Leandro revela que ‘Amor É’ define-se como “um trabalho muito versátil, é um trabalho que tem uma dinâmica muito grande, é um trabalho que se está a enquadrar muito bem no mercado português”

 

 

 

Amor É” é o mais recente trabalho discográfico de Leandro, que prestes a completar 32 anos, atravessa o momento de maior maturidade pessoal e artística, que reflecte-se ao ouvirmos este trabalho.

 

 

 

Num disco com produção a cargo de Paulo Martins, as letras das 12 faixas que integram o o álbum contam com assinatura de Leandro e de Paulo Martins, excepto “Que Mal te fiz Eu” (versão 2018) que acaba por ter assinatura de Ricardo.

Numa conversa conduzida por Rui Lavrador, Leandro falou sobre o novo disco, o percurso de 11 anos de carreira e ainda sobre um lado mais pessoal e ainda sobre as causas solidárias que abraça.

 

 

 

Isto tem um grande percurso uma grande historia, quando aos 10 anos (de carreira) achei que estava a estagnar a carreira, sentia que as coisas estavam a ser menos que aquilo que eu queria e então pensei e tomei a decisão de mudar, pensei muito bem, refleti muito, pedi muitos apoios, muitas opiniões, umas delas positivas outras negativas, e no meio de tanta turbulência continuei com a minha decisão, que era a mudança, Daí procurei novo produtor, deixei de trabalhar com um grande produtor da música portuguesa, o Ricardo Landum ,e passei a trabalhar com um produtor que também está na estrada e que hoje em dia começa a ser conhecido, que é Paulo Martins, que é o ex-vocalista dos Sexto Sentido, ex-marido também da Rita Guerra. Procurei o Paulo Martins, ouvi diversos produtores, mas o Paulo Martins era o que se enquadrava mais na minha ideia e naquilo que eu queria fazer”, começa por nos dizer sobre quando começou a pensar neste disco.

 

 

 

Leandro revelou ainda que “com a gravação dos primeiros temas, comecei a notar uma grande mudança, um público mais jovem, um público mais atractivo, com uma dinâmica diferente e senti que a decisão que tinha tomado, era uma decisão muito boa”, quando questionado sobre a reacção do público.

 

 

 

Este disco, “O amor é”, vem “no seguimento da Mudança e também da oportunidade que me foi dada da parte de quem trabalha comigo”, diz-nos e descrevendo-o como “um trabalho muito versátil, é um trabalho que tem uma dinâmica muito grande, é um trabalho que se está a enquadrar muito bem no mercado português nas diversas áreas musicais e registos também, e a nível de imagem também é um Leandro diferente”, mas “sempre com o meu cunho, Leandro, ali e a forma de pensar e de escrever sobre o amor”.

 

 

Em termos de sonoridade, acaba por demonstrar esse ecletismo, porque “tens diversos tipos de musica aí, tens o Leandro a cantar reggaton, tens o Leandro a cantar o tal pop, tens o Leandro a cantar rock, tens uma diversidade musical muito grande e uma sonoridade muito grande de música, por isso tanto podes colocar o Leandro a cantar numa rádio romântica, como numa radio pop/rock”.

 

 

Esta versatilidade advém de ser “um consumidor de música, para mim a musica é tudo e eu acabo por buscar um bocadinho de tudo, se tu ouvires a minha voz, por vezes até há voz de fadista e outras vezes à rockeiro”.

 

 

Numa demonstração de maturidade e crescimento, Leandro confessa que “eu estou aqui há 11 anos, mas só há dois ou três é que me afirmo como compositor e autor”, e até por isso este disco é “muito biográfico” porque “as coisas nascem nos pequenos pormenores, nas pequenas acções, em situações que ás vezes…” dando como exemplos “o meu filho, os meus amigos, a minha produção… tudo é uma base de inspiração…

 

 

Em termos de composição e escrita revela que “procuro as palavras chaves, os momentos chaves da música, é isso que eu escrevo e quando uma criança começa a cantar a tua musica e a ouviu pela primeira vez, é porque ficou”, esclarecendo ainda que tem a capacidade de ir criando a composição e letra ao mesmo tempo.

 

 

As crianças são o filtro mais puro que existe”, diz-nos sobre as opiniões emitidas pelos mais novos, até porque “elas gostam ou não gostam. E não têm problema nenhum em dizer que não gostam. O meu pelo menos é assim”, e desvendando que “houve alguns temas que ficaram de fora, a selecção foi natural”.

 

 

 

Sobre a selecção de temas refere que “fui ouvindo. Sabes que não sou egoísta. Ao mesmo tempo que estava a escrever o meu disco, estava a escrever o disco da Suzana, a escrever músicas para a Suzana. E o tema que a Suzana está a cantar agora, podia ser meu, é um tema com grande balanço, grande dinâmica. Mas eu achei que não, porque se eu estava a escrever para ela, é para ela que fica. Eu podia ser egoísta ao ponto de ‘o que é bom é para mim e o mau fica para os outros. Mas não. Isso não acontece comigo. Se eu estiver a escrever para ti e ai um tema de outro mundo, o tema fica para ti”, porque “eu não me vendo. Nunca me vendi. Não vendo nada do que é meu”, quando questionado se havia valores que não teriam preço.

