Júlio Resende sobre Amália:“Era uma mulher muito fora de caixa, criadora, diferenciadora. E tinha o céu e o inferno na voz”

Hoje cumprem-se 20 anos da morte de Amália Rodrigues. Dia 8, pelas 21:00, Júlio Resende sobe ao palco do Teatro da Trindade, em Lisboa, para um espectáculo intitulado ‘De Júlio Resende para Amália Rodrigues’.

Em palco apenas estará acompanhado pelo seu inseparável piano, na plateia espera por muitos para uma homenagem emotiva. Em entrevista ao Infocul, Júlio Resende, revela a ideia do espectáculo, o fascínio pela Diva, pela Mulher, pela Cantora, pela Fadista. Por Amália!

Recordar que da discografia de Júlio Resende consta o disco ‘Amália por Júlio Resende’, no qual está o tema ‘Medo’ com a voz de Amália.

Júlio, quando surgiu a ideia para esta ‘Carta Aberta’ a Amália Rodrigues?

Na verdade a carta aberta tem duas desculpas, ou melhor, dois pontos de partida: o primeiro seria tocar no magnífico Teatro da Trindade, inaugurado em 1867!! E que é um teatro deslumbrante, lindo, e onde se sente quando lá entramos que já muita magia aconteceu ali. Aquelas paredes estão carregadas de memórias e amores. O segundo motivo é fazer esse concerto a solo na semana da Amália, a minha Amália, e desta vez levá-la a ver o concerto e transformá-la sobretudo numa espectadora. Eu vou tocar o que me apetecer. Coisas minhas, coisas dela, o que me apetecer dar-lhe, oferecer-lhe.

Tiveste um disco todo ele dedicado a Amália. Será esse disco a ser tocado neste espectáculo?

Não [sorri]. Mas é óbvio que algumas coisas desse disco estarão lá… A ver quais!

Em termos de alinhamento o que podes desvendar mais?

Foi o que disse acima. Liberdade para oferecer à Amália e aos espectadores presentes um coisa bonita! Única. Que só ali acontecerá.

Estarás sozinho, no palco, ou existirão convidados?

Sozinho. Com vocês.

Amália é a voz de Portugal. O piano é a tua voz, se assim podermos dizer. De que forma ela te inspirou no teu percurso?

Adoro-a enquanto mulher, enquanto força de vontade, enquanto espírito criativo. Era uma mulher muito fora de caixa, criadora, diferenciadora. E tinha o céu e o inferno na voz.

Como apresentação deste espectáculo, escreveste uma carta a Amália. Aquelas são as palavras que lhe dirias se a tivesses conhecido presencialmente ou dirias algo mais?

Boa pergunta! Eu convidaria a Amália em primeiro lugar para um café na Gulbenkian e depois logo se via o que dizíamos um ao outro nessa privacidade.

Este espectáculo poderá passar para disco?

Vai ser gravado para mim mas não está nos meus planos por agora.

Como convidas o público a ir ao Trindade e qual a mensagem que deixas aos nossos leitores?

Não gosto de chatear muito as pessoas. Eu acho sobretudo que o Trindade é um lugar místico, mágico, e que ouvir música num lugar assim é como fazer uma peregrinação a algum lugar belo e sagrado. Ir a concertos é um dos gestos mais bonitos que o humano pode desfrutar.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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