João Pedro ‘Açoriano’: “O Touro fez-me saber o verdadeiro sentido dos valores e da humildade””

João Pedro é bandarilheiro. No mundo tauromáquico é conhecido como ‘Açoriano’, por ser natural dos Açores, mais concretamente da Ilha Terceira.

Com 18 anos veio para o continente, para completar os estudos e concretizar o sonho de ser toureiro. Aos 33 anos, concedeu entrevista ao Infocul.pt para falar sobre a arte tauromáquica, a influência de outras artes na sua actividade e os valores que o guiam (e tão em desuso na sociedade actual).

Atrás, o que é referido como entrevista deve ser interpretado como conversa. Porque João Pedro falou da alma e as almas não se entrevistam. Descobrem-se através da partilha.

Nesta conversa, o sangue que existe é o que provém do esforço de um jovem que partiu das suas raízes para conquistar um sonho. Mas é no regresso às origens que encontra o seu porto seguro.

E todos os sonhos são válidos, porque não se regem por gostos ou limitações de liberdade mas pela determinação de cada um em alcançá-los.

Esclarecimento prévio: Na tauromaquia, quase nunca dá-se a importância devida aos bandarilheiros. E foi esse o ponto de partida para esta entrevista. Esse e o gosto por outras artes que influenciam o homem e o bandarilheiro que hoje é João Pedro, ‘Açoriano’ para os aficionados.

A Arte de Bandarilheiro

João Pedro começou por explicar o que é e qual a importância de um bandarilheiro, mas antes fez uma ressalva: “Primeiramente temos de entender uma coisa, todo e qualquer interveniente na lide de um touro tem a sua função e importância. Não vamos em desprimor deste ou em valorização de outro, colocar em patamares diferentes de importância, todos são importantes no papel que desempenham”.

Sobre os bandarilheiros, começa por recordar que “antigamente, isto parecem pormenores sem importância mas são detalhes que fazem a diferença e nem sequer o digo por vaidade, os cartazes tinham o nome dos cabeças-de-cartaz e depois o nome dos bandarilheiros que os acompanhavam. Ou seja, tinha-se a noção de que o bandarilheiro era um toureiro e que merecia a sua importância e dignidade, e isso começava pelo facto de o nome aparecer no cartaz. Hoje já não, aparece ‘respectivas quadrilhas de bandarilheiros’. Com todo o respeito, é como se fosse ‘respectiva equipa de cavalos, o condutor do camião, etc…com o devido e merecido respeito que o merecem todos os quantos fazem parte, à luz ou nos bastidores de uma corrida de toiros, atenção. Perdeu-se um bocadinho esse amor-próprio e respeito para com o bandarilheiro. Isto sabendo que os grandes toureiros sempre fizeram-se acompanhar pelos bons bandarilheiros”.

Acrescenta que “nos casamentos, por detrás de um grande homem há uma grande mulher. Na tauromaquia, por detrás de um grande toureiro há um grande bandarilheiro. Não só a nível pessoal (onde vê um amigo com quem pode confiar, aconselhar-se, desabafar e ter aquele equilíbrio anímico) como a nível técnico (no campo, nos treinos, dentro da praça, ajudando o toureiro, a atingir o triunfo, porque o trunfo do toureiro será o triunfo de toda a quadrilha). E essa ajuda no momento exacto, faz toda a diferença. Não queremos que desvalorizem os bandarilheiros, mas também não queremos os louros no fim, porque o maior triunfo de um bandarilheiro é o triunfo do toureiro”.

Na sua opinião, “o que falta aos toureiros de prata, bandarilheiros, é por culpa da própria classe que perdeu um pouco de categoria e educação taurina, do que é saber estar dentro e fora da praça. Penso que tem de haver a ideia de que ‘Eu sou toureiro e vivo para o touro’, do que ter a ideia de que ‘Sou capinha e vou lá num biscate ou passar uma tarde’. Tem de se viver o touro e para o touro, dando-lhe a grandeza, categoria e respeito que esta liturgia da lide merece e impera”.

Sobre o ofício e a arte dos bandarilheiros, elucida de que “aquilo que vemos dentro de uma praça é como se fosse a ponta do icebergue. Há toda uma preparação, chamada de defeso, onde há várias vertentes que podem e devem ser tidas em conta”.

