Luís Aleluia: O eterno “Menino Tonecas”

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Luís Filipe Aleluia da Costa , artisticamente conhecido como Luís Aleluia, é um dos actores mais acarinhados pelo público em Portugal. O eterno “Menino Tonecas” conta com um percurso artístico impar desde o teatro à televisão.

 

 

Premiado com diversas distinções pela sua actividade de actor, Luís Aleluia é também autor, encenador e produtor de espectáculos

 

 

 

Desde muito cedo e interessou pelas artes, colaborando com diversos grupos de teatro amador. Na Companhia de Teatro de Animação de Setúbal profissionalizou-se e cumpriu o estágio, após o qual se mudou para Lisboa onde fixou residência.

 

 

Actor com diversas intervenções em teatro e televisão, ganhou grande popularidade com a interpretação de “Menino Tonecas” na Série da RTP, “As Lições do Tonecas”. Premiado com diversas distinções pela sua actividade de actor, Luís Aleluia é também autor, encenador e produtor de espectáculos, tendo criado a empresa Cartaz – Produção de Espectáculos, que desde 1992 tem desenvolvido um importante trabalho no âmbito da descentralização.

 

 

 

Quando é que começou este teu interesse pelas artes?

 

Desde muito cedo que sempre estive ligado a​ Grupos de teatro e de Animação, levado por amigos com quem partilhava algumas experiências que considerava interessantes. Cheguei a criar, com colegas do Liceu,  um Grupo de Animação Cultural, o GTL – Grupo de Tempos Livres onde produzíamos as nossos trabalhos que apresentávamos à comunidade escolar e a algumas Instituições. Talvez estes primeiros contatos tenham servido de embrião.

 

 

Lembraste qual a primeira peça com que subiste a palco? Como foi a sensação?

 

Lembro-me vagamente. A peça não tinha propriamente um nome, era a Festa dos Gaiatos e que, nesse ano, consistia numa serie de sketches humorísticos e eu participava em alguns. Pela idade que tinha na altura, calculo que sensação tenha sido a de sentir responsabilidade para não me enganar nas deixas e um grande alívio no final com os aplausos do público.

 

 

 

Quando é que percebeste que serias actor? Qual o momento em que percebeste que era este o rumo?

 

Quando tive a consciência de que poderia trabalhar numa área profissional que se conciliava com a realização pessoal.

 

 

Sendo tu um actor maioritariamente conhecido na vertente do humor, quando chegaste ao Parque Mayer? Penso que em 82 a convite de Vasco Morgado…

 

No TAS – Teatro de Animação de Setúbal, onde me profissionalizei, tive contato com atores que ainda hoje são importantes para este meu percurso. Entre eles o ator Carlos César, que fora um dos fundadores da Companhia e é o grande responsável por eu optar por esta profissão e a atriz Luísa Barbosa. Ambos tinham feito a “Vila Faia” e iam participar numa Revista à Portuguesa: “Há… Mas São Verdes!”, no Teatro Variedades, ele como encenador e a Luísa como atração, acontece que o Vasco Morgado andava à procura de ator para o elenco e eles indicaram o meu nome.

 

 

Ainda hoje és conhecido pelo menino Tonecas?

 

Sim. Passam este ano de 2016, 20 anos sobre a primeira emissão do Programa “As Lições do Tonecas” que foi para o ar a 4 de setembro de 2006 e se manteve no ar durante 4 anos consecutivos. Embora já tenha saído do ar há bastante tempo e ter feito outros trabalhos com algum impacte, é com o Tonecas que me identificam.

 

 

Ainda te lembras quando surgiu o convite para esse projecto que marcou a televisão portuguesa?

 

Sim. ​O Manuel Correia, que já conhecia da parceria de autores da Revista “Há!… Mas são Verde!”, telefonou-me a perguntar se eu estaria interessado em fazer um casting para uma séria humorística: “As Lições do Tonecas”, sem quaisquer compromissos. Aceitei o desafio e o Programa foi aceite pela Direção de Programas.

