José Gonçalez sobre Santa Casa Alfama: “Uma série grande de alterações que julgamos que vêm ajudar a que o cartaz seja cada vez melhor”

Fotografia: José Gonçalez / Facebook

 

 

O Festival Santa Casa Alfama teve a apresentação da sua 7ª edição na passada segunda-feira, no Centro Cultural Dr. Magalhães Lima.

O programador do festival, José Gonçalez, falou ao Infocul sobre algumas das novidades para este ano.

O palco com curadoria surge “porque já acontece em vários festivais, e até há alguns festivais onde os curadores nem sequer actuam, apenas programam os palcos. Este ano nós temos uma série, uma série grande de alterações que julgamos que vem ajudar a que o cartaz seja cada vez melhor e como deves calcular ao fim de sete edições não é fácil reinventarmos, mas se não nos reinventarmos isto acaba por ser sempre igual e aqui o trunfo é conseguirmos baralhar e voltar a dar”.

“E foi isso portanto como conseguimos mexer na estrutura do próprio festival criou-se a hipótese novas nuances e essa é uma delas. Eu desafiei a Ana Moura e o Ricardo Ribeiro que são os cabeças de cartaz deste ano, para que cada um deles apresentasse nomes, e foi mais ou menos o que aconteceu. Desafiei o Ricardo e a Ana, que gostaram muito da ideia, e os dois enviaram estes três nomes finais e eu fiquei contente. Temos gente nova com muito talento que está apadrinhada por duas das maiores referencia da musica da actualidade e por outro lado pela sensibilidade deles também, de quer o Ricardo quer a Ana terem escolhido pessoas que lhes são queridas e que gostam. No caso da Ana até traz uma rapariga lá da terra dela, de Coruche, e portanto isso parece-me muito bonito e gostei bastante”, acrescentou.

Outra das novidades é com o palco aberto ao público, no Museu do Fado, em que os amantes do fado podem mostrar o seu talento.

Sabes que essa é uma ideia, e permitam-me a imodéstia, estas alterações são propostas minhas, todas elas foram propostas minhas. E não digo isto com arrogância, digo isto por felicidade, por sentir que podemos reinventarmos-nos, criar coisas novas, é por aí que quero ir. Eu já tinha feito no Porto, não sei se tiveste na 2ª edição do Caixa Ribeira, tínhamos um sítio muito bonito, que era uma espécie de gruta ao pé da Ribeira em que eu tinha muita gente do Porto, que me tinham feito chegar o desejo de estar e participar, e então achei que era bonito abrir um palco às pessoas que gostam de cantar e acham que têm direito, e têm-no com certeza. Aqui, reuni com a Sara, propus a ideia, ela achou óptima, porque o Museu é o berço, a maternidade, se tu quiseres, e portanto faria sentido nós abrirmos este ano a 10 pessoas que se inscrevam livremente no site do museu. Depois têm lá três dos melhores músicos, têm tudo para brilhar e isso deixa-me muito feliz. Juntando a isso que estarão os dois vencedores do Grande Prémio Nacional do Fado, da RTP, que realizamos em parceria com o Museu e a Música no Coração, portanto foi aqui um juntar de vontades para termos uma coisa diferente e que eu acho que vai resultar”, explicou José Gonçalez.

José Gonçalez que actuará no festival, dia 27 na Igreja de São Miguel, apresentando o disco ‘Até Deus Gosta de Fado’ e com José Cid e Maria da Fé como convidados.

Explica que a base do concerto será o alinhamento do disco e relembra que “temos sempre um constrangimento grande, é bom que as pessoas entendam isso, em relação às igrejas, que é o repertório. E eu concordo, neste caso com o Patriarcado de Lisboa. Se eles nos cedem a igreja, é de bom senso que se respeite a ontologia dos símbolos, se assim quiseres, aquilo que eles valem e representam para quem acredita. E portanto, se nós estamos num espaço com estas características, temos de nos adaptar a estas características. E o fado tem, como sabes, muitos temas de cariz religioso, católico. Portanto faria todo o sentido, eu tinha lá feito o meu disco em 2013, eu queria trazer o José Cid ao festival, porque ele canta fado como sabes, ele só um espectáculo dele não quereria fazer mas assim fiquei muito contente porque ele aceitou vir à igreja neste meu concerto, e ainda por cima com a Maria da Fé, que é também uma figura maior que temos. Portanto vou reproduzir o meu disco, ‘Até Deus Gosta de Fado’, e com os convidados a cantarem, posso revelar-te isso, temas religiosos e fados desse alinhamento do disco. Portanto deixo-te já aqui algo que parece-me que vai ser giro”.

O Festival Santa Casa Alfama realiza-se a 27 e 28 de Setembro, no bairro lisboeta.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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