O grande trabalho durante o defeso, e também na temporada, é ver em que momento estão os cavalos, até que ponto determinado cavalo pode ir, as suas limitações, corrigir algum defeito, qual o tipo de touro que melhor se adequa àquele cavalo. Dentro disso, que cavalo se adequa a determinado tipo de touro e determinado tipo de ganadaria ou a determinada praça. Ou seja, são uma série de matizes que são precisas jogar ao nível do cavalo, do touro e do estado anímico do toureiro. Eu conhecendo o meu toureiro, sei que há tardes em que ele está pronto para qualquer situação limite, mas também há dias em que não está bem (não somos máquinas) e aí somos mais necessários para complementar. Temos de estar sempre a par do que se passa e depois dentro da praça ter o discernimento para saber interpretar o touro e entender o público daquela praça, por exemplo se gosta mais do momento do arriscar ou do momento da verdade e portanto sabemos que temos de fazer aquilo. Cada praça, cada touro, cada lide, cada tarde, são episódios distintos de uma bonita novela romântica. E agora juntar estas matizes todas é complicado, porque para quem está na bancada pode parecer uma lide normal mas quem está lá dentro tem uma visão diferente”, descreve sobre toda a preparação e conhecimento que deve envolver um bandarilheiro.

Os bandarilheiros são muitas vezes os alvos predilectos dos aficionados, devido à sua acção na arena. João Pedro começa por explicar que “como em tudo na vida, tem de haver um ponto de equilíbrio tanto no elogio como na crítica e que se intervimos em momentos pontuais, será sempre sob ordem prévia ou momentânea do toureiro”.

A Beleza, As Críticas e o Amor à Arte

Sobre si, disse que “posso gabar-me, salvo uma ou outra excepção, sempre fui bem tratado pelo público. Tenho o orgulho e a honra de ser acarinhado pelas pessoas. Sou mais criticado e afectado pelos de dentro: por um ou outro colega, toureiro. Mas é algo intrínseco ao meio, e aceito-o naturalmente.”.

Considera que as críticas que os seus pares lhe fazem são fruto da “postura que tenho dentro e fora da praça. Não se pode confundir amor-próprio e orgulho toureiro com falsa modéstia ou presunção. Sempre se disse que o Toureiro tem de ser Vaidoso. Não por uma vaidade arrogante, mas pelo brio e orgulho que tem em ser toureiro, artista. E muitas vezes confunde-se isso com uma postura falsa, de ir a uma praça de touros como se fosse uma passagem de modelos. E não é! Para se jogar a vida na cara de um touro, tem de se amar o que se faz. E fazendo-o, faço galhardamente, apaixonadamente, intensamente. Ainda há dias via uma reportagem do maestro Rafael de Paula em que ele dizia que ‘o toureiro está órfão de toureria’. A toureria é um bocadinho esse garbo, esse romantismo e se dentro do romanticismo não fazemos as coisas com paixão, entrega e total descaramento, as coisas não têm sabor. Ir a uma praça para pregar passes ou estar a olhar para os ‘tendidos’ isso não! Acima de tudo sou toureiro , e um toureiro tem de sentir o que faz. E sei que a linha é ténue, para quem está de fora e não entende ou não queira entender, confundir com vaidade ou presunção”.

João Pedro é cuidadoso com a sua imagem e tem constantemente associada a si uma ideia de beleza. Perguntei-lhe se a beleza poderia ser um dos motivos dessas críticas. “Um toureiro antes de ser, tem de parecer (quase um dos mandamentos do toureio)! E tem de cuidar de todos os detalhes dentro e fora da praça. Uma das situações que pode parecer contra-producente nesta tradição a nível de valores tão arcaica, é a exposição nas redes sociais. Uma imagem minha nas redes sociais não é entendida, por eles, da mesma forma que eu”, começou por dizer.

Essa postura, nas redes sociais, reflecte “o amor que eu tenho à arte e isso chamou a atenção de taurinos e não-taurinos. Há não-taurinos que cativei, mesmo eles nada ligando à tauromaquia ou sendo inclusive contra a Festa. Cativar os não-taurinos através do encanto e da beleza da parte física,  estética e da forma cuidada como se lida com os pormenores é confundido e mal interpretado, porque como bandarilheiros  somos vistos como o parente pobre ,foge ao que é normal um ‘capinha’ ou ‘prega-passes’ fazer, porque não é um cabeça-de-cartaz, logo colocado num patamar inferior e subjugado”.

Assume que “eu tento fazer o inverso do que a tauromaquia faz, ou seja, a tauromaquia é muito fechada sobre si própria e muito para si, e eu exponho a parte criativa, estética, de ritual. E se o fizermos de forma inteligente, acredito que a pouco e pouco os menos taurinos consigam perceber, mesmo que não se encantem por isto, entendam. E que vejam a figura do toureiro como algo perfeitamente normal e natural na sociedade que vivemos e merecemos o mesmo respeito que qualquer outro artista”.