 

 

As expectativas iniciais da equipa perspectivavam um sucesso tão grande?

 

Não. O sucesso do programa excedeu largamente as expetativas de todos e surpreendeu bastante. Ninguém estava à espera que o Programa atingisse uma audiência tão grande e consistente ao longo do tempo. Não só em Portugal mas em toda a Diáspora e nas Comunidades de emigrantes portuguesas espalhadas pelo mundo. 

 

 

Em televisão quais foram os projectos que mais gozo te deram?

 

São vários os trabalhos que fiz para televisão e todos são desafios a que é preciso dar resposta e que são uma aprendizagem para os trabalhos seguintes. Todos são importantes mas talvez possa destacar: “As Lições Do Tonecas”, pelo impacto e mediatismo que me trouxe; as “Comédias de Ouro” que fiz com o Filipe La Féria, gravadas no Politeama:  “O Vison Voador”; “O Fusível”, “Por favor Matem a minha Mulher” e “Paris Hotel”. Também o humor e as personagens que criei para a “Praça da Alegria” e para o “Portugal no Coração”, na RTP – Porto, foram um trabalho bastante interessante onde para além de representar tinha também de escrever diariamente o humor que levava para os Programas. Foram quatro anos fantásticos.

 

 

E no teatro?

 

Com o Teatro acontece a mesma coisa, os trabalhos são um percurso consequente. Mas, por exemplo a peça “Piaf” , que foi leva à cena no Casino do Estoril, com a atriz brasileira Bibi Ferreira e um elenco extraordinário, marcou-me particularmente porque, na construção de alguns personagens, tive que mexer com memórias afetivas dolorosas.

 

 

 

Tens algum actor que tenha marcado de forma única o teu percurso?

 

Não há uma referência única​, todos foram e continuam a ser importantes. Mas não posso deixar de referir que aprendi bastante com o “saber fazer” do Camilo de Oliveira e da Ivone Silva; das lições do Henrique Santana, dos conselhos do Nicolau Breyner, do prazer de ver o Raúl  e o Armando, o Ruy…

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 Um dos mais recentes projectos que tiveste foi “Bem-vindo a Beirais”. Como foi esta aventura?

 

“Bem-vindos a Beirais” foi uma experiência única e marcante não só a título profissional mas também do ponto de vista do ambiente​ que conseguíamos criar ao longo dos dois anos e meio de gravações. Havia muita cumplicidade entre todos: atores e técnicos, produção e guionistas e tudo capitaneado pelo realizador Manuel Amaro da Costa, Diretor do projeto. A SP Televisão e a RTP, com o Programa “Bem-vindos a Beirais”, voltaram a fazer história na Indústria do Audiovisual.

 

 

 

Dado o sucesso alcançado, surpreendeu o fim?

 

Sim. Mas são critérios de programação que temos de respeitar. Embora muita gente não entenda, sobretudo o público que assistia e era fiel ao Programa  que chegou a ter mais de um milhão de espectadores.

 

 

 

Qual foi até agora o momento mais complicado da tua carreira?

 

Foram tantos ao longo da carreira. Estou numa profissão sem defesas e cuja atividade é intermitente. Um momento complicado… um momento complicado?! Olhe, por exemplo estou agora recuperar de uma perna partida que aconteceu num acidente em que me preparava apara participar num espetáculo sobre o Gelo. Não me aguentei nos patins e… patinei! Felizmente que a recuperação está  a correr bem e em breve regresso ao trabalho mas foi complicado e sobretudo frustrante não poder fazer espetáculo!

 

 

Alguma vez pensaste em desistir?

