Luiz Caracol levou alinhamento “mestiço” a Sesimbra

Luiz Caracol1

 

Os ritmos quentes de África e a bossa nova do Brasil invadiram Sesimbra pela voz de Luíz Caracol em mais uma edição dos “Concertos a propósito”. Esta iniciativa vai trazer até Maio um conjunto de artistas à vila de Sesimbra para actuarem em concertos intimistas.

 

 

O cantor e os seus músicos actuaram em Sesimbra, na noite do dia 10 de Março, no Cineteatro João Mota. Luíz Caracol começou a cantar pelas 21:30 e esteve em palco durante uma hora. A mestiçagem foi a palavra-chave deste espectáculo intimista que trouxe os ritmos quentes do hemisfério sul e a músicas de autor do cantor que já actuou ao lado de alguns dos maiores artistas portugueses e que, de momento, está a preparar uma digressão que vai passar por alguns países.

 

 

Luíz Caracol canta em português mas é influenciado por diferentes géneros musicais, que vão desde os ritmos africanos, à bossa nova e sem esquecer o samba. Para o cantor e parafraseando o que Fernando Pessoa escreveu “A minha pátria é a língua portuguesa”. O músico nasceu em Portugal mas foi “feito” em Angola e os ritmos africanos podem ser encontrados tanto nas suas músicas como no cenário que apresenta em palco, e que com o jogo de luzes realizado (as luzes eram azuis, rosas ou amareladas), da autoria de Anabela Gaspar, fazia o público lembrar-se de uma África esquecida e algo perdida na nossa imaginação colectiva, ou na capa do disco, que já está à venda.

 

 

O cantor escreve as suas próprias músicas e inspira-se naquilo que o atormenta. Uma das canções que entoou nesta noite falava sobre a igreja e os problemas que enfrentamos hoje em dia devido à intolerância religiosa. O refrão desta música apela à tolerância e ao respeito que devemos ter pelo outro, independentemente da sua convicção religiosa.

 

 

Neste espectáculo em Sesimbra, cantou músicas dos seus dois álbuns, o último chama-se “Metade e Meia”. Para além de ter interpretado temas próprios (alguns do novo disco), uma das canções que cantou era um original do cantor brasileiro Lenine. Esta música puxava à dança, tal como grande parte do repertório do músico que no seu último trabalho inspirou-se nos ritmos do hemisfério sul. 

 

 

A secção rítmica (composta por uma bateria, um baixo e uma guitarra) e a voz algo rouca de Luíz Caracol foram a conjugação ideal para uma música que convidava a um “pezinho de dança.

 

 

Trouxe um tema que tinha cantado ao lado de Sara Tavares (a letra é da cantora), utilizou as palavras de Fernando Pessoa para finalizar o alinhamento que tinha programado para o concerto e voltou, a pedido do público, com uma última homenagem ao samba e a todos os sambistas, pois enquanto houver um sambista o samba não morre.

 

 

As músicas de Luíz Caracol têm sempre uma mensagem mas destacam-se por ter refrões fáceis e chamativos, o que ajuda a que o público cante, acompanhando o artista. O público presente na sala cantou em quase todas as canções, mesmo naquelas que não conheciam mas depois da noite de ontem ficaram a conhecer.

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