João Pedro pega mesmo na parte histórica e recorda que “na sociedade actual, praticamente o toureiro não aparece. Antigamente (e isto está registado em fotografias livros, filmes…) os toureiros faziam parte do cinema (em Espanha filmes como Currito de la Cruz, Sangre y arena, Juncal, El niño de las monjas, em Portugal Sangue Toureiro, Sol e Toiros), das novelas escritas por Ignacio Sanchez Mejías, matador de toiros e cunhado de Joselito El Gallo. No tempo do Cordobés, Dominguín,  e Ordóñez davam-se com a Ava Gardner, Ernest Hemingway, Orson Welles, Pablo Picasso, Dali, e as mais importantes personagens do meio artístico e nas áreas musicais (Sra. Dona. Amália Rodrigues), teatrais, cinematográficas eram conquistadas pela tauromaquia. E isto porque os toureiros conviviam no meio social, como artistas e importantes socialmente. Não se fechavam sob si próprios. O Toureiro era visto como uma estrela. Eu não quero fazer de mim uma estrela, nunca o quis. Apenas quero tirar o toureiro um bocadinho da escuridão e levá-lo à luz. Sem vergonha, com orgulho. Para mim, não há arte ou expressão artística mais bonita do que o toureio”.

Assume que “sempre soubemos que a tauromaquia foi elitista e selectiva. Mas parámos no tempo e hoje estamos a pagar a factura. Achavam que a tauromaquia por si só se sustentava, valorizava,  vendia e defendia, e que aquilo que acontecia dentro de praça era suficiente para atrair pessoas. E nesse aspecto a tauromaquia parou. Ainda há dias vi uma foto da alternativa do maestro Paulo Caetano, em Santarém, na qual a ilustre figura de Sá Carneiro fez questão de estar presente e descer à arena. Isto tem uma importância tremenda. Tal como nos anos 60, o Cordobés era amigo do Kennedy ou aparecia numa foto ao lado de dois dos Beatles. Havia importância e relevância social do Toureiro, como qualquer outra estrela da sociedade. Isso perdeu-se e devia recuperar-se. Porque que bonito era, chegarmos a um concerto da Mariza e nas fotografias do social aparecer aquele empresário, aquele músico, aquele político e aquele toureiro”.

A primeira conversa que tive com o João Pedro, há alguns meses, não foi sobre tauromaquia. Foi sobre teatro, no caso em concreto sobre ‘Severa-O Musical’ que na altura estava em cena no Teatro Politeama. Debatemos pontos de vista sobre a mensagem daquele espectáculo e o período temporal a que se referia.

João Pedro é um ‘artlover’, no sentido em que cultiva o seu gosto por diferentes expressões artísticas. E assume que se inspira nelas, para praticar a sua.

Mas não é caso único, relembrando que “os grande toureiros, de várias épocas, foram beber de várias fontes. Um dos toureiros que mais admiro, Luis Francisco Esplá, foi um toureiro catedrático e tirou curso de belas artes. E é um pintor extraordinário. Teve a capacidade de ir beber a outras artes, neste caso plásticas, para inspirar-se”, acrescentando que “todo o artista tem necessidade de ir beber a outras fontes, da mesma forma que artistas de outras áreas vêm beber à tauromaquia. Antigamente os toureiros portugueses eram frequentadores assíduos das casas de fado, do teatro de revista, etc… porque assim enriqueciam-se culturalmente e bebiam da inspiração de outras áreas”.

Da mesma forma que dá o exemplo do inverso, “a tauromaquia está implícita e explícita na pintura, escultura, poesia, música. E isto porque outros artistas vieram beber inspiração à tauromaquia. Por exemplo, podemos ver a ligação profunda, em Espanha, entre o toureio e o flamenco. Quer nas letras e coreografias inspiradas no toureio, quer na forma como os toureiros se inspiram ao ouvir flamenco”.

A amizade de mais de 30 anos com Rui Salvador e a importância de Carlos Amorim

Actualmente integra a quadrilha do cavaleiro Rui Salvador. A ligação e amizade com Rui Salvador tem 30 anos. Ultrapassa o Atlântico, as praças no qual actuaram juntos. É uma ligação para a vida. João Pedro falou dessa ligação e destacou ainda outro nome importantíssimo no seu percurso.

A minha relação com o Rui Salvador tem 31 anos, quase. A relação surge quando o meu pai integrava a comissão taurina das Sanjoaninas, no auge do Rui Salvador como toureiro em que chegou a ir 11 anos seguidos às Sanjoaninas (triunfava, repetia, triunfava, repetia…), e na noite de São João, a noite forte das Sanjoaninas, estávamos a ver as marchas e eu comecei a chorar porque não conseguia ver as marchas porque estava muita gente. Então, meteram-me às cavalitas do Rui Salvador e criou-se uma amizade com ele. Sempre que ia tourear aos Açores, era convidado da nossa casa. E sempre que vínhamos ao continente passar férias, por norma no início de Agosto, íamos a Tomar à casa dele. Este foi um elo de ligação que se criou de há 30 anos para cá”, começou por dizer.

