Há um livro no qual pode “usufruir de uma história do Sporting factualmente sustentada em fontes e analisada diacronicamente”

Luís Augusto Costa Dias e Paulo J.S.Barata assinam o livro ‘História do Sporting Clube de Portugal’ editado pela Contraponto, no centenário da morte de José Alvalade.

E foi obre este novo livro que concederam ao Infocul.pt uma extensa entrevista, na qual explicam a idealização do projecto, o objectivo, a mensagem e o que traz de novo à já, por todos nós conhecida, história do Sporting Clube de Portugal.

A ideia do livro surgiu há dois anos e meio, aproximadamente, quando Luís Costa Dias “estudava os reflexos, no campo desportivo, da emergência da cultura de massas em Portugal, na viragem do século XIX para o século XX”, como nos referem na entrevista.

Explicaram-nos também de que “a pesquisa específica sobre as origens do Sporting Clube de Portugal dura há pouco mais de dois anos, mas a pesquisa sobre as transformações operadas no campo desportivo e que permitiu enquadrar a primeira tem já quatro anos

Esperam que o público posa, através deste livro, conhecer “uma história do Sporting factualmente sustentada em fontes e analisada diacronicamente, em circunstâncias históricas precisas, com factos apurados até à exaustão, com a máxima aproximação ao passado, com rigor e deontologia, sem anacronismos, sem facciosismos nem distorções de conveniência”.

Na entrevista concedida ao Infocul.pt dão ainda conta de que “sobre a vida, a obra e o pensamento de José Alvalade, será objeto de uma biografia, completamente inédita, que está já praticamente concluída e que contamos seja publicada em breve.

A entrevista completa para ler, de seguida.

Quando surgiu a ideia de escrever a História do Sporting Clube de Portugal?

A ideia surgiu há cerca de dois anos e meio. Por essa altura, um de nós, o Luís Costa Dias, estudava os reflexos, no campo desportivo, da emergência da cultura de massas em Portugal, na viragem do século XIX para o século XX. E chegou um momento em que percebemos que o ano de 1906, justamente o do nascimento do Sporting, foi marcado por um conjunto de alterações no campo desportivo, quer ao nível das práticas do desporto, quer dos meios sociais em que este se praticava, quer da forma de organização dos eventos, quer ainda do surgimento das estruturas desportivas. E, claro está, das relações conjugadas entre todos estes aspetos. É o ano que marca a passagem da pré-História para a História do desporto em Portugal, uma espécie de ano zero do desporto moderno. Foi o ano em que viram a luz do dia as primeiras «Leis do Jogo» de «Foot-Ball Association», traduzidas para português por Carlos Vilar a partir da Referee’s chart, que definia o conjunto de regras inglesas em vigor desde o ano anterior. Terminava, por assim dizer, a pré-história do jogo, em que este desporto não tinha regras escritas e, portanto, universais. À época, o futebol era não apenas uma modalidade importante no contexto dessas transformações, mas funcionou como motor, como dínamo que arrastou as restantes modalidades para uma nova conceção da prática desportiva, organizada e regulamentada. E nesse momento, em que 1906 se revelou para nós como ano charneira, descobrirmos também que ambos éramos sportinguistas, sem que nos turvasse qualquer clubismo na análise distanciada do tema e na sua problematização. Um dia, ao discutirmos as incidências de uma jornada futebolística e vendo um conjunto de livros sobre o Sporting que o Paulo Barata tinha na estante, trocámos impressões sobre os mesmos e ambos constatámos com estranheza não existir ainda uma história do Sporting escrita com rigor histórico, apoiada e sustentada por fontes devidamente auditadas e referenciadas. E logo ali surgiu o repto de escrever uma História do Sporting. E o projeto começou assim desta forma singela…

Depois, na pesquisa dos jornais e revistas da época, desportivos e generalistas, esquadrinhados de cabo a rabo, foi surgindo muita informação inédita ou pouco conhecida, como por exemplo um artigo de José Alvalade. E numa reunião em que elencámos «pistas» de investigação a seguir surgiu a ideia de contacto com o Dr. José Roquette, neto de José Alvalade. Uma simples «mensagem» enviada para a Herdade do Esporão revelou-se frutífera e, uma semanas depois, após alguns contactos eletrónicos e telefónicos, estávamos à frente do Dr. José Roquette, que nos referiu ter duas caixas, na verdade duas «latas», com documentos que pertenceram ao Visconde de Alvalade, seu trisavô e avô de José Alvalade. Era documentação que estava numa casa na rua do Carmo, usada pelo Visconde para pernoitar quando vinha à ópera ao S. Carlos e não queria empreender a viagem de regresso até à Vila Holtreman no Lumiar. Era documentação totalmente desconhecida e que aclarava alguns aspetos dos primeiros anos da vida do Sporting.

