Jorge Rivotti: Lisboa a Sete despertará “Grandes Paixões por Lisboa”

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“Lisboa a Sete” é o sétimo disco de Jorge Rivotti e também um trabalho em que presta uma homenagem a Lisboa e aos seus encantos. Com sete faixas, Jorge Rivotti convida o ouvinte a apreciar as canções junto de uma lareira e com um copo de vinho tinto.

 

 

Em entrevista ao Infocul, o artista desvenda o processo criativo e construtivo deste novo trabalho em que se aprecia um instrumental “Cristo Rei”, viajando depois “Ao Largo”, por “Lisboa”. Este trabalho fica completo com “Decote no Bolso”, “Fugiu a Baixa”, “Santa Apolónia” que é o single de apresentação e ainda “Ao semáforo um navio”.

 

Jorge, quando começou a pensar neste trabalho discográfico que agora lança?

 

Não sei. A sério que não sei muito bem porque isto não foi um começar a pensar. Foi uma necessidade de andar. O texto diz. Tem um texto por trás, no disco, que fala um pouco sobre esta abordagem às canções e como elas foram feitas. Foram viagens por Lisboa e soube-me tão bem esses momentos de sol, de chuva, de nevoeiro, o que vocês quiserem… Souberam-me tão bem que acabaram por povoar canções. Como eu sou músico, gosto de arte em geral, sou um pouco… horizontal, não sei bem o que dizer disto, mas abarcar outro tipo de artes que não só a música… mas a música é muito forte na mesma. Naturalmente eu gosto de fazer canções, não só canções, gosto de fazer música em geral, tanto electrónica como música clássica. Tenho uma escola mais para o clássica do que para o pop rock, e se calhar também um bocado as canções acabaram por nascer por essa necessidade de ter não só este meu registo fotográfico mas também o registo sonoro. Ficou um pouco por ai. De facto não houve aquele dia de ‘Bora lá fazer isto!’. Não. Nada. Aconteceu.

 

 

 

Neste disco é clara a homenagem a Lisboa mas qual é a mensagem que quer que o público guarde deste disco e retenha a ouvir estas suas canções?

 

Grandes paixões por Lisboa. Eu tive sobretudo paixões por esta cidade. Tive uma experiência curiosa que foi durante 4 anos eu toquei…fui viver para um bairro, vivo em Alfama e há um amigo meu fotógrafo que abre um bar na mesma zona e o bar acaba por ser um laboratório das canções, digamos assim. Eu mostrava e depois iam-me dizendo sobre as canções. Agora é voltando um pouco á tua pergunta que era…exactamente, vou pegar nisso, exactamente quero que a sensação do passado de Lisboa, de estar em Lisboa possa ser, que este disco possa traduzir um bocadinho. Isto é a minha imagem, é aquilo que quero passar. Há um tema instrumental que se chama “Cristo-Rei”, que é no fundo o outro lado da cidade, a outra vista da cidade que é um pouco isso.

 

Dizem que é a melhor vista da cidade…

 

Não tenho dúvidas. Já tive lá várias vezes e vou lá por várias razões. Não tanto por uma questão religiosa, aquilo é um santuário, eu vou lá pela grandiosidade da imagem. Abraçar Lisboa. É um pouco isso.

 

 

Sente que, principalmente os Lisboetas que nasceram, cresceram e vivem em Lisboa ao ouvirem este disco vão sentir sensações que se calhar no dia-a-dia, com a correria diário e com a rotina acabam por não sentir? Acha que lhes vai dar uma outra perspectiva, um outro tipo de sentimentos sobre a cidade?

 

Eu gostava. Gostava que isto passasse no metro, nas estações do metro.

 

 

Em vez de termos aquelas publicidades passamos a ter música no metro?

 

 

Também, mas já houve. Já estive num festival que era “Música a Metro”, que foi no metro. Eu toquei no metro. Estava organizado. Eu toquei no metro do Cais do Sodré. Mas gostava exactamente que estas canções pudessem pela sua simplicidade tocar pelo lado melódico e também pelo lado da poética. Tem uma lírica toda à volta disto. Como sou músico puxo mais pela música mas escrevo também. A lírica é para mim mais veze um acompanhamento da musica que a musica um acompanhamento da lírica. Gostava que estas canções pudessem entrar no léxico do assobio, por exemplo. Podia ser curioso. Ou do léxico do lá,lá,lá.