Destacou, seguidamente, a importância de Carlos Amorim (apoderado de Rui Salvador). “Mas importantíssimo, no meio desta ligação toda, foi um senhor chamado Carlos Amorim. Foi quase como um segundo pai para mim. O meu pai disse mesmo: ‘O meu filho vai sair aqui dos Açores sem saber nada da vida, vai estudar para Santarém e ver dos touros, portanto Amorim olha por ele, porque não sei o que pode sair daqui’. Vai fazer 15 anos que cá estou e o Amorim nunca mais me largou”.

Recordou que Carlos Amorim “teve uma atitude muito corajosa há 12 anos, quando eu tirei a alternativa em Julho. O João Silva, da quadrilha do Rui Salvador, teve um problema cardíaco e foi obrigado a parar de tourear. O Amorim disse ao Rui Salvador, ‘vamos chamar o João Pedro para a nossa quadrilha’. Eu tirar a alternativa e passado um mês estar com uma figura do toureio, demonstra uma confiança e amizade que não se vê em mais lado nenhum. O voto de confiança foi enormíssimo. Foi uma responsabilidade muito grande para o Amorim e para mim. O Rui Salvador aceitou e não se arrependeu (creio eu)”.

A ligação profissional a Rui Salvador divide-se em duas fases: uma primeira de 2 anos e outra de 4 (que actualmente está em vigor).

A saída da quadrilha do cavaleiro ao final dos primeiros dois anos aconteceu porque “houve uma situação que tive de aceitar, uma questão interna. Não havia lugar para mim”.

Mas foi bom, porque temos sempre de ver o lado positivo, e neste caso aprendi que nunca podemos achar que temos o trunfo na mão ou que temos as coisas ganhas e melhorar cada dia. Foram sete anos que me fizeram crescer muito, pessoalmente e como toureiro. Porque deixei de ter lugar fixo, ter a protecção do Amorim (sou sincero) para o que desse e viesse, convivi em muitas casas e com muitas pessoas diferentes e em que não encontrei o respeito, a categoria e educação que se igualasse à casa do Rui Salvador. Tenho de ser honesto neste aspecto, é uma família. Tirando a casa do Duarte Pinto e Emídio Pinto (que são pessoas extraordinárias) que é de uma categoria e educação imensas e fora do normal”, acrescentou.

Mas, mais tarde a ligação voltaria a acontecer, “até que por outras questões internas, houve um ‘divórcio’ do Rui Salvador com a quadrilha e o Amorim foi chamar-me. E até hoje!

O tio como exemplo

Nascido na Terceira, como anteriormente referimos, João Pedro recorda-nos que “tenho um papel, com um ditado, da escola primária, sobre ‘O que é queres ser quando fores grande’. Tenho um irmão do meu pai que é bandarilheiro. Uns queriam ser doutores, outros arquitectos e eu escrevi ‘um dia quero ser bandarilheiro como o meu tio Rogério’. Nunca aspirei a ser nada, se calhar por falta de espírito de aventura, se calhar por falta de atitude, ou se quisermos ser duros se calhar por falta de ‘cojones’. Mas tive sempre em mente ser um bom bandarilheiro. E sempre me disseram que mais vale ser um bom bandarilheiro do que um mau matador de touros”.

Explicou-nos que “ser um bom bandarilheiro já é muitíssimo difícil. Ainda para mais se tens personalidade, se tens carácter, uma filosofia em que não vergas perante as circunstâncias, o caminho é muito mais difícil de trilhar. Não foi fácil, porque nos Açores, ser toureiro é muitíssimo complicado. Estás perante uma situação em que para fomentar ou dar uma bagagem prática e técnica a um toureiro que é muito, muito complicada. Não há ‘diestros’, não há referências, não há vacas suficientes para que se possa ganhar prática. Há corridas mas não em número, digno de realce, para que se possa evoluir como toureiro”.

E ao recordar o sonho, relembra a importância de voar. Neste caso, para o continente, “nesse aspecto, e os meus pais sabem disso, a minha vinda para a actividade académica foi uma falsa vinda. Eu tinha mais na ideia vir para cá, para ser um bom bandarilheiro e para ser toureiro. Embora a minha vida sempre tivesse ligada aos animais”. “Ia fazer 18, quando cheguei a Santarém”, acrescentou.

“Vim dos Açores sem saber nada, do touro
e da vida”

No continente, encontrou aquele que viria a tornar-se numa referência para si: João Pereira. E ao relembrar João Pereira, voltou a frisar a importância de outros pilares do seu percurso.

