“Guitarra Portuguesa por António, Paulo e Ricardo Parreira”: “Uma homenagem aos guitarristas que nos legaram esta música”

“Guitarra Portuguesa por António, Paulo e Ricardo Parreira” juntou pai e filhos num disco dedicado à arte de tocar a guitarra portuguesa. António Parreira, um dos grandes mestres da guitarra portuguesa, em entrevista ao Infocul.pt fala sobre a composição do disco, a escolha de repertório e ainda sobre as aulas de guitarra que dá no Museu do Fado.

 

Quando surgiu a ideia de conceber um disco com os seus filhos?

 

Quando eles aprenderam a tocar bem guitarra. A certa altura da minha via vi que eles iam ser excelentes guitarristas e eu disse ‘eu vou fazer um disco com eles’ e agora graças à HM Musica e ao Museu do Fado tive a oportunidade de fazer este trabalho com eles, que eu acho que está excelente. Eu gosto muito, muito, muito do disco.

 

 

Tem especial orgulho em ver os seus filhos seguirem o seu legado na guitarra portuguesa?

 

Tenho.

 

 

Eles ainda hoje lhe pedem conselhos?

 

Já não me pedem conselhos, mas respeitam-me completamente.

 

 

Este disco conta com 18 temas. Alguns deles originais como por exemplo “Balada para Maria Inês”…

 

Tem quatro temas meus. “Balada para Maria Inês” que é dedicado à minha neta mais velha, há outro “Maria Leonor” que é dedicado à minha neta mais nova. Mas agora tenho que fazer uma nova balada para Luzia, a minha neta que irá nascer.

 

 

Construir um disco com 18 temas, todos eles instrumentais é um risco. Teve essa noção?

 

Sim tive.

 

 

Mas quem ouve o disco acaba por perceber que não há risco rigorosamente nenhum

 

O disco está bem tocado, agora é com as pessoas. Todas as pessoas que falam comigo sobre o disco dizem que está muito bonito, muito bonito.

 

 

Têm surgido cada vez mais pessoas a despertarem para a guitarra portuguesa. Sei que por exemplo o António Parreira dá aulas, correcto?

 

Aqui precisamente no sitio onde estamos [Museu do Fado].

 

 

Como é a reacção de quem nunca tocou uma guitarra mas tem vontade de aprender?

 

Ai que coisa tão difícil, tão difícil, começam por dizer mas depois começam a tocar umas notinhas do Fado das Horas, em Mi que é o primeiro tom que lhes ensino, depois de umas aulas aprenderem a tocar aquilo, começam a entusiasmar-se e nunca mais param.

 

 

Neste disco conta com a presença de alguns convidados. Quer falar um pouco deles?

 

Sim somos guitarristas e acompanhados por violistas. Eu sou acompanhado pelo meu colega de sempre Francisco Gonçalves, tocámos 30 anos juntos, ele faz viola e baixo. E também como toco com outro violista há 16 anos que é o Guilherme Carvalhais, depois tem o Marco Oliveira que tocou viola com o Ricardo Parreira, o Francisco Gaspar tocou baixo com o Ricardo, e o Rogério Ferreira acompanhou na viola o Paulo Parreira. Agradeço-lhes e têm um trabalho excelente, qualquer um os violistas são excelentes músicos.

 

 

Este disco tem também algumas composições dos maiores mestres da guitarra portuguesa…

 

Sim, sim. Eu pedi aos meus filhos para fazermos uma homenagem aos guitarristas que nos legaram esta música como é o caso de Paredes, Jaime Santos, Armandinho, Francisco Carvalhinho, José Nunes, Domingos Camarinha, Fontes Rocha e não pôde ser mais porque o CD tem dezoito temas, tive muita pena de não conseguir colocar o Raúl Nery, que é um guitarrista que eu tenho uma admiração muito grande, mas já não cabia.

 

 

Para quem ainda não ouviu como convida as pessoas a ouvirem?

 

Ouçam com atenção numa sala e saboreiem a sonoridade deste disco.

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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