na actual civilização. Portugal terá também cada vez mais Reggae.

 

 

Como tem corrido a apresentação do mais recente trabalho, “Overstand”?

Tem corrido muito bem, estou muito feliz. Tivemos várias apresentações nas Fnacs e fizemos 2 concertos de apresentação, um em Lisboa e outro em Torres Vedras e foi muito lindo.Temos feito muitas entrevistas e estamos ainda a meio pois vamos continuar a promover o disco nos próximos tempos.

 

 

 

Quando começou a pensar neste disco?

Este disco foi sendo criado ao longo de 5 anos, basicamente mal saiu o meu Disco anterior, “Rootstation” em 2012, comecei logo nesse ano a criar canções que fazem parte deste ultimo álbum. Fui Fazendo com muita calma até sentir que estava pronto e estou muito orgulhoso com o resultado.

 

 

Quem são as suas grandes influências e quando surge o gosto pelo reggae?

As minhas maiores influências são Rage Against the Machine antes de sentir a magia do Reggae. Em 1995 comecei a sentir a mensagem e a vibração do Reggae e fiz a minha primeira banda de reggae em 1999. Desde então ouço e sinto reggae todos os dias, é o meu melhor amigo.

 

 

O reggae é mesmo um estilo de vida ou ‘apenas’ um género musical?

Gostava de dizer que é um “estilo de vida” mas não é…hoje em dia chama-se reggae a muitas musicas e formas de viver que nada têm a ver com o original “Roots Reggae” que existia nos anos 70 na Jamaica e que me inspira. Hoje é “apenas” um estilo musical, mas dento dele podemos encontrar chaves importantes para um estilo de vida com muita paz e harmonia.

 

 

Quais foram os maiores desafios na gravação deste disco?

Felizmente tenho amigos verdadeiros e músicos excepcionais comigo pelo que foi bastante fácil o processo. A parte mais desafiante foi fazer a mistura, tem musicas muito diferentes e gravadas em estúdios diferentes, por produtores diferentes, por isso foi difícil chegar ao ponto onde queríamos e ter um som uniforme no álbum todo, mas o resultado ficou maravilhoso.

 

 

A escolha de repertório, como é feita?

Vou criando as canções e elas reflectem fases diferentes da minha vida, quando tenho um leque de canções começo a definir a “história” do álbum e aí crio mais umas e tiro outras até sentir que tenho a história completa que quero contar.

 

 

Quando surgiu a possibilidade de ter Dubmatix neste disco?

Já conhecia o Dubmatix deste 2009 quando fizemos juntos o EP “Power”. Apesar de ser um grande nome da cena Reggae mundial ele é super humilde e é espectacular comigo. Sempre quis trabalhar mais com ele e foi agora que surgiu a possibilidade, fiquei super feliz de ter uma musica produzida por ele no disco e foi ele que fez o trabalho de masterização, o que me deixa muito orgulhoso também.

 

 

Tem tido projecção internacional. O que falta para ganhar igual projecção em Portugal?

É uma pergunta difícil para mim, não sei bem, vou continuar a fazer o meu trabalho o melhor possível e a aceitar a realidade, quero tocar o mais possível e espalhar esta musica, em Portugal e lá fora e acredito que no futuro terei mais projecção.

 

 

Se mandasse neste país, o que diria aos programadores culturais?

Diria que a cultura vale mais que o dinheiro e que eles tinham o poder de transmitir esse valor ás pessoas, é um grande poder, a cultura é intemporal e uma grande riqueza, só pessoas com essa sensibilidade deveriam ser programadores culturais.

 

 

Onde pode o público interagir consigo nas redes sociais?

No facebook, instagram, youtube ou Soundcloud.

 

 

Dedica muito tempo às redes sociais?

Não, hoje em dia dedico cada vez mais por obrigação, mas tem sido muito difícil para mim, assusta-me a importância que as redes sociais têm na vida das pessoas, mas não dá para evitar, tenho me adaptado o melhor que posso.

 

 

Quem é Freddy Locks fora do palco e o que gosta de fazer?

Sou um pai dedicado a 3 filhos lindos, convivo muito com os meus amigos e faço muitas jams em casa, sou a mesma pessoa que se vê no palco, sou muito verdadeiro em todos os momentos, é essa a minha filosofia.

 

 

Qual a mensagem que deixa aos leitores do Infocul?

Sejam felizes, não se contentem com o agradável, procurem o bom. Somos o nosso maior amigo e o nosso maior inimigo, gostem de vocês e façam aos outros o que gostavam que fizessem convosco. ONE LOVE!

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