Tive uma grande referência, um grande mestre, chamado João Pereira. Tive 5 pilares na minha vida taurina, o meu avô Luís, de uma afición sem igual, que guardo com pena de nunca me ter visto vestido de luces, o meu pai que vê em mim espelhado o toureiro que nunca conseguiu ser. Depois um pilar inicial que foi o meu tio Rogério que era de uma rectitude, garra e perseverança imensas, como não vi em lado nenhum, foi figura de prata, aguentou o peso da Festa nos Açores e na Califórnia nos seus tempos mais duros, um autodidacta que nunca deixou perder uma batalha e só se retirou quando surgi eu. Tenho um pilar em termos de educação e saber estar, fora da praça e nos meandros da festa, que é o Amorim. E tenho um outro pilar que me levou a ser o toureiro que sou hoje, porque quando temos uma fonte vamos lá beber, que é o João Pereira que sabia muitíssimo do touro, sabia muitíssimo da técnica do toureiro e tinha um sentido estético e artístico completamente apaixonado”, explicou-nos.

De João Pereira, contou-nos uma história que envolve humor e mulheres à mistura. “Eu vim dos Açores sem saber nada da vida e ele vira-se para mim e diz: ‘Tens de dar um lance ao touro, como se estivesses a acariciar a mulher que estás loucamente apaixonado””. Confessa que naquela altura “sabia lá eu como se despia uma mulher”, acrescentando por entre gargalhadas de que “aos poucos e poucos fui-me apercebendo”.

Mais a sério, destaca que vive tudo com “um sentido tão apaixonado e com tanta entrega às coisas, voltando um pouco atrás, que as pessoas me interpretem mal, confundindo vaidade com o facto de fazer as coisas apaixonadamente”.

E é na paixão pela tauromaquia, que volta a mencionar um pilar no seu percurso. “Mérito teve o João Pereira, porque fui dos poucos (único que eu saiba) que desde que comecei de amador (em que não sabia nada) e até tirar a minha prova de praticante não toureei uma única vaca. Foi à base do que o João Pereira me disse: acreditar, acreditar, acreditar! Dizia que tecnicamente era assim, desta forma, tens de melhorar. Ele dizia-me de forma curiosa “chegaste aqui a estender roupa com as mãos penduradas, não sabias nada disto, e hoje já sabes qualquer coisa”. Ele é que foi o pilar que me fez acreditar que era possível. Ainda hoje a base da minha evolução e da forma de estar deve-se a ele”.

E por entre os obstáculos que foi encontrando no percurso, recorda Morante de La Puebla: “Há uma frase que o maestro Morante de la Puebla disse que é “tourear em demasia, dessensibiliza” . E o que quer dizer com isto? Como eu não toureava quase nada [em termos quantitativos], não toureava vacas, não ia ao campo, sempre que tinha oportunidade de estar diante de um touro, eu queria aproveitar aquilo como se fosse a última vez. Eu vivia aquilo de forma tão intensa, porque era feliz no que estava a fazer. Sabia que ia estar uma semana, duas semanas ou um mês sem ver novamente a cara a um animal. E isso fez toda a diferença. Ou seja, desde amador até praticante foi tudo na base do acreditar e do toureio de salão. No dia da prova, cheguei à Azambuja com o traje ao ombro e capote debaixo do braço, dizendo ‘Sou o Açoriano e venho tirar a prova de praticante’. Enquanto praticante toureei algumas coisas mas não naquele número que era aconselhável, posso dizer que tirei a minha alternativa sem ver um pitón. Foi muito na base de acreditar e na força mental. A Força Mental neste tipo de actividade é importantíssimo. Tanto é que, se calhar, em 365 dias do ano, eu toureio de salão em 340 dias. Foi sempre a minha base de me manter vivo taurinamente”.

Actualmente, explica-nos que “tenho colegas meus que acompanham matadores ao campo ou acompanham cavaleiros que toureiam muito e chegam a esta altura e têm 30 ou 40 vacas toureadas. A última vez que vi um animal foi em Outubro do ano passado. E toureei em Mourão a bruto, não estive bem. Queria ter estado melhor, não era aquilo que eu queria. Eu posso ter muita mentalização, ver muitos vídeos, ler muita coisa, mas sei que há momentos em que se nota a falta do animal”.

Perante a constante superação, luta, mentalidade e força que demonstrou para alcançar o seu sonho, questionei João Pedro como é que consegue acreditar em si, mesmo quando outros o tentam desacreditar. E também aqui, João Pedro foi à medicina (e à dança) buscar a resposta.

