Luís Pucarinho lamenta: “O mercado em Portugal está monopolizado”

 

 

SaiaRodada” é o mais recente trabalho discográfico de Luís Pucarinho, contando com 10 faixas que permitem uma absorção de parte das sonoridades da música lusófona com brisas vindas de África.

 

 

O músico concedeu entrevista ao Infocul, conduzida por Rui Lavrador, na qual abordou o processo de gravação do disco, a escolha de repertório, as dificuldades e/ou desafios que o mercado português coloca e ainda a sua relação com as redes sociais e a importância delas.

 

 

Referir ainda que este disco colabora com a plataforma internacional “In place of war” cedendo parte das receitas do álbum para os direitos da mulher em África.

 

 

 

 

 

Quais os maiores desafios na criação deste “Saia Rodada”? Podemos dizer que este disco tem raiz na música portuguesa e ramas africanas e de sonoridades além fronteiras?

O Maior desafio foi fazer um disco coerente e não repetitivo, tendo em conta que somos somente 4 músicos. Sim, o disco tem raiz na música portuguesa, com notórias vertentes rítmicas africanas e nesta amálgama de sonoridades cabem as tendências da música lusófona, mas tudo isto faz parte daquilo que sou enquanto pessoa, tenha “costelas” distantes africanas e sou apaixonado pela música lusófona.

 

 

 

Este é um disco destinado ao universo feminino? Ou é uma homenagem que pretende fazer a todas as mulheres do mundo?

É um contributo para os direitos da mulher, que todos (homens, mulheres) sem excepção deveriam ouvir. Esta iniciativa parte daquilo que me sensibilizou no que vivenciei em certos países que visitei, nomeadamente S.Tomé e Príncipe e Timor, onde encontrei de forma muito evidente, que o direito da mulher está completamente esquecido e a mulher sem direitos, faz parte destas culturas ainda hoje em dia,

 

 

 

Quem foram os músicos que integraram as gravações deste disco?

Para além de mim, Afonso Castanheira no Contrabaixo, Jéssica Pina no Trompete, Mário Lopes na Bateria e num dos temas e como convidado o Luís Filipe Penas que é MC ou Rapper.

 

 

 

Como foi a escolha de repertório?

Tinha perto de 20 canções possíveis e escolhi aquelas que da melhor forma fariam desde, um disco conceptual.

O que pretende que os homens que ouçam este disco sintam?

Que as mulheres são seres similares, com diferentes capacidades, mas nunca inferiores.

 

 

 

Como define a sua música?

Posso dizer que a minha música é muito mais do que aquilo que dou a conhecer. No que diz respeito à música que é ouvida através dos discos editados, posso defini-la como simples canções de cariz e responsabilidade social no que diz respeito à escrita. Sei que é uma música demarcada pela minha identidade, seja na criação, nos arranjos ou na interpretação.

 

 

 

Como define este disco?

Alegre, agradável, fresco, positivo, interventivo e até dançável

 

 

 

Em termos de espectáculos, qual tem sido o maior desafio que o mercado tem colocado?

O mercado em Portugal está monopolizado. Maia dúzia de produtores e editores preenchem as salas, as agendas de programação de festas , as rádios, as redes sociais, os programas de TV mais mediáticos. São sempre os mesmos artistas a aparecerem e a tocarem em todo lado e a conseguir retorno sustentável. Sinto isto como um género de elite fechada ao que possa ser concorrência, sendo que o mais triste, é que não é o público que escolhe os artistas. O fluxo de informação hoje em dia é tão intenso, que as pessoas nem sequer pensam no que poderiam gostar ou não, pois os artistas são introduzidos na vida das pessoas através de meios que são pagos. O dinheiro faz o artista, não as suas criações. Isto falando de Massas. Depois há todo um mercado secundário, precário e deficiente onde muitos como eu vão navegando e respirando na expectativa de melhores dias de reconhecimento. Tudo isto se traduz em poucas actuações de qualidade e em muitas possíveis em condições menos aceitáveis

 

 

 

Há espaço para todos, ou há demasiados artistas em Portugal?

Os artistas nunca serão demais, assim como os médicos ou os carpinteiros. E poderia haver espaço para todos “os peixinhos”, não fossem alguns “tubarões” existirem.

 

 

 

Sente que a dita música pimba ocupa demasiado espaço?

Não sei dizer, sinto que muita gente consome música pimba, o que é um sinónimo do que já havia dito. As pessoas consomem o que lhes chega, não procuram o que consumir.

 

 

 

Quem não conhece a sua obra e o seu percurso onde poderá descobri-la?

Basta colocarem o meu nome num qualquer motor de pesquisa de internet e terão acesso a quase tudo. Os temas estão disponíveis nas maiores plataformas online, assim como vídeos fotos, entrevistas etc…

Dedica muito tempo às redes sociais?

Não, Não tenho nada contra, mas não faz o meu género passar muito tempo nas redes. Arranjei ,faz pouco tempo, quem o vá gerir as minhas páginas (risos) porque de facto não tenho muita paciência.

 

 

 

Qual sua opinião sobre a imprensa e o espaço dedicado à cultura em Portugal?

Continuam a haver meia dúzia de resistentes, que escrevem sobre cultura de forma imparcial e honesta. No entanto diria que mais de 80% do que temos acesso na imprensa é promoção tendenciosa, paga e mal feita. A cultura não são somente as artes, será aquilo que nos representa enquanto povo num determinado lugar com as suas características demarcadas e nós somos cada vez mais “americanizados” onde a cultura passa pelo consumo supérfluo e como dizia o Pedro Abrunhosa faz uns dias, cada vez mais nos reconhecem pelo que temos e não pelo que somos. A arte pode ser uma forma de representação cultural e em muitos casos isso não é esquecido, mas cada vez mais isso também se perde e prol de uma nova batida, ou tendência melódica, etc. No final o que imprensa nos mostra é o que acontece, coisas novas mas descaracterizadas na sua essência. Muitos artistas entram nesta vida para serem “super stars” descartando completamente a responsabilidade artística-social que deveria estar presente na comunicação artística, não só por tradição mas pelo impacto social que deveria ter, como podemos rever no passado. Se um jornal preenche 3 páginas com um artista completamente descaracterizado das suas essências mas tendencialmente harmonizado com fórmulas de venda para massas, o público na maioria dos casos não vai perceber a diference e vai sempre reconhecer aquele, como um artista com mérito e reconhecimento.

 

 

 

Quais os próximos espectáculos?

13 Dezembro – Café concerto do “Teatro A Barraca” em Lisboa

14 Dezembro – Fnac AlgarveShopping

15 Dezembro – Fnac Faro

8 de Março – Auditório de Alcácer do Sal

 

 

 

Onde pode o público interagir consigo nas redes sociais?

No Facebook ou no Instagram.

 

 

 

Qual a mensagem que deixa aos leitores do Infocul?

Deixo um agradecimento por visitarem esta plataforma diferenciadora na forma de comunicar novos artistas e criadores a quem dou os meus parabéns.

 

 

“SaiaRodada” é um disco AVM- Alain Vachier Music Editions

Partilhar
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Notícia publicada a 05/12/2018


About the author /


Post your comments

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

_