Katia Guerreiro edita “Sempre” a 13 de Setembro

 

 

 

Produzido por José Mário Branco e gravado nos estúdios Atlântico Blue, em Paço de Arcos, entre Abril e Maio de 2018, o novo disco de Katia Guerreiro chama-se “Sempre” e conta com a participação dos seus músicos, companheiros de tantas viagens e aventuras pelo mundo fora naquela que é a sua principal missão e, com o seu fado, representar a música, a poesia e a alma portuguesa: Pedro de Castro e Luís Guerreiro nas Guitarras Portuguesas, João Mário Veiga e André Ramos nas Violas de Fado e Francisco Gaspar na Viola Baixo. António Pinheiro da Silva, assistido por André Tavares, está na sonoplastia.

 

 

A par de dois ou três temas que se podem considerar Fado Canção, na sua grande maioria o reportório deste disco parte das composições mais tradicionais do Fado, seja através das composições standards em que foram colocados novos poemas (uma prática comum no fado) ou através de novas composições que respeitam a estrutura poética tradicional. Não esquecendo, obviamente, o encontro entre os arranjos e a direcção musical de José Mário Branco com o tradicionalismo dos músicos de fado aqui presentes. Na direcção de interpretação e do conceito, o produtor conta com a ajuda de Manuela de Freitas.

 

 

Este disco, por tudo o que tem ao seu redor, marca uma mudança na carreira de Katia, mas quando se é fadista uma vez é-se fadista sempre e cada vez mais, porque da raiz nasce a árvore e a árvore não para de crescer. Basta ser-se autêntico e genuíno e ter a capacidade de receber com gratidão para depois dar com prazer o que em nosso transformamos.

 

Era uma vez, há dezanove anos, em Lisboa e numa noite muito quente…

 

A Casa de Fados, cheia, era um santuário num daqueles dias em que o ambiente, a atmosfera e a inspiração contaminavam as almas de cada um. Os tais dias em que o fado não se ensaia, não se prepara nem se organiza… desta vez é ele que toma conta de nós e pura e simplesmente, acontece…

 

Era uma noite única, apenas dedicada aos músicos, não estando previstas actuações ou intervenções de cantadores ou cantadeiras. Apenas as grandes composições para a Guitarra Portuguesa seriam interpretadas naquela noite. Já se tinham ouvido alguns dos mais importantes músicos da época e da história, alguns mais velhos, os mestres, e alguns mais novos, os virtuosos e as promessas.

 

A Casa estava cheia de fadistas (cantadores e cantadeiras) mas ninguém se chegou à frente para cantar. Ainda não se tinham ouvido as cordas das guitarras a servir de guia da alma de quem pega nas palavras para nos contar as histórias que o fado canta.

 

Chegou uma miúda, vinte e poucos anos, estudante de medicina. Apareceu por sugestão de um dos fadistas residentes da Casa. Não era suposto cantar, mas alguém disse: nenhum fadista profissional ou experiente deverá cantar esta noite, mas porque não abrir uma excepção a uma nova voz, a uma estreia? Se a noite está como está, quem sabe o que nos pode acontecer… O Convite foi feito, ela não queria, mas depois de muitos pedidos aproximou-se dos músicos, e começou a cantar… mudou tudo, já não era a noite das guitarras; era uma noite em que surgiu uma nova grande fadista, uma grande promessa…

 

Um ano depois, entre a conclusão do curso de medicina, as noites de fados, as tertúlias e as actuações em vários eventos e pequenos espectáculos, Katia Guerreiro foi uma das artistas convidadas a participar no espectáculo de homenagem à Senhora Dona Amália Rodrigues, no Coliseu dos Recreios em Lisboa. Aquela que é considerada a sala mais importante e mais emblemática do nosso país. Público e crítica rendem-se à sua interpretação de “Amor de Mel, Amor de Fel”, considerando-a a melhor actuação da noite.

 

A partir daqui, Katia Guerreiro gravou dez álbuns e com o seu fado actuou em algumas das salas mais emblemáticas do Mundo, representando a música, a poesia e a alma portuguesa: Filarmónica de Berlin, Théatre de la Ville (Paris), Centro Cultural de Tjibaou (Nova Caledónia), Théatre de La Sucrière (Marselha), Saikacho Sogo Fukushi Center (Nagasaki), Kokusai Forum (Tóquio), Melparque Hall (Osaka), Ópera de Lyon, Catedral de Reims, Olympia de Paris, Palais Beaux-Arts (Bruxelas), Opéra de Vichy, Théatre Nacional Mohammed V (Rabat), Opéra de Rennes, Sala Sinfónica CCK (Buenos Aires), Teatro Nescafé de Las Artes (Santiago do Chile), Teatro Mayor (Bogotá), Gran Teatro Nacional (Lima), Opera de Rouen Normandie | Chapelle Corneille, Opera House (Ankara).

 

E em alguns dos Festivais mais importantes e representativos como: Festival de Músicas Sagradas de Fez, Festival Strictly Mundial (Marselha), Oslo World Music Festival, Festival Méditerranée (Marselha), Limoges Festival, Festival des Cathedrales (Amiens), Europa Musicale (Munique), Festa do Fado (Castelo de São Jorge), Festival Arts Alive (Joanesburgo), Festival Voix des Femmes (Tétouan), Festival Pirenéus Sur (Sallent de Gallego), Festival Dança e Música (Bangkok), SHOAC – Shanghai Spring Music Festival Printemps de Bourges – Palais Jacques Coeur, Festival Caixa Luanda, Festival Caixa Benguela, Festival de Fado de Madrid, Festival de Fado na América Latina.

 

Ao longo da sua carreira de quase vinte anos, Katia Guerreiro tem sido também solicitada para colaborar com alguns dos músicos mais representativos de outras terras e géneros musicais como Maria Bethânia, Amina Alaoui, Plácido Domingo, Rui Veloso, Martinho da Villa, Alcione, José Renato, Santos & Pecadores, Tiago Bettencourt, Mariza Liz, Miguel Gameiro, Rogério Charraz, Anselmo Ralph, Ensemble Basse Normandie, Husnu Selenderici, Chieko Kojima, Júlio Resende, Noidz, Orquestra Clássica do Sul, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra Chinesa de Macau e Orquestra da Gulbenkian, para além de um dos nomes mais lendários do Fado, Celeste Rodrigues.

 

Foi condecorada pelo Governo Francês, com a Ordem de Artes e Letras, no Grau Chevalier, sendo assim reconhecida como uma das mais notáveis representantes da cultura portuguesa em todo o mundo e uma das mais brilhantes cantoras da sua geração.

 

Foi condecorada pela Presidência da República Portuguesa com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, pelo seu contributo inestimável para a divulgação da cultura portuguesa e para a projecção de Portugal no mundo.

 

Poderá dizer-se que a promessa se está a cumprir e que todos aqueles que estiveram presentes naquela mítica noite se poderão sentir orgulhosos por fazer parte desta história e deste fado. Katia Guerreiro foi e é considerada uma das mais importantes fadistas de entre o final do século XX e o início do Século XXI. Seguramente faz e fará sempre parte da História do Fado, ao lado daqueles que nos deixaram a herança. Daqueles que ao longo de mais de um século foram ajudando a construir, a desenvolver e a preservar a dignidade desta canção. Assim como Katia Guerreiro, que um dia sem querer foi marcada pelo Fado de ser Fadista…

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