Liliana Martins e “um disco muito apelativo”

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“Meu Tempo” é o segundo álbum de Liliana Martins. Este novo trabalho é uma viagem no tempo onde a artista passa por um processo de maturação. Em entrevista ao Infocul, a fadista dá a conhecer um pouco do seu percurso, do processo criativo deste disco e também de quem são as suas grandes referências. 

 Quando é que começou a preparar e a pensar neste disco? 

 

Este disco surgiu de uma forma muito natural, na realidade eu tinha pensado em fazer uma 2ª edição do meu primeiro disco, mas em conversa com o meu produtor Valter Rolo, chegámos à conclusão que estava na altura de gravar um disco novo, e ai está ele, “Meu Tempo”.  

 

 

Chegou a temer que este disco não sairia visto que optou por fazer uma campanha de crowdfunding? 

 

Em relação a este disto até não, iria sair de qualquer das formas, mas seria com certeza mais complicado e talvez não com o formato com que acabou por sair para o mercado. Este tipo de campanhas (tal como a que tinha sido feita para o primeiro disco) são uma excelente “ferramenta” para conseguir financiamento para este tipo de projectos. Além disso todo o processo permite apresentar um pouco do que estamos a produzir e dar um “cheirinho” do produto final em que o público pode ter uma participação activa no apoio e colaboração da edição do disco. Os apoios são cada vez mais difíceis e escassos e temos que arranjar alternativas para financiar os nossos projectos artísticos e esta plataforma PPL – Crowdfunding Portugal tem sido extraordinária nas campanhas de crowdfunding dos meus dois discos. 

  

 

Como foi gerir emocionalmente a ansiedade que acredito esta campanha lhe tenha causado? 

 

Não foi fácil, mas temos que acima de tudo acreditar no nosso trabalho e no resultado dele, e sobretudo confiar nas pessoas que me vão seguindo e apoiando para me ajudarem em mais esta etapa. Emocionalmente é difícil de gerir, principalmente quando se entra na recta final e ainda nos falta um valor significativo para atingir o objectivo, mas acabou por correr tudo bem. Como se costuma dizer “os Portugueses deixam tudo para a última” e eu não fui excepção… 

 

 

 

Quais as principais diferenças deste disco para o anterior? 

 

A diferença maior é sem dúvida a experiência, a confiança, resumindo a maturidade com que se encara todo o processo de gravação e a forma de trabalhar em equipa. O estúdio e o técnico de som foram outros, o que permitiu também ter outro tipo de sonoridade. 

 

 

Qual a principal mensagem que tenta transmitir com este disco? 

 

É um disco muito alegre, em que o tema principal é o tempo. Que dentro dele é preciso valorizar as coisas boas que estão para vir, ao mesmo tempo que as boas memórias e o percurso que fiz para aqui chegar, mas sobretudo aproveitar este “tempo” de agora para conseguir mostrar o meu valor e o meu trabalho ao grande público. 

 

 

Qual a equipa que esteve consigo na gravação desde disco desde a  produção aos músicos? 

 

Uma equipa maravilhosa e de excelentes profissionais: Valter Rolo na produção e nos pianos; Bernardo Couto na guitarra portuguesa; Luís Pontes na viola; Xico Santos nos Baixos; Vicky Marques na percussão; Múcio Sá nas guitarras e cavaquinhos; Lino Guerreiro no saxofone; a querida Anabela num dueto dum clássico do Fado “Júlia Florista” e por fim João Portela no som (captação, edição e masterização). 

 

 

O que tem de diferente este disco, num ano em que a musica portuguesa  conseguir ter muita qualidade? 

 

Eu descrevo este meu trabalho como uma viagem no tempo, em que se fala do tempo (em diversos sentidos e interpretações) e com temas mais maduros e amadurecidos pela minha voz e interpretação dos mesmos. Um disco muito apelativo musicalmente que penso enquadrar-se perfeitamente na conjectura musical que estamos a atravessar. Traz uma sonoridade muito rica mas simples e fácil de ser escutada pelo público, onde fomos buscar temas clássicos, como o “Covilhã cidade neve” e “Júlia Florista”, outros não tão óbvios como “Um tempo que passou” de Sérgio Godinho ou “Aqui tão perto de ti” de Múcio Sá, que aliados aos inéditos que complementam este disco, resulta num trabalho com muita qualidade e critério. 

 

 

Quem é a Liliana Martins e quando surgiu este gosto pelo fado e pela música em geral? 

 

Sempre fui apaixonada pela nossa música (integrei o coro de igreja desde muito nova), pelas nossas tradições (integrei durante 8 anos um rancho folclórico) e pela nossa língua, mas só apenas aos 19 anos comecei a interessar-me pelo Fado e a querer saber mais acerca desta arte tão nossa. Comecei a ouvir alguns discos antigos, comecei a frequentar locais de Fado amador e aprendendo mais acerca das histórias do Fado e das suas figuras e desde aí evoluindo e fazendo o meu percurso até chegar ao meu primeiro disco. 

 

 

Quem são as suas grandes referencias? 

 

Sem qualquer dúvida Amália Rodrigues é a minha grande referência no Fado e na música portuguesa, mas depois existem outras que fui descobrindo ao longo deste percurso, como Ricardo Ribeiro (que funciona mais como uma grande inspiração), Beatriz da Conceição pela forma como interpretava os poemas, e ainda nomes da actualidade como Maria Amélia Proença ou mesmo Elsa Laboreiro (que muito me tem ensinado nestes últimos tempos em que tenho integrado o elenco dalgumas noites no Café Luso). 

  

 

O que está a ser preparado em termos de espectáculo e que possa ser  divulgado? 

 

Neste momento só posso ainda confirmar que no início do ano de 2017 vão acontecer alguns showcases / apresentações deste disco em algumas das FNAC da Grande Lisboa e depois disso seguir-se-á o espectáculo grande de apresentação ao público numa sala muito especial e emblemática para mim, mas ainda não está nada confirmado.  

 

 

Onde podem as pessoas acompanhar o seu trabalho? 

 

Através do meu site oficial www.lilianamartins.net que é actualizado regularmente ou então de uma forma mais directa através do meu facebook oficial em www.facebook.com/lilianamartinsnet 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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