 

Julgo que passa pela  cabeça de todos a frase: Mas porque é que eu me meti nisto?!​ Mas depois, vem a Primavera,  como diz Florbela Espanca “… Há uma Primavera em cada Vida” e para os atores, cada projeto é uma Primavera que faz esquecer todos os invernos”

 

 

 Sentes que tens o reconhecimento devido por parte do público?

 

Sinto que sou um ator privilegiado em relação nesse aspeto sobretudo em relação a outros colegas que têm um talento enorme e que ainda não tiveram a possibilidade de o dar a conhecer.​ E tenho pena por que ficaríamos todos muito mais ricos e o público orgulhoso dos atores que lhes pertence.

 

 

 

Além de actor, és também produtor, encenador entre outras tantas funções. O que é que ainda te falta fazer?

 

Sou sobretudo ator. As outras funções vêm por acréscimo e são inerentes ao trabalho que desenvolvo. Falta-me cumprir o Futuro.

 

 

 Quem é o Luis Aleluia por detrás do actor?

 

Um cidadão vulgar, igual a todos os outros que vive as mesmas alegrias e preocupações mas que, pelo mediatismo da profissão que escolheu vive mais exposto.  ​

 

 

Quem são os teus maiores exemplos de vida?

 

Sensibilizam-me os casos de altruísmo e filantropia que vejo naqueles que se entregam a causas de bem-comum com genuína generosidade sem fazerem alarde dessa entrega. Padre Américo, por exemplo e todos os que lhe seguem os passos. Não o conheci o Homem mas conheço a Obra da Rua. Mais próximos o Armando Cortez e o Raúl e outros que andaram a bater de porta em porta , dando a sua idoneidade como aval para erguerem a Casa do Artista. O Papa Francisco que nos dá uma visão mais atual e Humana do que deve ser o Cristianismo…  Os voluntários que dão um pouco de si, do seu tempo e da sua Vida em prol do próximo…

 

 

Tens andado em digressão com a peça “Absolutamente Fabulosos”. Como tem corrido e qual tem sido o feedback por parte do público?

 

Terminámos a carreira da peça em Outubro, por razões de conveniência da produção e dos atores mas foi um trabalho que excedeu as nossas melhores espectativas de sucesso. Mais de um ano de representações e sempre com boas críticas e aceitação do público que assistiu. É um original de Roberto Pereira muito pertinente que fala da difícil vida dos atores e que através do humor remetia o público para uma reflexão sobre o que está por detrás do glamour que as revistas cor-de-rosa apresentam.

 

 

É mais desafiante fazer teatro ou televisão? Quais as maiores diferenças?

 

São linguagens diferentes.​ Eu prefiro o Teatro onde a reação é imediata e não existem barreiras entre o espaço cénico e a plateia ao contrário da televisão em que o ator não domina e, muitas vezes, não tem sequer acesso ao produto final. Na televisão temos a máquina a entrepor-se entre os elementos, o ator cumpre uma função técnica passiva ao contrário do Teatro, onde é o ator o agente principal e o emissor privilegiado da narrativa. 

 

 

 

Para 2017 o que estás a preparar em termos de projectos que possas já revelar?

 

Para 2017 gostaria de fazer uma nova peça, ando, aliás, ainda há procura de um texto que possa servir. Gosto do contato com o público. Também há alguns contatos para televisão mas não posso revelar nada.

 

 

 

Para quem quiser acompanhar o teu trabalho e interagir contigo, onde poderá fazê-lo?

 

Hoje o FB e a Web são ferramentas imprescindíveis para seguir o nosso trabalho. Através do Facebook ou do site da Cartaz: www.cartazproducao.pt., está ainda em remodelação mas online.

 

 

 

Há alguma coisa que gostasses de dizer a quem manda na cultura em Portugal?

 

Que mande! E há tanto para fazer. Comece por ouvir os Atores e os Agentes que trabalham no setor, sem esse debate reflexivo não há citérios com os quais possa fazer um bom trabalho.

 

 

 

E ao público o que tens a dizer?

 

Obrigado.​

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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