Juan José Padilla: “Estarei sempre nas mãos de Deus”

 

 

O Matador de Toiros espanhol Juan José Padilla decidiu retirar-se das arenas no final da temporada e incluiu o Campo Pequeno na lista de praças de cujo público gostaria de se despedir. O matador concedeu entrevista ao departamento de comunicação do tauródromo lisboeta.

 

A data da despedida é esta quinta-feira, numa corrida mista em que Padilla repartirá cartel com os cavaleiros João Moura Caetano e Duarte Pinto e os grupos de forcados Amadores de Santarém e Amadores de Montemor, lidando-se toiros de Herdeiros de Mário e Manuel Vinhas (quatro para cavalo) e Herdeiros de Varela Crujo (dois para pé).

 

No ano passado, após a feira de Pilar, disse à minha família e aos meus pais, que em 2018 faria 25 temporadas em activo e pareceu apropriado que no final da temporada me despediria das arenas, depois de ter recebido do toureio mais do que alguma vez sonhara“, começou por revelar sobre a decisão de se retirar das arenas.

 

Na última temporada, a actual, “mais do que um balanço, ficam as recordações de grandes e sentidas emoções. Não houve uma única praça onde não tivesse havido um detalhe que guarde na memória. O público mostrou ter memória e tem sido muito grato comigo. Grato e respeitoso. Tudo isto tem sido também possível por muitas das empresas terem querido contar com a minha presença nos cartéis desta temporada“, diz.

 

A decisão de incluir Lisboa na última temporada enquanto matador de touros, foi porque “criei uns laços muito profundos com Lisboa, depois dos triunfos que obtive no Campo Pequeno. A forma como o público e a empresa me têm tratado tem sido espectacular. Aproveito para recordar e agradecer a entrega do prémio de triunfador na temporada de 2016 e o facto de, no dia da entrega, num jantar no final desse ano, no Campo Pequeno, ter sido levado em ombros pelos aficionados presentes, encontrando-me vestido de “paisano”, relembra.

 

Antes de mais, quero agradecer a Rui Bento Vasques a oportunidade que me deu para me apresentar no Campo Pequeno. Tinha um desejo especial de tourear em Lisboa, pela categoria da sua praça e da sua afición, uma afición tão exigente quanto sensível, que me emociona e apaixona pela sua entrega“, elogia quando questionado sobre a aficion lisboeta. Do Campo Pequeno destaca, ainda, as “fantásticas instalações e a sua inigualável arquitectura“.

 

Durante as minhas 25 temporadas de matador de toiros tive de todos os momentos que se podem viver numa carreira larga e de muito risco, mas igualmente recheada de grandes emoções. Tive muitas bênçãos de Deus e, quando digo isto, é porque estou convencido de que o sofrimento é parte da glória. Se é verdade que paguei com graves cornadas esse tributo à glória, como aconteceu em Huesca, Pamplona, Valencia e Zaragoza (a mais grave de todas) também tive imensas bênçãos divinas como foram as saídas em ombros pela Porta do Príncipe (Sevilha), o indulto de um toiro na Praça México, ser triunfador nos “Sanfermines” em vários anos, ter liderado o “Escalafón” em três temporadas, são ocasiões que significam para mim a recompensa pelo meu esforço“, diz como balanço do seu percurso, acrescentando que sofreu “39 cornadas contando as de alguns tentadeiros“, ao longo da carreira.

 

Sinto-me feliz e orgulhoso de tudo quanto vivi na minha profissão. Nunca imaginei que poderia merecer tanto respeito e admiração da parte dos meus companheiros e, em geral de toda a sociedade e essa é a maior satisfação que podemos levar no momento da retirada“, acrescentou.

 

A quem quer ser toureiro diria “que com disciplina, constância e tenacidade tudo se consegue” .

 

Estarei sempre nas mãos de Deus. Agora estou concentrado naquilo que me compete que é deixar a melhor das recordações em cada uma das arenas que piso” diz sobre o depois da retirada.

 

Admiro e respeito os aficionados portugueses. Agradeço-vos de todo o coração todas as mostras de carinho e respeito que de vós recebi. Se Deus quiser, continuaremos a ver-nos, pois embora o traje de luces fique guardado, a minha pessoa continuará a apoiar e a disfrutar da festa de toiros, da nossa cultura e estarei sempre pronto para visitar Lisboa“, disse aos aficionados portugueses.

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