Tudo somado, estávamos perante a perspetiva de uma nova História do Sporting Clube de Portugal. Não de uma rescrita, mas de um apuramento exaustivo, maximamente baseado em fontes primárias da época, da sua história, dos factos, dos lugares e das circunstâncias em que o clube nasceu e se desenvolveu.

Quanto tempo demorou toda a investigação, análise de documentos e toda a investigação que apresentam neste livro?

A pesquisa específica sobre as origens do Sporting Clube de Portugal dura há pouco mais de dois anos, mas a pesquisa sobre as transformações operadas no campo desportivo e que permitiu enquadrar a primeira tem já quatro anos. A investigação sobre os primeiros tempos do Sporting coincidiu também com a perceção de que estava a iniciar-se o ano do centenário da morte de José Alvalade, que decorria entre outubro de 2018 e outubro de 2019 e que, em nosso entender, deveria ser assinalado de alguma forma. Por esse motivo, a História do Sporting, naquilo a que chamámos os Anos Alvalade, surgiu então de forma natural, como uma exigência do ponto de vista histórico e como uma forma de prestar uma homenagem a José Alvalade. A partir de então, a escrita do trabalho demorou cerca de seis meses, incluindo o debate entre nós, a reanálise de aspetos mais complexos ou contraditórios, as revisões e edição de texto. Diríamos, assim, que, por junto, as investigações específicas para este trabalho demoraram cerca de dois anos e meio.

 

Mais do que futebol, qual a importância do Sporting na história do país e na cultura da cidade de Lisboa?

A história do Sporting é imprescindível para se compreender a história do desporto português. O Sporting foi o primeiro clube a dispor de condições infraestruturais modernas. Foi provavelmente o primeiro clube português a pensar o futebol e o desporto em termos modernos, e a pensá-lo tendo por comparação o que se fazia lá fora. É célebre a frase de José Alvalade: «Gostava imenso que o nosso ficasse semelhante aos clubes estrangeiros e que ele não envergonhasse o nosso País». Alvalade ergueu, entre 1911 e 1914, o primeiro estádio português, vulgarmente chamado Stadium de Lisboa, que se tornou, pela sua feição polidesportiva e comodidade para o público, na verdadeira sala de receção dos principais eventos desportivos e culturais ao ar livre da capital. Possuía uma pista para corridas de atletismo e um velódromo para ciclismo, com as inclinações técnicas e as exigências dos melhores velódromos estrangeiros. O Stadium permitia condições excecionais para a prática desportiva e constituiu um impulso decisivo para o atletismo e o ciclismo em Lisboa; não foi por acaso que o Sporting ganhou os seus primeiros troféus oficiais nestas duas modalidades, em 1910 no atletismo, em 1912 no ciclismo. Era um estádio em forma oval, à maneira olímpica, o primeiro inteiramente construído em pedra em Portugal e que dispunha de uma espécie de porta da maratona que servia de entrada às delegações em desfiles ou à chegada de atletas de provas exteriores concluídas dentro do estádio ‒ muito semelhante ao Estádio Nacional construído 30 anos depois. Possuía uma arquibancada central coberta e bancadas de «peão» na curvatura dos dois topos. Integrava um complexo desportivo com vários pavilhões de apoio, vestiários, balneários, ginásios, salão de conferências, salas de receção, baixios desafogados, tribunas, enfermarias, etc., incluindo equipamentos para atletas femininas. A sua pista, abrigada do sol e do vento, era maior que a de Estocolmo, onde se realizaram os Jogos Olímpicos de 1912. Julga-se, aliás, que foi influenciado pelo Stadium de Berlim, que tomou como modelo. Depois da construção do Stadium, foi necessário esperar 30 anos para ver surgir um recinto desportivo com semelhante grandeza. Foi em 1944, com a inauguração do Estádio Nacional, nos terrenos do Jamor. Na época de que o livro se ocupa – falamos, grosso modo, das duas primeiras décadas do século XX – o surgimento do Sporting acompanhou as grandes transformações do campo desportivo e do seu paradigma moderno que ocorriam nos meios urbanos, muito particularmente em Lisboa. O Sporting integrou o processo mais geral de emergência da cultura de massas, motivado quer pelo aumento demográfico que se registou nessas décadas, quer pelo crescimento de novas atividades sociais e novos setores socioprofissionais no contexto urbano, contribuindo, por exemplo, para o movimento de expansão urbana para norte e oeste da capital. A cidade, enquanto grande aglomerado de massas, contribuiu para a formação de novos hábitos de cultura e lazer, criou novas estruturas para o espetáculo e, em geral, assistiu-se a uma democratização nova de toda a vida social, incluindo a cultura e o desporto, sendo o Sporting um dos seus principais rostos.

