O Grande Auditório do Centro Cultural de Belém encheu para ver e ouvir a apresentação de “Sempre”, o mais recente disco da fadista Katia Guerreiro. Um espectáculo inserido no ciclo Há Fado no Cais.

Katia Guerreiro esteve acompanhada por Pedro de Castro e Luís Guerreiro, nas guitarras-portuguesas, João Veiga e André Ramos, nas violas de fado, e Francisco Gaspar, no baixo.

‘A minha vida é’ foi ponto de partida para um espectáculo que pretendia apresentar o mais recente disco, ‘Sempre’, nome homónimo do tema que se seguiu. ‘Distante’ foi apenas nome de fado, porque em todo o concerto foi de proximidade, de canto e aplausos, que fez-se a viagem. Por entre densas letras houve também trocadilhos ardilosos e com pitada de humor em ‘Dia Não’, mas sem nunca Katia ficar ‘Fora de Cena’.

Se Fado é Vida, Vida é Fé, tempo para ‘Rezando pedi por Ti’. Katia está diferente, melhor ou pior cabe ao gosto de cada um, mas senti-la sempre ‘Aqui’. O fado de Katia é feito de voz e coração, porque canta com verdade e é nessa verdade que sentimos as suas mais valias e também as suas limitações. Katia permite-nos chegar à sua alma porque canta com verdade!

‘De ti direi Apenas’ é um poema sublime de Fernando Campos de Castro ao qual Katia dá ‘Asas’, não sem antes colher e oferecer-nos ‘Rosa Vermelha’, cantar-nos a ‘Tristeza Velha’ no Menor ou ainda divertir-nos com o ‘Fado Pessoa’.

Dei pelo senhor que estava ao meu lado em verdadeiro ‘Pranto’, tal qual o que a fadista cantava em palco, antecedendo ‘Deixar-te um Dia’ ou ‘Quem Diria’, que no disco surge a cantar com o produtor José Mário Branco, que marcou presença na plateia do CCB.

‘Amor de Mel Amor de Fel’ foi das melhores interpretações do espectáculo com público extasiado e em sentido e longo aplauso que obrigou a encore no qual constaram mais três temas.

Katia criou uma narrativa em que tudo foi bem feito. A escolha de alinhamento, as pausas, a conversa, a narração de Estórias que fazem a história deste disco e onde até os imprevistos emocionais acrescentaram verdade às mensagens que eram pretendidas transmitir.

A cor das palavras, e emoções, de Katia Guerreiro ficaram confiadas a António Martins e a verdade é que visualmente e esteticamente o espectáculo resultou em pleno. Em termos cromáticos soube sempre entender os poetas e potenciar a arte interpretativa dos músicos e de Katia. Luís Caldeira foi o responsável por conseguir-se ouvir tudo, até à respiração, de todos os que estavam em palco.

Talvez nem sempre tenha sido entendida, mas se olharmos para Katia apenas como Fado, então perceberemos que nela, também, está muito do presente e futuro da canção nacional.

 

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Rodolfo Contreras

 

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