 

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“Lisboa a sete”. Sete, dizem que é o número da perfeição…

 

O Ronaldo é o melhor jogador do mundo. Entrando pela mitologia do sete mas não foi por isso. Se calhar tem muito pouco haver com isso. Tem haver com uma expressão portuguesa que diz “Diabo a sete”. “Diabo a sete” quer dizer ‘sem regra, nada no lugar’ e “Lisboa a sete” é isso. É Lisboa sem regra, sem passeio predestinado. Usufruir da própria cidade em si e das paixões que essa cidade pode despoletar.

 

 

“Lisboa a sete”  poderá também levar as pessoas a pensar que este é um disco sobre a cidade perfeita?

 

Não. Lisboa não é perfeita e eu farto-me de torcer os pés (risos). Esta cidade é terrível. A valência de ortopedia no Hospital de São José está sempre cheia no Inverno. Por esse lado não é nada mas tem um lado que é o rio, o mar e o azul de qualquer lado, de qualquer destino. Esse é o encanto.

 

 

Estando neste momento no bairro de Alfama, que segundo as suas gentes é o bairro mais fadista de Lisboa, que influência é que a gente desse bairro, o fado desse bairro tem no disco?

 

Muito. Muito no ritmo e na cadência do fado (som: bom…,…bom,…bom). Isso é muito electrónico. Aliás, o disco é muito de guitarra e contrabaixo (som:bom…,…bom,…bom). Logo por ai teve mas não entrou só pela musicalidade, entrou também pela alma apesar de eu dizer, e continuar a dizer que não sou muito apreciador de fado, não me entra mas entraram-me alguns ritmos e isso sim. Essa vivência foi muito clara em quem ouvir o disco.

 

 

Prefere um fado mais virado para o pop que para o tradicional?

 

Mais para o tradicional.

 

 

Prefere mais o fado tradicional?

 

Sim. Sou mais apologista do tradicional. É mais…tem ritmo naquele sítio, onde no fundo nasceu o fado. Não só Alfama. Mouraria, Bairro Alto, por ai. As pessoas ali às vezes não cantam só por cantar mas é um acto de exorcismo. É um exorcismo cantado pela lírica, pelo o que eles dizem. As vezes não o conseguem gritando, conseguem cantando. É muito isso. Por isso sinto que prefiro mais. É mais genuíno!

 

 

 

O que está a ser preparado do formato físico para o palco?

 

Este disco, se me disseres que amanhã ia tocar este disco, está na boa. Foi ensaiado e foi gravado ao vivo. Não foi gravado por over dose. Grava-se tudo, e não por fases como a pop faz, do grava eu e agora gravas tu… Este foi como se estivéssemos ao vivo a tocar no estúdio. Estava tão bem ensaiado que acabou por sair exactamente como queria. Só pequenos retoques na pós-produção mas basicamente o que nós tocámos em estúdio é o que está ao vivo. Não há grande transformação. Quero convidar os músicos que foram convidados para isto, não queria deixar de referir o Pedro Jóia, que é guitarrista, neste momento virado para o fado, é director musical da Mariza, Filipe Simões que também participou também nas percussões e no vibrafone e um colaborador que tive comigo sempre a trabalhar nos últimos dois anos foi o Miguel Gelpi no contrabaixo, foi uma ajuda preciosíssima na construção deste disco… que estava tão bem preparado, que a grande diferença entre o estúdio e ao vivo não vai ser muito grande. Vai ser com algumas nuances, talvez com um convite daqui ou um convite dali mas não vai passar muito disso.

 

 

Além do seu olhar como músico, ao vivo vai mostrar o seu olhar como um apaixonado pela fotografia com as fotos que tem sobre Lisboa?

 

Estava a pensar nisso (risos). Faz todo o sentido. E ainda bem que falaste nisso porque eu estava na dúvida, porque há sempre uma parte plástica que pode estar presente. Aliás, eu fiz uma edição limitada de uma cassete de cerâmica, onde no outro lado tinha uma pen onde tinha um filme sobre as fotografias que de certa forma foram inspiração e motivação para isto.

 

 

Como é que as pessoas podem interagir contigo e estarem informadas sobre o que vais fazendo?

 

Hoje é obviamente no facebook ( facebook.com/JorgeRivotti). Ai no fundo é onde as coisas se passam e vou dando informação também dos acontecimentos, onde vou sendo referido como programas de rádio ou televisão. O contacto vai sendo esse. Hoje é tão fácil. Basta por um J que aparece logo Jorge Rivotti.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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