Graça Fonseca na entrega dos Prémios da Estoril Sol: “A cultura é um dos eixos para a construção da dimensão humana” (C/Fotos)

 

 

 

Em cerimónia solene, o Auditório do Casino Estoril acolheu a entrega do Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural – a Vitor Aguiar e Silva, e dos Prémios Literários Fernando Namora e Agustina Bessa-Luis, instituídos pela Estoril Sol, e referentes a 2017, respectivamente, a Ana Cristina Silva e Rui Lage. A Ministra da Cultura, Graça Fonseca, presidiu a este importante evento, referindo: “É uma honra estar aqui, hoje, e marcar presença nesta cerimónia que anualmente consagra e promove o lançamento de novos escritores e presta um reconhecimento ao mérito da cidadania cultural”.

 

Os meus parabéns à Estoril Sol pela continuidade que tem dado à atribuição destes prémios de âmbito cultural”, disse a Ministra da Cultura na sua intervenção. E, destacando, o relevante papel dos Prémios da Estoril Sol, acrescentou “A cultura é um dos eixos para a construção da dimensão humana”.

 

 

No enquadramento das obras vencedoras, Guilherme d’Oliveira Martins, Presidente do Júri, recordou que “A Noite Não É Eterna”, de Ana Cristina Silva, que venceu o Prémio Fernando Namora, “é uma belíssima composição narrativa com linguagem sóbria e cuidada, que valoriza em particular a narrativa de um drama pungente, num quadro sufocante e obsessivo”. Já sobre Rui Lage que foi distinguido com o Prémio Revelação Agustina Bessa Luís, realçou que a obra vencedora, “O Invisível”, “revela um notável fulgor imaginativo”, acrescentando, ainda, que o autor “revela um Fernando Pessoa inesperado, desassossegado na fronteira entre o visível e o invisível”.

 

 

Em relação ao Prémio Vasco Graça Moura, o Presidente do Júri disse que Vitor Aguiar e Silva “é um exemplo de cidadania cultural que liga a dimensão didático-cientifica à pedagógica. É de destacar o percurso do premiado nos domínios da teoria literária, instrumento fundamental na formação de diversas gerações e da literatura portuguesa bem como na fixação e estudo da obra camoniana num brilhante exercício de intervenção pública.”

 

 

Por sua vez, no uso da palavra, Vitor Aguiar e Silva confessou: “receber este Prémio, que tem como figura epónima Vasco Graça Moura, é para mim motivo de profundo júbilo intelectual e de grande emoção. Sou, desde, há décadas, leitor admirativo do poeta, do ficcionista, do ensaísta – em particular do ensaísta camoniano -, do cronista e do tradutor de obras fundamentais do cânone literário europeu que foi Vasco Graça Moura”.

 

 

Já Ana Cristina Silva manifestou sentir “uma enorme honra em receber o Prémio Literário Fernando Namora”. Numa oportuna reflexão, a autora de “A Noite Não É Eterna” disse que “a literatura é um processo de libertação e, por conseguinte, é uma busca constante da liberdade”. E acrescentou “a literatura é necessária para voltarmos a olhar o que somos e para onde queremos ir enquanto seres humanos”.

 

 

Vencedor da 10ª edição do Prémio Agustina Bessa Luís, com a obra “O Invisível”, Rui Lage afirmou que “ao autor cumpre também tornar-se invisível, desaparecer no seu texto, num golpe de ilusionismo. E a um Prémio literário, especialmente um que, como este, não consagra, mas revela, compete tornar visível o autor”.

 

 

Na abertura da cerimónia, o Presidente da Estoril-Sol, Mário Assis Ferreira, referiu: “Esta cerimónia solene é comum, pela primeira vez, aos três Prémios Literários instituídos, em diferentes momentos, pela Estoril Sol, sendo todos reportados a 2017. (…) Ao sentar a esta mesa os três vencedores, a Estoril Sol fá-lo com orgulho por serem os merecidos protagonistas de um projecto cultural, que tem resistido a períodos de crise e às situações mais adversas que o País conheceu – e das quais ainda não está inteiramente recuperado”.

 

 

A aposta na Cultura, na Arte e no Espectáculo continua a ser um objectivo estruturante da Estoril Sol, um conceito original de que nos orgulhamos e que fez a diferença, comparativamente com aquilo que era a prática seguida pelos demais concessionários de casinos. Dos Prémios Literários à Galeria de Arte e às Artes Plásticas – ou à revista “Egoísta” e ao seu acervo de reputados colaboradores, distinguida com 84 dos mais prestigiados prémios nacionais e internacionais -, é impressiva a panóplia de iniciativas de natureza cultural a que a Estoril Sol se auto- determinou, como matriz do seu modelo conceptual”, explicou Mário Assis Ferreira.

 

 

É em períodos complexos como este que ainda vivemos – embora com sinais francamente animadores, designadamente no Turismo -, que precisamos de responder com energia, criatividade e determinação. Não me canso de repetir, desde há mais de duas décadas, que temos um compromisso com a Cultura e com as Artes. Escreveu um dia Fernando Pessoa que “a literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta”. Eu acrescentaria que se não basta para a vida, menos basta para um País. Pois que, sem Cultura, talvez um País sobreviva, mas não existe como Nação!”, concluiu Mário Assis Ferreira.

 

 

 

Fotografias: Estoril Sol

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.