Jorge Fernando alerta: “Hoje parece que qualquer ritmo de bateria folk, que é americano, se está a confundir com o fado”

Fotografia: Jorge Fernando / Facebook

 

Jorge Fernando actua no Festival Santa Casa Alfama, a 28 e Setembro.

A actuação decorrerá no Palco Ermelinda de Freitas, no Rooftop do Terminal de Cruzeiros de Lisboa, integrando assim o festival que decorrerá nos dias 27 e 28 de Setembro e que celebra este ano a sua 7ª edição.

Em declarações ao Infocul revelou que, neste espectáculo, “será uma reflexão sobre aquilo que tenho feito durante estes anos que tenho estado no fado, cantarei os temas que as pessoas conhecem, mas nada de novo porque o disco que estou a preparar, sairá só para o ano e será um disco de duetos que eu vou fazer”.

Explica que “não é ir para o estúdio e fazer duetos. São os duetos que eu fui fazendo ao longo da minha vida, vou reunir todos num disco e inclusive com a Amália”, vincando o centenário do seu nascimento e os 20 anos da sua morte, mas afirmando que “prefiro celebrar o nascimento”.

Sobre o fado actual diz que “há fado que se mantém fado, há fado que muda a sua forma e mantém o conteúdo e há outro fado que de fado só tem o nome, mas isso é normal, desde que seja bem feito e bonito, cá estamos para o aplaudir. Mas acho que não podemos estar de costas voltadas para a inovação e para a criatividade, no entanto como diz o Piazzolla, ‘realmente nós podemos mudar a forma mas não o conteúdo’, e parece que muita gente de responsabilidade no fado está a esquecer este pormenor”.

Assume que “fui eu que trouxe as baterias para o fado, é um facto, já fui acusado por várias pessoas porque entendem isso mau para o fado. Quando o fiz eu fui buscar as baterias dos ritmos portugueses, o André Sousa Machado, que tocava com o Fausto, com a Brigada Vitor Jara, com os seus ritmos portugueses. Hoje parece que qualquer ritmo de bateria folk, que é americano, se está a confundir com o fado. Pode ser bonito, aplaudi-lo, mas chamá-lo fado é outra coisa”.

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