O público sesimbrense mostrou-se muito receptivo ao concerto de Liliana Martins que actuou na Fortaleza de Santiago, em Sesimbra, na noite de 5 de Agosto.

Uma prenda muito especial para o público e para a fadista que completou 33 anos no dia anterior. O espectáculo da artista sintrense foi inserido na programação de verão da Vila.

 

 

Estar aqui é o conquistar de várias coisinhas que vão surgindo ao longo da nossa carreira. Só tenho que agradecer estes votos de confiança e sei que temos que dar tudo, o que faz com que os sentimentos apareçam com muita facilidade. Tento controlar-me mas quando dou por mim já estou em lágrimas. O que eu faço é com muito amor pois cantar para mim é como respirar. É muito bom ver o entusiasmo do público“, conta Liliana Martins que entusiasmou o público sesimbrense com a sua alegria.

 

 

Foi ao ar livre que a fadista apresentou aos espectadores o álbum “Corpo Fado”. O título está presente no poema de “Deste-me o teu corpo”, que foi o primeiro tema a ser cantado no concerto em Sesimbra.

 

 

Foi um trabalho que surgiu de uma forma muito pensada e foi trabalhado com a ajuda de um produtor fantástico, o Valter Rolo, que me aconselhou a fazer cada tema e que ajudou a que a ambiência do disco fosse eu. Não é fácil conseguir alguém que nos oriente e nos ajude tão bem. Algumas coisas no disco aconteceram de uma forma muito natural e eu tenho muito orgulho nele. Os maiores desafios vieram depois deste disco. Devo muito à minha equipa e ao Valter“, diz Liliana Martins sobre o primeiro disco.

 

 

A artista conta com uma carreira de cinco anos em casa de fados e que agora pisa outros palcos. “Sai das casas de fado e dos ambientes mais tradicionais para passar a fazer o palco. Tenho trabalhado bastante e ajudado a dignificar o nome da música portuguesa mas, comercialmente, ainda falta fazer muita coisa“, explica a fadista que iniciou a sua carreira nas casas de fado.

 

 

O palco de Sesimbra era feito de pequenas tábuas de madeira, a fazer lembrar o deck de um porto de abrigo. Sesimbra não é estranha para a fadista sintrense, como admitiu várias vezes durante o concerto. A fadista entregou-se totalmente ao público perante uma casa cheia.

 

 

O fado é uma forma de estar na vida. Sinto que as pessoas hoje em dia estão mais dispostas a ouvir música. Não só fado mas ouvir música e isso é muito importante porque o fado sempre existiu em contexto de tertúlia. Muitas das pessoas que aqui estiveram estão habituadas a ouvir fado e têm uma cultura de fado. Os ouvidos dos mais novos é que se calhar não estão muito preparados para esta sonoridade. Certo é que o fado evoluiu muito, com uma forma diferente de tocar mas não esquecendo as origens dele“, explica a fadista sobre o fado que nasceu de uma tradição oral. Nos últimos dez anos foi muita coisa feita no fado mas nunca esquecendo o passado para viver o presente e planear o futuro.

 

 

Cabe-nos transformar esta tradição em algo maior e fazer com que nomes da geração contemporânea se propaguem e que cantem coisas novas e bonitas, que toquem e digam alguma coisa às pessoas, para deixar um pouco de lado os fados da desgraçada. O nosso cancioneiro tem coisas maravilhosas. Há muita coisa que ainda não foi explorada, ainda não foi cantada. Temos que ir construindo o nosso lugar passo-a-passo e estar aqui foi uma conquista enorme“, conta. Liliana Martins vive cada tema como se fosse uma actriz que está a interpretar um papel.

 

 

No palco sesimbrense foi acompanhada por: António Cardoso (guitarra portuguesa),Tiago Valentim (viola de fado) e o sesimbrense Diogo Dias ( contrabaixo).

 

 

O repertório apresentado teve vários temas do álbum e alguns clássicos como “Júlia Florista”, eternizada na voz da grande Amália Rodrigues, uma das referências para Liliana Martins. Outras referências são:” Beatriz da Conceição, pois acho que tinha uma forma muito peculiar de cantar. Jamais fadista ou cantor algum será capaz de imitar outro pois somos todos diferentes e todos nós temos as nossas características e devemos ser conhecidos por elas. Ainda vive entre nós e de boa saúde a Maria Amélia Proença. Muitas vezes vou às casas de fado só para a ouvir. A ambiência é outra. Preciso de respirar e de sentir essa ambiência. Privando com essas pessoas consigo fazer a minha vida pois ficamos com o coração cheio de memórias que não são nossas mas ao mesmo tempo nos faz transportar para outro universo com um sentimento de ser e de estar no fado“‘.

 

 

O primeiro fado interpretado para os primos, algo em jeito de brincadeira, intitula-se “Foi deus” e demonstrou a qualidade da sua voz.

 

 

 “Eu sempre ouvi fado, sempre gostei de música e de cantar. Cantava música tradicional portuguesa, cantava no coro da igreja e fiz parte de um rancho“. Liliana Martins esteve sempre ligada à música, muito antes de ambicionar ser fadista.

 

 

Do alinhamento do concerto da Fortaleza de Santiago fizeram parte os temas: “Como nos romances de cordel”,” Cai a noite”,” Há uma voz ao acordar” e o “Tango de um amor proibido” que ecoaram e encantaram na voz suave da fadista que coloca garra e coração em todos os temas que canta.

 

 

Este disco pode ter muitas músicas especiais para momentos especiais mas para mim, sem sombra de dúvida, é o “Cai a Noite”. Foi o primeiro tema que demos a ouvir a muitas pessoas e a reacção que fomos recebendo das pessoas sempre foi muito positiva. Tem uma letra lindíssima que podemos interpretar como queremos. Eu interpreto como uma história de amor, uma perda. Ainda pensei que poderia ser arriscado escolher uma balada, um tema tão triste para cartão-de-visita deste disco mas caiu que nem uma luva“. Para Liliana Martins “Cai a Noite” é um tema especial que já lhe deu muito e já foi passado em inúmeras rádios.

 

 

Com uma voz harmoniosa e melódica, demonstrou um grande à vontade nos mais diferentes géneros musicais com fados, tangos ou baladas. O “cartão-de-visita” do álbum “Corpo Fado” é a balada “Cai a Noite”.

 

 

O alinhamento do espectáculo foi “quebrado” no final com o público a cantar os “Parabéns” à artista. Para fechar com “chave de ouro” uma noite bastante agradável foi cantado a uma só voz o “Cheira bem, Cheira a Lisboa”.

 

 

Depois do álbum “Corpo Fado” e dos concertos de divulgação do mesmo, a artista já prepara um novo trabalho para sair entre os meses de Setembro e de Outubro. “Vai ser um disco muito inspirado no fado, tal e qual como este“, conta Liliana Martins sobre o novo trabalho que está a preparar.

 

Fotografia: Arquivo

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