Grupo de Fados ÀCapella: O sentimento de Coimbra bateu forte em Lisboa

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O Sentimento de Coimbra bateu forte ontem em Lisboa. No bonito e renovado Teatro Tivoli BBVA, o Grupo de Fados ÀCapella trouxe o melhor do Fado de Coimbra a Lisboa, promovendo um serão de elevada qualidade artística mas acima de tudo, da alma estudantil de Coimbra.

 

 

O Grupo de Fados ÀCapella apresentou-se na noite desta quarta-feira, 19 de Outubro, no Teatro Tivoli BBVA, para mostrar o que de melhor o Fado de Coimbra oferece. Uma noite em que o canto à saudade, as baladas e o relembrar de nomes icónicos como Luis Goes ou Zeca Afonso proporcionaram momentos de encantamento na plateia.

 

 

O grupo é composto por Luís Ferreirinha na viola, Ricardo Dias na guitarra de Coimbra, Ricardo J. Dias no acordeão e José Vilhena e Nuno Correia nas vozes. Em palco a harmonia e cumplicidade entre os membros é constantemente visível criando um clima de harmonia que chega ao público. Naturalmente e com uma dinâmica bem conseguida envolvem o público no espectáculo.

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O Fado de Coimbra está muito associado à tradição académica da cidade. Consta que surgiu através de estudantes que foram para Coimbra estudar e que levavam as suas guitarras. Cantado por homens, o Fado de Coimbra conta com algumas regras como por exemplo no traje típico estudantil composto por batina e capa de cor negra.

 

 

O dedilhar da guitarra, bem suportado pela viola e com as melodiosas e viscerais vozes teve na sonoridade diferenciadora do acordeão, uma conjugação perfeita esta noite no Teatro Tivoli. Por momentos somos transportados para “uma capela do século XIV”, onde habitualmente este grupo actua na cidade estudantil.

 

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De Zeca Afonso a Manuel Alegre, passando por Luís Goes ou ainda os instrumentais com composições de Carlos Paredes constaram de um alinhamento revelador de bom gosto e com uma perfeita noção de ritmo de espectáculo tal o encadeamento efectuado. “Fado dos Olhos Claros”, “Saudades de Coimbra”, “Tenho Barcos Tenho Remos”, “Traz outro amigo também”, “Alegre se fez triste”, “Verdes anos” ou “Canto a Coimbra” foram alguns dos temas ouvidos n capital portuguesa.

 

 

Como curiosidade das ligações de Lisboa e Coimbra, existe ainda uma história curiosa. Até 1255, no reinado de D. Afonso III, Coimbra era a capital portuguesa. Sendo que com a mudança da corte para Lisboa, devido ao desenvolvimento observado na cidade, houve alteração da capital do país, algo que contudo nunca foi escrito em nenhum documento oficial.

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Voltando ao Fado e apesar de muitos dos temas abordarem temáticas como a saudade, o amor ou a tristeza, a noite foi de alegria. Pela qualidade musical, pelo sentimento imprimido ao espectáculo e pela simplicidade das interpretações. Afinal de contas, as coisas mais belas da vida são mesmo as mais simples!

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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