Galo Cant’Às Duas: “A liberdade sempre foi a nossa maior guia”

Galo Cant'às Duas

 

O Galo Cant’Às é uma ideia de Gonçalo Alegre e Hugo Cardoso. O duo pisca o olho ao pós-rock e ao space rock. Riffs graves são repetidos e o uso dos loops facilita a que uma outra nuance seja determinante no som do duo. A criação de camadas de som  tornam este mais intrincado, complexo e multifacetado.

 

 

O duo, em entrevista ao Infocul aborda todo o processo criativo, o surgimento do projecto e também a dificuldade em associar os seus temas a um único género musical. O disco “Os Anjos também cantam” conta com quatro faixas e será editado a 24 de Março.

 

 

 

Quando começou a ser pensado e executado este disco? 

 

Tudo começou quando sentimos que musicalmente tínhamos uma estrutura mais concreta. Desde o início que imaginávamos um equilíbrio musical, com texturas mais livres e outras pré-definidas . Esse processo de procura aconteceu durante uns bons meses, e só quando encontrámos a naturalidade nessas dinâmicas é que decidimos agarrar em todas as ideias que tínhamos e transformá-la na viagem desejada. 

 

 

 

Como é desenvolvido o vosso processo criativo na construção dos temas? 

 

Começa tudo de maneira um pouco individual, ou seja, chegamos à sala de ensaios e se tivermos ideias novas; um groove de bateria, uma linha de baixo, uma frase melódica de guitarra… partilhamos um com o outro e vê-mos para onde nos leva. A partir desse momento traçamos o caminho. 

 

 

 

Como classificaram ou adjectivariam o vosso género musical? 

 

Isso sempre foi um “problema”, pelos bons motivos. Achamos que a música do Galo não se pode encaixar apenas numa gaveta. Tentamos explorar variadas texturas e andamentos, esse sempre foi o objectivo, compor música sem qualquer preconceito. 

Já nos aconteceu, nos primeiros concertos, pedirem-nos para classificar a nossa música, para porem nos cartazes de divulgação do concerto por exemplo. O que resultou foi uma adorável dança de adjectivos, para conseguirmos classificar os variados ambientes que passamos. Acaba por ser interessante e divertido, visto que esse também é o objectivo. 

 

 

 

Qual a principal mensagem que tentam transmitir com este disco? 

 

A liberdade sempre foi a nossa maior guia, o que nos deu, e dá azo a explorar todo o tipo de musicalidades que sentíamos em variados momentos na construção desta viagem.  

 

 

 

Como surge este projecto, “Galo Cant’Às Duas”? 

 

O “Galo Cant’Às Duas” surge num encontro de artes. Na aldeia da Moita, Castro Daire, é organizado anualmente um encontro de artistas, chamado MoitaMostra. São 8 dias de pura aprendizagem, onde vários artistas apresentam e partilham as suas obras.  

A falha na programação do primeiro concerto da noite, foi o pretexto para nos juntarmos e fazer uma espécie de Jam/Concerto. Fazemos ainda parte da organização do evento.  

O concerto correu super bem, divertimo-nos muito e recebemos óptimos feedbacks. Andámos uns meses, poucos, a pensar no que se tinha passado, e foi aí que decidimos começar a trabalhar com todas as energias. 

 

 

 

Para quem ainda não conhece o vosso trabalho onde pode encontrar-vos e interagir convosco? 

 

O nosso dia a dia é feito em Viseu, a nossa cidade, sempre que a visitarem lembrem-se do Galo e comuniquem com Ele… é um Ser bonito. Andaremos na estrada a tocar os temas do disco e outros que possam surgir, é só andarem atentos e aparecer. 

 

 

 

Dos quatro temas que integram este disco, qual foi o mais desafiante? 

 

Cada tema foi desafiante à sua maneira, tentamos sair sempre um pouco do nosso conforto, esse é o maior desafio. A exploração das vozes no “Partícula”, visto que não somos cantores e nunca tínhamos estado nesse papel foi bastante desafiante, mas, de igual forma desafiante foi o “Respira”, visto que é um tema lento, com alguns momentos de tensão e aberturas momentâneas, em que saímos do tempo e voltamos da maneira mais subtil possível. Tornar essas dinâmicas interessantes, foi também um bonito desafio. 

 

 

 

Numa única palavra como classificariam este disco? 

 

Orgânico.

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