José Milhazes conta, em novo livro, história do portuense que tornou o vinho do Porto uma moda na Rússia dos czares

A Oficina do Livro edita na próxima terça-feira, 11 de Março, o livro “Do Porto ao Gulag, A Viagem Secular de Uma Família Portuense no Império Russo/Soviético”, do jornalista José Milhazes que, desta vez, conta a vida do mercador e diplomata portuense José Pedro Celestino Velho (1755-1802), que tornou o Vinho do Porto uma moda, no Império Russo, na segunda metade do século XVIII.

Com base em documentos inéditos e anos de pesquisa, o antigo correspondente da SIC recorda o comerciante – nascido numa família da classe média da Sé -, nomeado, em 1781, pela Real Companhia Velha para “administrar as compras e vendas dos géneros que a nossa companhia importa e exporta para essas terras”. Um caminho que não foi fácil… Quando chega a São Petersburgo, depara-se com dificuldades técnicas tão simples como a inexistência de um armazém para guardar a mercadoria ou o facto de os barcos portugueses não navegarem em águas geladas.

O sucesso chegou, contudo, quando começou a servir vinho do Porto nos saraus de música e chás que organizava nos seus palácios, levando cantores líricas tão populares como Luísa Todi, para actuarem na frente do Czar e da aristocracia russa. Acabou por se tornar amigo de Alexandre I, presença assídua, no palácio Tsarskoie Selo, situado nos arredores da cidade de São Petersburgo. Acabaria por ser nomeado Cônsul Português no país e a sua enorme riqueza permitiu-lhe estabelecer-se como banqueiro da corte – em 1797 já tinha abandado os cargos na Real Companhia.

Só que além da saga de José Celestino Velho, da sua relação próxima com o Czar e da amizade com o poeta Pushkin, José Milhazes foi à procura dos seus descendentes e descobriu a existência de um neto que desenvolveu e modernizou os serviços postais do Império Russo e dirigiu a polícia política do país. E uma bisneta, a baronesa Maria Ivanovna Velho (1875‑1937) que, durante 21 anos, foi dama de honra das duas últimas czarinas russas. Perseguida pela revolução russa acabou por ser fuzilada como «inimiga do povo».

“Do Porto ao Gulag, A Viagem Secular de Uma Família Portuense no Império Russo/Soviético” pretende também ser uma homenagem à Cidade Invicta. Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, assina o prefácio:“José Milhazes reconstitui, a partir de uma família, um quadro amplo de relações entre países e culturas, dando-nos a conhecer, através do ilustre José Pedro Celestino Velho e dos seus descendentes, ora notáveis ora desconhecidos, o cruzamento entre povos nas suas relações comerciais, militares, na religião, na política e nos nossos costumes.

José Milhazes nasceu na Póvoa de Varzim em 1958. Tradutor de autores clássicos e políticos russos, tornou-se conhecido enquanto correspondente em Moscovo da SIC, TSF e do jornal Público. Doutorado pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, é autor de diversos livros. Viveu em Moscovo entre 1977 e 2015. É actualmente comentador político da SIC, da Antena 1 e colunista do jornal Observador.

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