 

 

 

Leandro sente que “as pessoas olham para mim como uma fonte, uma inspiração, alguém importante nas decisões delas” e quando questionado se haveria diferença entre actuar nas grandes salas ou nas aldeias do interior, disse que “tens de ser tu próprio. Depois, não podes olhar para a classe financeira da pessoa. Depois, é algo de nascença, porque jamais eu iria a um sítio actuar onde estivesse a pessoa mais pobre e a trataria de forma diferente. Eu trato-a e igual forma. Cantando para mil pessoas, para 200 mil (como aconteceu no Brasil), cantando para o que for, eu estou ali e se as pessoas vão ali trazem-me o valor que eu tenho. Sejam elas 100, 200, 300, 1 ou 2, eu estou ali e a pessoa foi ali por mim, não foi por mais nada. E eu tenho que respeitar aquele momento e isso é uma coisa que vem do berço, não é como muitos que andam aí que põem uma máscara e depois daquele momento, as coisas são outras. Claro que a dinâmica é diferente cantar para 100 pessoas ou para 100 mil, mas quando tu tens uma ligação forte e está perante 100 pessoas e dizes ‘então vamos cantar todos ‘ crias ali um momento só teu e deles e crias ali algo intimista, acaba por ser algo diferente. Por exemplo, este sábado [8 de dezembro] fomos fazer um casamento em que a noiva é completamente minha fã, portanto era uma surpresa, eram perto de 150 pessoas. Nós éramos apenas para cantar 5/6 músicas e acabámos por cantar durante 1 hora e 20 minutos. Um concerto autêntico, foi tão mas tão giro. As pessoas pediam esta e depois aquela, e a gente é que cria os laços. Claro que também apanhamos público mais frio, aquele que está apenas ali, mas que está, tipo o avô mais carrascão e a avó Ti Maria. Tens de saber libertá-los e hoje em dia eu consigo fazer isso, antigamente era mais complicado, mas hoje em dia consigo lidar com todo o tipo de público, consigo ter uma boa dinâmica e forte aproximação”.

 

 

Sobre as milhares de mensagens que recebe e os pedidos de ajuda, fica um pouca mais sério e explica que “por incrível que pareça já ajudámos mais. As redes sociais têm muita coisa boa, mas também são usadas para falcatruas, para subornos e essas coisas então os pedidos têm de ser muito bem filtrados. E nós já ajudámos muitas crianças, muitas pessoas, mas fazemos um estudo antes, procuramos perceber se realmente é verdade, pedimos papéis de médicos , comprovativos, etc, para perceber se podemos fazer algo para ajudar com a nossa música, porque a única forma que temos de ajudar é com a nossa música. Porque quer queira quer não, eu sou artista, tenho família, filho, e convém ter sustento para toda a estrutura que tenho a meu cargo. Eu gostava de ajudar todo o mundo, mas sozinho não o consigo fazer. Portanto aquilo que posso fazer é conseguir levar a minha música e abraçar algumas causas”.

 

 

 

E quando se é enganado, “não se reage, lamenta-se. A nossa parte está feita”, embora assuma que “injustamente acabas por fechar uma porta. Acabas por julgar o próximo por causa do que te fizeram no passado, acabas por não acreditar tanto no que é verdadeiro. Acaba por muitas vezes ter de existir uma filtragem tão grande que até o outro lado desiste”. E quando muitas vezes os artistas são acusados de ter a mania, Leandro reage e esclarece que “nós não temos a mania, já fomos foi enganados. E para que isso não aconteça, para que não olhem para nós como objectos, temos de filtrar e muitas vezes com um nó muito apertado no coração porque somos humanos e temos sentimentos”.

 

 

 

Já sobre a tentadora gastronomia do Natal, diz-nos que “não sou fanático por doces. Se calhar como mais salgados do que doces. Se calhar pudim de ovos consegues ver-me a comer uma fatia”, esclarecendo que “dietas malucas já não as faço”, até porque “tenho o corpo que sempre quis ter, é uma verdade”, embora assumindo que “a gente nunca está contente com aquilo que tem”.

 

 

 

Nesta fase da sua vida, revela-nos que “voltei a estudar, tenho os estudos, além da minha família, a minha carreira é o mais importante para mim”, daí que “o ginásio deixou de ser uma obsessão e acaba por ser um hobby”. Já sobre os piropos que ouve nos concertos diz que “sempre fui seguro de mim próprio, antes de ser cantor sempre tive muitas mulheres, o assédio vem da tua personalidade”, esclarecendo que fala sobre um assédio positivo, carinhoso e de admiração que o público tem para consigo.

 

 

O cantor acabou ainda por revelar que aproveita as gravações dos videoclipes para conhecer melhor os sítios onde vai, porque em digressão é quase impossível dados os horários apertados.

 

 

 

Numa promoção à participação no Natal dos Hospitais, Leandro fez um vídeo com Marco Paulo, e quisemos saber para quando um dueto e Leandro disse que isso “já falámos e acordámos que iremos fazer” esclarecendo ainda que “gostava de ter uma carreira como a do Marco Paulo, depois de tudo o que ele já passou na vida”. “Se calhar para o ano vamos fazer…” acrescentou, sobre o dueto.

 

 

 

Mas que nome daria à sua vida se fosse um tema? “A Vida é um Jogo”.

 

 

 

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