Há um médico-cirurgião espanhol, chamado Mário Alonso Puig, que faz muitas dissertações sobre a actividade mental e cerebral. Não apenas sobre aquilo que chamamos de emoções ou estados emocionais, mas também sobre a actividade hormonal e química que acontece dentro do corpo. Uma vez contou uma história sobre uma menina que era bailarina e dançava extraordinariamente bem. Um dia na cidade dela passou uma companhia de dança e estavam a fazer castings. Ela concorreu e fez uma exibição extraordinária. No final, chegou ao pé do director da companhia e perguntou se tinha futuro como bailarina. Ele respondeu que de maneira nenhuma. Ela ao ouvir isto, desacreditou-se de si própria, abandonou o sonho, casou, teve filhos e um emprego dito ‘normal’. Passados uns anos, a companhia voltou à cidade onde ela vivia, e através de uns conhecimentos, ela foi aos bastidores. Adorou o espectáculo e no final questionou o director da companhia se ele se lembrava dela e que lhe tinha dito há uns anos que ela nunca lá chegaria. O director respondeu-lhe que diz isso a todos. Ela disse que ele a fez desacreditar do sonho e desistir de tudo. O director explicou que é mais importante acreditarmos em nós próprios do que os outros acreditarem em nós”.

O toureiro apaixonado pela solidão

Revela que não demonstra o seu lado pessoal a “ninguém, ninguém. Nem eu quero”. Porque, “sou toureiro por amor próprio, porque sou apaixonado por isto. Não sou toureiro para que falem do João Pedro. Não sou toureiro para que alguém passe por mim e tire o chapéu. Sou toureiro porque amo aquilo que faço. Se em praça, conseguir emocionar as pessoas e transmitir o que faço à bancada, óptimo. Nunca posso esperar mais dos outros, do que aquilo que espero de mim. Amor próprio, superação pessoal, melhorar a cada dia e saber que sou capaz (pessoalmente, artisticamente e animicamente)”.

Além de que “sabendo que sou alvo constantemente de cavaleiros, colegas meus, alguns aficionados mais extremistas, eu sei que em algum momento vou conseguir tocar alguém e que alguém que está na bancada se emocione”, dando como exemplo “uma criança com 10 anos, de Alcácer, que sofre de uma doença muito grave, começou a ir às corridas de touros e a gostar disto por um simples detalhe meu. Essa criança que luta desde bebé pela vida, incuti-lhe que é o toiro que tem de enfrentar, com garra, com coragem, com valentia e alegria e jamais desistir. O significado dos olhos daquela criança a brilhar, por eu ter oferecido uma fotografia minha, vale e supera todas as críticas que dizem de mim”.

Sobre si, disse-nos ser “uma pessoa muito complexa, porque eu próprio sou complexo. Os meus amigos dizem que sou um gajo muito complexo, aliás para ainda hoje estar solteiro alguma razão deve haver. A parte pessoal engloba muita coisa, mas ao entender a vida, sendo toureiro, estou numa constante insatisfação (artística e pessoal) porque considero que as coisas nunca estão suficientemente bem”.

Sendo uma utopia, uma quimera, é raro eu sair de uma corrida satisfeito, porque procuro a perfeição e ser melhor a cada dia. Isso é muito complicado gerir e passa para fora. Eu quero ser perfeito na arte mais imperfeita que há. Exijo muito de mim, das pessoas que estão à minha volta e passo por estados emocionais muito delicados, com muitos altos e baixos. Qualquer momento pessoal que eu tenha, estará sempre ligado com o momento em que estou taurinamente. Se taurinamente estiver bem, pessoalmente estou bem. Se taurinamente estiver mal, pessoalmente estou mal”, acrescentou.

E a tauromaquia, tantas vezes associada a ideias preconceituosas ou pouco fundamentadas, teve em João Pedro a capacidade de o fazer “crescer muito e das coisas que mais aprendi, embora não seja essa a imagem que passa para fora, foi a humildade. Tens sempre de lutar e nunca pensar que já sabes tudo. O touro fez-me ser humilde. O touro fez-me crescer perante a adversidade. O touro fez-me seguir os valores, que hoje se estão a perder no meio, da educação, do respeito pelos mais velhos, da classe, da rectidão, da frontalidade. São coisas que, nesta sociedade tão fast-food, nos fazem estar em sentido contrário perante aquilo com que a sociedade nos presenteia”.

Falando do seu lado mais íntimo, assume ser “muito tímido, muito agarrado aos meus amigos. Os meus amigos e a minha família para mim são a base de tudo. Deixo muitas coisas para trás, pela família e pelos amigos. Sou um completo viciado na solidão. Onde me sinto bem, além de acompanhado pela família e amigos, é sozinho! Porque abstraio-me de tudo o que de bom e mau se passa à minha volta. Isso traz-me paz. É como se chegasses ao computador e fizesses ‘Control- ALT- Delete’ e siga. Sou capaz de passar um fim-de-semana fechado em casa, às escuras. Sou capaz de montar a cavalo e estar um dia inteiro no meio dos animais e não ouvir ninguém. Para depois voltar à selva, à guerra, que é este mundo. Quer na parte taurina, quer na sociedade em si”.

