Gustavo Santos revela que “este livro é amor em estado puro”

D.R.

‘Reencontra-te’ é o novo livro de Gustavo Santos. Um livro que promete surpreender e agarrar os leitores do início ao fim. O livro foi editado pela Pergaminho.

O autor, e também apresentador de televisão, concedeu uma entrevista ao Infocul na qual nada ficou para responder. Gustavo abdicou das redes sociais e o contacto humano é o privilegiado. Uma entrevista que poderá ler integralmente de seguida.

 

Gustavo, não resisto a fazer um trocadilho com o nome do livro. O Gustavo já se reencontrou ou nunca se perdeu?

Bom, a verdade é que já me perdi várias vezes. Ou porque o medo ganhou; ou porque o ego engoliu-me; ou porque dependi de validações que nunca chegaram; ou porque não fui capaz de aceitar nem perdoar; ou porque, simplesmente, me esqueci de mim, das minhas vontades, dos meus sonhos.No entanto, e verdade seja dita, fui sempre capaz de me reencontrar, quase sempre sozinho, através da repetição exaustiva de atos de coragem e votos de fé.

 

Quando é que começou a pensar neste livro?

Há cerca de dois anos , numa altura em que reconheci a verdadeira beleza do “ter” uma família e o apelo da natureza.

 

Enquanto autor, o que o deixará feliz que alguém lhe diga após ler este último trabalho?

O que me deixa feliz é poder garantir às pessoas que este livro é amor em estado puro, verdadeiro e inquestionável; é mostrar-lhes que é fundamental resgatar o ancestral espírito familiar que a sociedade/economia engoliram e fazê-las acreditar que é possível devolver o amor às nossas casas e à Terra. O que dizem acerca do que faço e como faço, não me agiganta nem me encolhe.

 

Qual a frase do livro que mais o identifica?

Precisamente aquela que dá o mote ao livro, “É fundamental que a humanidade renasça e resgate, de uma vez por todas, a sabedoria ancestral, em que a família era o grande pilar da sociedade e pela Natureza existia um respeito intocável, pois ela alimenta, pacifica e cura.”

 

A mudança da Ericeira para Avis foi também em busca de algum reencontro?

Naturalmente. Sentimos que estávamos a ser engolidos pelo desconfortável conforto de sermos iguais a todos os outros. Ir para Avis foi fugir da formatação para nos enraizarmos, definitivamente, ao amor e na natureza.

 

O Gustavo é um caso peculiar. Ou gostam de si ou não gostam. Não há ali um meio termo.

A verdade é sempre esclarecedora e gera sempre discórdia. Assim foi com Jesus, Gandhi, Mandela, MLK jr…

 

Deixou as redes sociais mesmo tendo milhares de seguidores. Porquê?

Porque nenhum reencontro se dá se escolhermos continuar a nutrir a nossa vida com coisas que já não fazem parte daquilo que queremos ser.

 

Sente que a era digital, que trouxe várias coisas positivas, acabou por afastar mais as pessoas naquilo que é a verdadeira comunicação?

As redes sociais, ao invés da forma como foram promovidas, desligam as pessoas em vez de as ligarem. Hoje em dia, vale tudo para ter likes, inclusivamente, proferir as maiores mentiras, julgamentos descabidos e até fazer figura de parvo para se conseguir a imagem perfeita após dezenas de tentativas. As pessoas são, hoje, facilmente manipuladas pela mentira, por “fake news”, por espaços de informação absolutamente desequilibrados, onde a tendência para o medo e para o pessimismo domina a grande parte do tempo de antena. É tudo errado. É tudo estudado para que as pessoas se percam e nunca mais se reencontrem. Uma pessoa perdida não tem voz, não tem força, não sabe para onde ir e é tudo isso que interessa àqueles que querem continuar a mandar no país e no mundo.

 

No mundo actual sente que nós (no geral) valorizamos pouco as coisas verdadeiramente importantes na vida?

O que é realmente importante? A saúde, os sonhos, os outros, a família, a natureza, o tempo e o silêncio. Cada um que olhe para isto e reflita acerca da importância que dá a cada um destes itens.

 

Numa entrevista sua, li que se considera “um gajo porreiro, 100% genuíno”. O que é um gajo porreiro, segundo Gustavo Santos?

Acima de tudo alguém com quem se pode contar, que não julga, não cobra, mas que também não deixa nada por dizer. No meu caso específico, também alguém que se dá com qualquer pessoa e que é capaz de divertir e emocionar qualquer plateia.

 

Lembro-me que chegou a ser muito criticado. Algumas críticas até para lá do aceitável. Como se gere este mediatismo negativo, quando temos a nossa família em redor e também com fácil acesso a tudo o que é noticiado?

Aceita-se a inconsciência de uns, a inveja de outros e a insegurança de outros tantos. E no fim, rimos e brincamos com isso.

 

Sou um apaixonado pelo Alentejo e, portanto, pouco imparcial nesta pergunta. O que é que o Alentejo tem que nos transforma em seres melhores?

A mim, lembra-me África, casa da minha Alma. Mas sobretudo, o valor que se dá ao tempo, o valor das pessoas, os silêncios que nos convidam a ir para dentro, a simplicidade em tudo e em todos, e o facto de estarmos absolutamente rodeados de natureza.

 

Qual a fase mais desafiadora durante a escrita deste livro?

O relato do nascimento do nosso primeiro filho e a transformação que esse momento gerou em mim. Muita emoção.

 

Qual tem sido a opinião do público, que tem chegado até si?

Capa maravilhosa, com uma energia fantástica; lenços de papel para limpar a inevitável emoção que se sente ao ler tanta intimidade escarrapachada no livro; e a extraordinária sensação de familiaridade com a nossa história de amor, coragem e fé.

 

Sem redes sociais, como obtém a opinião do público?

Whatsapp, e-mail e leitoras/leitores com quem me cruzo na rua.

 

Já mudou a casa a várias pessoas, tornando-as mais felizes. Espera que este livro também mude alguém e que ajude as pessoas a serem mais felizes?

Não tenho expectativas quanto a isso. Não foi por isso que ele foi escrito. Mas guardo em mim a enorme esperança de que este relato tão íntimo seja ponto de partida para vários reencontros.

 

Qual a mensagem que deixa aos nossos leitores?

Que escolham o amor em detrimento do medo, a natureza em detrimento da televisão, a coragem em detrimento do conforto e que tenham fé em si mesmos, no facto de terem nascido com asas gigantes, capazes de fazê-los voar para onde quer que seja.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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