La Fura dels Baus e as boas memórias de Portugal antes de trazerem Carmina Burana

La Fura dels Baus trazem Carmina Burana, de Carl Orff, a Lisboa e Porto, e o director da companhia, Carlus Padrissa, conversou com o Infocul sobre os espectáculos em Portugal.

La Fura dels Baus actuam a 20 e 21 de Dezembro, no Campo Pequeno, em Lisboa e a 28 de Dezembro, na Super Bock Arena, no Porto.

Quais são os maiores desafios em unir a arte de La Fura dels Baus ao trabalho de Carl Orff, ‘Carmina Burana’?

O maior desafio foi adaptar o DNA de La Fura num cenário convencional. Por isso, atravessamos a quarta parede com acções no meio da plateia onde o público está sentado. Criámos um espectáculo imersivo.

Em termos de produção, quantas pessoas participam nestes espectáculos?

São 4 cantores solistas, 12 dançarinos, um coro de 50 pessoas, uma orquestra com 60 músicos e com os técnicos totalizamos cerca de 150 pessoas.

Em termos cénicos, o que podemos esperar?

É o que chamamos de ópera esférica. Um cenário circular, com um acelerador de partículas projectado pelo vídeo. O público está em alguns momentos rodeado pelas imagens envolventes.

Quando surgiu a ideia de juntar La Fura Dels Baus e a peça ‘Carmina Burana’?

Faz 12 anos, estreámos o Orfeo de Monteverdi com o público na adega de nosso navio Naumon e o nosso parceiro Josep María Prats teve a ideia de que Carmina Burana poderia ser um novo bom desafio, já que Carl Orff havia legendado o seu trabalho como : ‘Coloque músicas para, cantores, serem cantadas ao lado de instrumentos e imagens mágicas’. E ficámos loucos ao encontrar a mágica que Orff queria.

Dado que Campo Pequeno é uma arena em forma redonda, isso influenciará de alguma forma o espectáculo?

É o cenário perfeito para o nosso tipo de ópera esférica. Carmina Burana é pura energia.

Como é que textos com 800 anos podem ser tão actuais?

Porque sem versos eles falam directamente da vida. Os coros mais conhecidos do século XX dizem: Oh Fortuna, / variável como a Lua / à medida que cresce incessantemente / ou desaparece.

Qual tem sido a opinião pública deste espectáculo?

A verdade é que tivemos uma recepção muito boa. É o espectáculo que mais pessoas viram de La Fura. Não devemos esquecer que Carmina Burana é muito atraente para o público.

Em Lisboa e no Porto, terão a Lisbon Film Orchestra. Quais são as expectativas?

Muito boas! Músicos celtas são conhecidos pela sua precisão! Nós ouvimos-los em Inglaterra, Irlanda, Grã-Bretanha, Galiza e, felizmente, também em Portugal.

O que mais destaca no público português, visto que não é a primeira vez que se apresentam em Portugal?

Aqui deixámos uma parte do nosso coração para sempre. Em 1994, no Armazém 22, estreámos o programa Furero M.T.M. um dos mais inspirados e que tive a sorte de coordenar. Neste espectáculo que praticou a manipulação da informação, actores e actrizes portugueses e galegos, como Pedro Alonso, que hoje é o famoso personagem berlinense da série ‘La casa de papel’, estreou pela primeira vez no teatro profissional. O público português sempre foi muito ousado e dedicado. Aqui está um óptimo nível! Temos muitas histórias e muito boas lembranças !!!

Os bilhetes podem ser comprados AQUI.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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