João Pedro explicou-nos que “há quinze anos, este menino da Terceira não tinha aspirações a nada. Cheguei a dizer aos meus pais ‘vou a Santarém, tiro o curso e volto para casa”. Completou o curso de “Engenharia de produção animal, na Escola Agrária de Santarém. Fui um dos melhores alunos do meu ano. Estagiei numa vacaria de leite, queriam que eu lá ficasse a trabalhar, mas ficar fechado numa exploração intensiva não era para mim. Tive a sorte, muita sorte, de me aparecer o emprego de sonho”.

Diz mesmo que “eu se pudesse só toureava” e que “das sensações mais bonitas que tive na vida, e rezo para que o telefone toque, é tourear no campo. Não há nada que me complete mais pessoalmente. Porque consigo conjugar a calma, o silêncio, a tranquilidade e um animal bravo”.

Recorda que “não ambicionava mais nada. Mas um toureiro se tiver ambição, vai subindo degrau a degrau. De amador a praticante; depois a alternativa; depois integrar a quadrilha do Rui Salvador. Depois de estar com o Rui Salvador, tentar fazer coisas diferentes. E depois veres o que os antigos faziam e tentares fazer, ir ao baú das memórias de uma tauromaquia tão rica. Isto é um túnel do tempo, em que não vês o fundo. Na vida nunca sabemos tudo, e sobre um touro muito menos. É o cativante desta arte”.

Mantém o mesmo emprego, fora da tauromaquia, há mais de uma década, até porque “formei-me em Santarém e fui directamente para uma grande herdade, em Alcácer do Sal. Essa herdade tem uma exploração de vacas mertolengas em extensivo, que é uma actividade apaixonante. Exerço a minha actividade profissional porque, como sabemos, viver do touro e da tauromaquia é impossível. Em Portugal é impossível, em Espanha há casos pontuais”.

E sobre o seu trabalho, destaque também para a capacidade de superação porque “aceitei o desafio, deram-me muita responsabilidade, colocaram um miúdo com 21 anos à frente de uma casa daquelas. Fazendo um paralelismo com o touro, colocaram-me na cara do touro, mas aguentei e superei as dificuldades. Já vai fazer 13 anos que lá estou e acho que não estou a fazer mal as coisas, caso contrário já me teriam mandado embora”.

Antes deste trabalho, recorda a sua experiência com animais: “o meu avô tinha duas vacas leiteiras e três bezerros à mama. Chego ali e tenho 700 animais para cuidar”, não evitando sorrisos ao recordar o percurso.

E nesse percurso, o silêncio assume destaque. João Pedro desvendou que “creio que sempre fui seguidor da teoria de que o silêncio dá todas as respostas. Isto, para mim. Nem todas as pessoas são iguais. Muitas vezes, num momento quente, complicado ou de crispação, a cabeça não pensa. E aprendi que é preferível parar, ouvir-se a si próprio, reflectir e então depois falar. Junto a isto outra filosofia, simples, e que digo às pessoas: muitas vezes é preferível ter paz do que ter razão. Sei que em muitos momentos da vida, o meu ponto de vista pode ser o correcto. Mas impor isso aos outros para ter razão, é inglório. Por isso, é preferível ouvir, passar ao lado e não entrar em confronto só para impor o meu ponto de vista. Podemos fazer um paralelismo com o touro: se eu agir de forma ríspida ou áspera para com o touro, ele reage de forma áspera; se eu for tranquilo, sereno e templado, o touro reage de forma templada”.

O Piropo de uma espanhola com 50’s que o deixou corado

Em toda esta conversa que manteve com o Infocul.pt, João Pedro fez sempre uma constante ligação entre o seu percurso pessoal e a sua actividade enquanto toureiro.

Confessando-se tímido, e tendo por base que os trajes de bandarilheiro potenciam a sensualidade, questionámos-lo sobre o elogio que mais tocou a sua timidez.

João Pedro começou por dizer que tinha sido “curioso e nem foi em Portugal”. “Em Espanha, estávamos entre tábuas e estava uma senhora com, aproximadamente, 50 anos ao lado do marido, na bancada. Eu passei pela senhora, mas nem a estava a ver, e ela diz: ‘Ei rapaz, que belo cu tens. Que coisa mais bela’. Corei de vergonha e fui para o outro lado da praça. Não estava habituado a piropos, uma senhora daquela idade e com o marido ao lado, pensei ‘ou a senhora viola-me ou o marido dá-me uma tareia”, acrescentou.

