IndieLisboa promete o “melhor e mais recente cinema nacional e internacional”

 

 

A 16ª edição do Festival Internacional de Cinema, IndieLisboa, foi apresentada à imprensa no dia 2 de Abril. A programação está agora disponível para consulta aqui .

O Infocul entrevistou Miguel Valverde, por parte do IndieLisboa, para dar a conhecer quais as grandes novidades deste certame, qual o orçamento, como é feita a comunicação, o objectivo em termos de público e o custo de cada edição e ainda aquilo que os espectadores não devem mesmo perder. A edição deste ano realizar-se-á de 2 a 12 de Maio.

 

 

Quais as grandes novidades para a edição deste ano do IndieLisboa?

A nova edição abre com o refrescante e divertido último filme de Harmony Korine e fecha com o novo filme de Nadav Lapid, urso de ouro em Berlim 2019, que navega sobre questões de identidade e reinvenção pessoal. O festival mantém a sua matriz de programação intacta, atenta na revelação dos novos valores do cinema de autor e acompanhando os mais recentes filmes dos realizadores consagrados e coloca de novo em diálogo diferentes gerações de autores e de diversas geografias.

 

 

Quais têm sido os maiores desafios na manutenção e crescimento do festival?

Numa estrutura de programação que se encontra consolidada e estável, o festival reinventa-se na forma como é produzido e na forma como comunica com o público. O reforço de espectadores está intimamente ligado ao modo como o festival é pensado para ser uma experiência total e como se adapta a novas formas de comunicação, procurando novos públicos. Queremos que as pessoas venham ter connosco, mas não deixa- mos de procurar ir ter com os potenciais espectadores.

Medidas ensaiadas no ano anterior como a aposta e o reforço na comunicação digital e na distribuição dos materiais, novas ideias criativas de comunicação como a utilização de um carro com sistema megafone a anunciar o festival, a criação de cadernetas earlybird, o convite a artistas emergentes como Conan Osiris, capazes de mobilizar um grande número de público para as festas grandes do festival, ou a escolha de locais não convencionais para as mesmas festas são apenas alguns dos exemplos de reinvenção que se quer permanente e continuará em 2019.

Qual o orçamento deste ano e quais os principais apoios?

O IndieLisboa’19 contará com um orçamento de cerca de 1.136.648,76 euros. Neste valor previsto (que terá ainda alterações até ao festival), 43,02% são investimento financeiro, enquanto 56,98% são apoios em bens e serviços. O orçamento revela um pequeno aumento tanto do investimento financeiro, quanto do investimento não financeiro, comparativamente à edição anterior.

 

 

 

Em termos de programação, o que é que o público não deve mesmo perder?

Destacaríamos a programação dedicada aos Heróis Independentes: Anna Karina, numa homenagem a uma das mais icónicas actrizes do cinema moderno (organizada em parceria com a Cinemateca Portuguesa), e o Cinema Brasileiro, num olhar crítico e atento sobre uma produção audaciosa, politicamente desperta e resistente aos tempos turbulentos que se vivem no Brasil, junta-se este ano o foco dedicado à obra da dupla Caroline Poggi e Jonathan Vinel. Além de se mostrarem todos os seus filmes, onde se inclui a sua primeira longa Jessica Forever, que estará em competição internacional, foram desafiados para uma carta branca que se revelou surpreendente. Em vez da habitual selecção de filmes preferidos, a escolha recaiu numa performance videojogo e musical. Um jogo de vídeo criado de raíz e jogado ao vivo pelos performers, que se mistura com cinema e música criada em tempo real, que encerra o foco.

Além das sessões de cinema, não podemos deixar de salientar todo um conjunto de actividades paralelas que, como habitualmente, enriquecem o festival e o tornam um espaço de partilha, discussão de ideias, descoberta e de festa. Algumas dedicadas a um público profissional ou específico, como as Lisbon Screenings, o PLOT, o Fundo de Apoio ao Cinema ou o Cineclube, e outras abertas a todo o público do festival como as LisbonTalks, as masterclasses ou o IndiebyNight que continua a dialogar e a ser contaminado de forma directa pelos filmes do festival, principalmente da secção IndieMusic, e onde este ano poderemos assistir a uma noite histórica com um concerto que junta várias gerações de algumas das mulheres que fizeram e estão a fazer a história do rock em Portugal: Lena d’Água, Adelaide Ferreira, As Gaijas, The Dirty Coal Train, Anarchicks, Panelas Depressão, Clementine, Decibélicas, Matriarca Paralítica e Aurora Pinho.

Como funciona todo o trabalho de produção e escolha de filmes?

A 16ª edição do IndieLisboa vai trazer aos espectadores portugueses o melhor e mais recente cinema nacional e internacional. De um total de mais de 4500 filmes recebidos, o festival selecionou 270 (86 longas e 184 curtas metragens) para as várias secções do festival. O processo de angariação e selecção de filmes arranca logo após o final de cada edição e passa não só por um trabalho pró-activo de visita a festivais e procura de títulos, mas também pela criação de redes de comunicação que nos permitam chegar ao maior número de potenciais interessados em mostrarem o filme no festival. Após a recepção de candidaturas, o trabalho é ver e escolher os filmes, agrupando-os nas linhas que traçamos para cada secção.

 

 

O cinema é valorizado em Portugal?

Acreditamos que sim e acho que a existência de diversos festivais de cinema e outros eventos ligados ao sector de norte a sul do país são uma prova disso. Será também prova disso o facto de a cinematografia nacional ter cada vez mais atenção de media e público tanto a nível nacional como internacional. No caso do IndieLisboa, este ano são mais de 50 filmes portugueses distribuídos pelas várias secções do festival, numa aposta assumida no cinema nacional que se tem renovado a cada ano. Se olharmos para o cinema português dentro do festival como um todo, este é o espaço com o maior número de espectadores em sala, o que muito nos orgulha pelo trabalho que fazemos a cada edição.

O que ainda falta fazer no IndieLisboa e quais os objectivos que querem alcançar nas próximas edições?

O objectivo do IndieLisboa passa sempre por garantir uma programação relevante e actual que sirva não só como um espelho do cinema que se está a fazer nesse ano e, com isso, antecipe tendências, mas também como um espaço de reflexão para os temas que marcam a actualidade social e política do mundo. Esperamos também que, com as diversas apostas em programação paralelas, o reforço em secções vitais como IndieJúnior e a criação de novas formas de apresentar os filmes possamos criar um novo público para o cinema e fazer chegar novas linguagens estéticas e cinematográficas a cada vez mais pessoas.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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