 

Para os mais novos, ou menos informados, quem foi José Alvalade?

Diríamos, relativamente ao Sporting, que José Alvalade, além de fundador, foi o fundador fundamental. Era um jovem que, desde a sua infância, foi aconselhado a praticar desporto e exercício físico por razões de saúde. Sabemos que padeceu de doença grave em criança, muito provavelmente de índole respiratória, o que levou os médicos da família Roquette a aconselhar que seguisse «os exercícios higiénicos ao ar livre, as práticas desportivas descuidadas mas leves, e toda a fineza do ar que se respira nos jogos em campo». Há cartas da mãe, Josefina, para o seu pai, o Dr. Alfredo Holtreman, futuro visconde de Alvalade, que dão conta das debilidades de saúde do seu filho «Josezinho». Foi, assim, que José abandonou Salvaterra de Magos, onde a família Roquette vivia, sendo recebido em Lisboa pelo avô, que há anos morava no interior da capital, e que, por via dos cuidados a assegurar ao neto, veio a mudar-se para o Lumiar, no limite norte da cidade, onde tinha uma propriedade numa parcela a sul da vasta Quinta das Mouras. O avô acolheu-o, dando-lhe uma educação esmerada com mestres ao domicílio e uma aprendizagem humanística diversificada. Tornou-se, assim, um indivíduo informado, culto mesmo, de escrita clara e elegante, que lia com assiduidade autores estrangeiros que assimilava de forma crítica e criativa nos aspetos que mais lhe interessavam, nomeadamente sobre a prática do exercícios físicos, sobre a terapêutica médica através do desporto e também sobre as novas formas de organização desportiva. O resto, sobre a vida, a obra e o pensamento de José Alvalade, será objeto de uma biografia, completamente inédita, que está já praticamente concluída e que contamos seja publicada em breve.

O Sporting foi sempre conhecido como clube eclético. Isso esteve sempre na génese do clube, desde a sua fundação?

O Sporting, por força da enorme influência que a figura de José Alvalade teve na sua criação, foi concebido, desde o primeiro momento, como um clube com uma grande diversidade de modalidades. Esse foi, aliás, o escopo inicial prosseguido por José Alvalade e pelos restantes «pioneiros». O Sporting dispôs, desde cedo, de campo de futebol, courts de ténis, campo de críquete e recintos para os «sports atléticos», ou seja, o atletismo, a que se juntou pouco depois o ciclismo, que conseguiu de rompante muitos títulos para o clube. O Sporting cultivou sempre o desporto total, sendo esse um dos valores distintivos em que alicerça a sua identidade. Olhar para a história do Sporting como um todo pressupõe a verificação de que essa totalidade e essa diversidade estão, desde as origens, inculcadas no seu perfil, tendo sido mantidas até hoje. O pensamento de José Alvalade centrava-se no profundo debate ideológico que no princípio do século se travava em Portugal sobre a «decadência da raça», procurando contrariar o «carácter português» que reputava de «orgulhoso e sobretudo pouco paciente». Essa ação passava por «educar o indivíduo, quer desportivamente, quer moralmente», num enquadramento social que Alvalade desdobra em três tópicos fundamentais: o desporto para todas as classes, o desporto para todos os géneros e o desporto para todos os indivíduos, ou seja, um desporto de massas. Não dispensava a escolha dos melhores para a prática da competição, zelando para que pudessem manter um regular adestramento físico e técnico nas melhores condições e com os melhores meios. Advogava que a prática desportiva não se destinava apenas a um «número limitadíssimo» de «mestres» ou «meia dúzia de indivíduos com probabilidades de êxito», a sua prioridade dirigia-se até mais para «os que principiam [… pois] são estes os que mais necessitam de estímulo». Em suma, toda a conceção de desporto sustentada por José Alvalade está nos antípodas de um conceito elitista, que, aliás, tem sido demasiadas vezes associado ao Sporting, que é olhado apenas pela origem social dos seus fundadores e por algumas condições estatutárias iniciais de admissão de sócios, quando afinal se sabe que todos os clubes foram fundados pela alta burguesia urbana… O Sporting abriu-se sempre a atletas de todos os estratos sociais, de todas as idades, de todos os géneros, sendo pioneiro do desporto feminino, proporcionando uma efetiva igualdade de oportunidades na prática desportiva. Além do meio capaz de generalizar o ensino das práticas desportivas e o adestramento físico regular e sistemático, Alvalade via o clube como uma forma de sã convivência entre membros, no respeito pela diferença, e com o sentido de lealdade e de companheirismo, o sentimento de pertença a uma família associativa, o fairplay e a verdade desportiva na competição, os quais vêm a inscrever-se nos valores fundacionais do Sporting.