Isto numa fase em que “passados dois anos de estar no continente, coloquei-me [na quadrilha] com um toureiro, de Vila Franca de Xira, que era o Manuel Caetano [cavaleiro] e fizemos muitas coisas por Espanha, percorremos muitos ‘pueblos’ e nessa altura evoluí muitíssimo. Participámos num certame de ‘rejoneadores’ do Canal Sur e ganhámos o certame. Tivemos projecção televisiva e fomos tourear a muitos pueblos. Tecnicamente também evolui muito porque tive uma pessoa ao meu lado, que foi o João Boieiro (que me levou a ter algumas lições com os irmãos Badajoz, que pena tenho de não ter aprendido mais deles), que era o bandarilheiro mais velho que estava com o Manuel Caetano e que muito me aconselhou. Deixou-me tourear muitíssimo nessa fase e evoluí muito. Embora, agora continue a evoluir mas de forma mais gradual, mais pausada”.

E sobre a timidez, explicou ainda que “está relacionada com outras características como a cautela, o ser desconfiado. A timidez é um bunker onde estamos metidos. Por um lado defende-nos mas também nos limita de muita coisa. Se eu não fosse tímido e tivesse uma atitude mais arrojada e descarada, em termos taurinos até estava noutro plano. Porque não basta ser diferente, tens de ter a coragem e a competência de ser diferente. Se calhar não estaria aqui. Estaria onde sonho estar, que é em Espanha. Mas essa timidez fez-me ser cauteloso, pensar num passo de cada vez e permitir que não caísse no ridículo. O meu maior pânico é cair no ridículo. Há duas coisas que o toureiro nunca pode dar ao público: o ridículo e pena. O toureiro nunca pode dar ao público o sentimento de pena. E de ridículo muito menos. Se eu não fosse tímido, lá está, teria ido por um caminho mais folclórico e de menor respeito. Porque a timidez também é respeito. Eu respeito muito todo este ritual, esta liturgia da tauromaquia e este cerimonial”.

A Auto-Confiança e o “bom trabalho de casa”

O jovem açoriano assume que se lhe dessem a escolher entre ser boa pessoa ou bom toureiro, a escolha era óbvia: “Boa pessoa”.

E numa área que liga a vertente pessoal e profissional, confessa que “taurinamente, diz-se que as superstições têm uma relação proporcionalmente inversa à confiança nas suas capacidades. Tenho algumas superstições”, acrescentando que “sei que uma das minhas características, não visível à maioria, é a falta de confiança. Sei que a auto-confiança não é um dos meus pontos fortes”.

Diz que publicamente disfarça bem a questão da auto-confiança, porque faz “um bom trabalho de casa. Sou supersticioso mas não em demasia. Mas jogar com um touro é jogar com a vida. E jogar a vida diariamente, toca-te. Animicamente ou espiritualmente temos de nos segurar a qualquer coisa. Quando o touro sai pela porta, não sabemos se vem o triunfo ou a tragédia, a alegria ou tristeza”.

A Fé e o Exemplo para os Jovens

João Pedro terminou a entrevista abordando a sua “muitíssima fé. Nasci numa terra de fé. Posso dizer que se existe terra que tem mais devoção espiritual e religiosa, são os Açores. Está estudado cientificamente. Quando estudaram a história de os Açores” e explicando a associação entre as tempestades, vulcões, terramotos, isolamento geográfico e o facto e estas terem feito, do povo açoriano, “um povo muito crente e de fé, nomeadamente ao Divino Espírito Santo e eu fui criado nisso e desde criança que vivi todos os eventos religiosos que havia na minha terra. E continuo sempre ligado à fé. Acredito que algo nos protege e que nada neste mundo é por acaso”.

E foi sem receios e sem assombro que assumiu que, se o amanhã não existir, como gostaria de ser lembrado no futuro.

Sempre disse isto para mim próprio, nunca o revelei a ninguém. Eu gostava que o ‘Açoriano’ escrevesse uma página no mundo taurino, e não apenas português. Gostava! Gostava de ser lembrado como um toureiro, dos pés à cabeça. E um toureiro implica uma conduta, uma forma de estar dentro de praça, um respeito e uma categoria fora de praça, ter a capacidade de respeitar sempre o touro, os colegas, os cabeças-de-cartaz, o público, ter a capacidade de captar os jovens, ser um ídolo para os jovens (pelos valores perdidos na sociedade actual e orgulho em ser taurino). Gostava de ser recordado como alguém que aportou alguma coisa às gerações vindouras”.

(Larga Cordobesa, uma viagem ao passado inspirada numa pintura a óleo de Joselito El Gallo)

Curiosidades sobre o traje de bandarilheiro. É composto por: Capote de Passeio, capote, coleta, colete, jaquetilla, taleguilla, faixa, meias, sapatilhas, gravata. A diferença para o traje de matador de touros, resume-se ao facto de apenas poderem ser bordados a prata ou azavache. Já o dos matadores de touro pode ser bordado a ouro, prata ou azavache.

(Detalhes da jaquetilla, taleguilla, meias e camisa)

 

(Atando os machos)

Texto e Entrevista: Rui Lavrador
Sessão Fotográfica: Rute Nunes e Carlos Pedroso

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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