O que esperam que este livro traga aos sportinguistas, aos amantes de desporto ou simples amantes da leitura?

Esperamos que os sportinguistas se possam rever nesta história do seu clube e que, quer eles, quer todos os outros possam usufruir de uma história do Sporting factualmente sustentada em fontes e analisada diacronicamente, em circunstâncias históricas precisas, com factos apurados até à exaustão, com a máxima aproximação ao passado, com rigor e deontologia, sem anacronismos, sem facciosismos nem distorções de conveniência. Não é por acaso que este livro, com cerca de 250 páginas, tem um «aparato» de cerca de 500 notas que remetem para as fontes de informação de tudo o que é afirmado. Elas são o alicerce do livro. Pode, assim, dizer-se que esta é a primeira história de um clube português escrita por historiadores ou por gente com formação em História, e que convocaram também a Sociologia para melhor compreender a realidade analisada. As notas, porém, são remetidas para o final, pelo não mexem em nada com o fluir normal da narrativa. Houve também, a par com o rigor, a preocupação em fazer uma história legível e compreensível, escrita de forma simples e que possa chegar às pessoas, mas sem facilitar no que se refere ao rigor dos factos. É ainda uma obra profusamente ilustrada, cujas legendas são mais informativas e explicativas do que descritivas, o que permite dois níveis de leitura, um mais profundo, o do texto do miolo, outro mais ligeiro, o do texto das legendas, conseguindo-se com ambos se uma abordagem à narrativa do que foram os primórdios da história do Sporting.

Acham que o actual clubismo exagerado (sem referência a qualquer cor específica) não permite que valorizemos, por exemplo, a história e importância de uma entidade como o Sporting Clube de Portugal para o país?

O atual clubismo, sobretudo ao nível dos adeptos, e por vezes das estruturas diretivas e de comunicação, é manifestamente exagerado. Este livro, se quem o receber assim o quiser, pode ajudar a mitigar o clubismo, privilegiando antes as dimensões da competição e da rivalidade sãs. Histórias como o primeiro desafio internacional da história do Sporting, a partida de futebol disputada, em 1910, com o Recreativo de Huelva, em que o clube opta por chamar jogadores de outros clubes, sobretudo do Benfica, que envergam a camisola leonina, é uma prova de como a rivalidade era vivida nesses primeiros tempos. É, aliás, esse o espírito hoje das seleções nacionais, pois na verdade aquela equipa foi uma espécie de seleção de Lisboa.

A história de um clube é essencialmente conhecimento da sua memória e da sua identidade. Mas não basta que se pesquise, se reflita e se publique em livro essa história. É também importante, do ponto de vista educativo, recorrer às novas tecnologias, ou mesmo às «velhas» modernizadas para que essa memória e essa identidade sejam divulgadas. Pensamos, por exemplo, na função dos museus dos clubes. O Museu Sporting, que foi aliás o primeiro a ser criado em Portugal, deve ter esse papel educativo, pedagógico e didático na divulgação da história do clube, pois ele é o guardião privilegiado da memória e da identidade do clube. Não pode ser apenas um repositório de taças, troféus e galhardetes, mas o espaço insubstituível de divulgação, reconstrução e visualização da história centenária do Sporting.

Qual o facto da história do Sporting Clube de Portugal que mais surpreendeu?

Vários factos nos surpreenderam e são várias as correções e precisões que fazemos ao longo do livro. Não há nada de revolucionário para a história do Sporting mas há muitas correções e precisões «miúdas» e pequenos factos novos. Sabíamos já que existiam incorreções, falhas e omissões, e até «lendas» na história do Sporting. Sabíamos que a maior parte delas se deveram à ausência de crítica das fontes disponíveis e mesmo à sua referenciação, o que nos obrigou a um enorme trabalho de sapa quer para as identificar, que para, dentre elas, joeirar e distinguir o trigo do joio, factos verdadeiros e passíveis de serem verificados de outros que constituíam «lendas», que de tantas vezes repetidas acabam por passar por «verdades». Procurámos ainda, além de reanalisar o que existia, problematizar. Desses factos novos, damos dois exemplos, mas há outros. O da data da fundação do clube, fixada e tornada «oficial» em 1920 como tendo ocorrido em 1 de julho de 1906, data definida pela vida económica dos primeiros estatutos, quando afinal uma criteriosa relação de informações datadas ou datáveis e a sua rigorosa localização no calendário desse ano nos permitiu com mais precisão saber que o Sporting Clube de Portugal foi assim designado numa reunião havida num sábado, dia 9 de junho de 1906, sendo, por isso, mais correto considerar essa segunda data. É uma precisão de semanas, mas que introduz rigor. Outra é o processo de afastamento de José Alvalade do clube, tendo chegado ao ponto de este pedir a demissão de sócio, que acreditamos deve ter sido proposta mas não deve ter sido aceite. O afastamento de José Alvalade, desgostoso com a oposição interna que lhe foi movida, foi mais profundo do que a «historiografia» leonina tem mostrado, como se esconder conflitos e dissensões internas abrilhantasse a sua história, quando a história das instituições e dos clubes é exatamente como é, ou seja, com páginas de glória e com páginas negras, com épocas de brilho e momentos de ocaso.

Este é um livro apenas para sportinguistas? Qual esperam que seja a reacção de adeptos de clubes adversários?

É, antes de mais um livro para sportinguistas, escrito com a ideia de que os sportinguistas merecem dispor de uma história rigorosa dos primeiros tempos do clube. Mas não se destina apenas a estes porque é um livro que integra a história do Sporting no contexto da história do desporto em Portugal e, mais ainda, nas condições sociais que a tornam compreensível no seu tempo histórico. Há neste livro naturalmente, e como não podia deixar de ser, referência a diversos outros clubes, entre os quais, claro está, os seus arquirrivais, Benfica e Futebol Clube do Porto, quando estes se cruzam com a narrativa histórica do desporto português e do Sporting Clube de Portugal em particular. São clubes que surgiram num mesmo tempo histórico e são dos poucos clubes que nas respetivas cidades sobreviveram desses primeiros tempos em que os clubes apareciam e se extinguiam de uma forma meteórica. Por terem surgido num mesmo tempo histórico, acabamos por abordar as origens quer do Sport Lisboa e Benfica, quer do Futebol Clube do Porto, também elas estribadas em fontes, devidamente auditadas, analisadas e interpretadas. Não queremos com isto polemizar mas apenas esclarecer e aclarar o aparecimento dos três maiores clubes portugueses que surgiram – sublinhamos – num mesmo tempo histórico, que resistiram e persistiram e com os quais o Sporting sempre rivalizou.

Quando apresentaram este livro ao Sporting? (Tendo em conta que o mesmo é um produto oficial licenciado)?

O livro foi apresentado ao Sporting há talvez uns seis meses pelo Dr. José Roquette, que efetuou todos os contactos com o Sporting. Já depois de editado foi apresentado oficialmente no dia 10 de março, numa sessão no auditório do Museu Sporting, que contou com a presença do presidente do clube, Dr. Frederico Varandas, do vice-presidente, Dr. Francisco Salgado Zenha, e do Dr. José Roquette que, desde o seu início, acolheu este projeto de forma entusiástica e ao qual queremos deixar expresso de um modo particularmente enfático o nosso público agradecimento.

Se definissem este livro em apenas uma única palavra, qual seria?

Rigor.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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