Mara e Duarte: O Amor, as Canções e muito Talento conquistaram Évora…

O fadista Duarte e a sua irmã Mara actuaram ontem na Feira de São João em Évora, perante uma excelente moldura humana. Esta foi a primeira vez que o fizeram em conjunto, num desafio lançado pela Câmara Municipal de Évora.

Duarte e Mara são irmãos mas nunca tinham actuado juntos, até que a Câmara Municipal de Évora lhes lançou o desafio para a Feira de São João. Convite esse que também já foi feito pela Junta de Freguesia de Arraiolos, em que os “manos” actuarão no Castelo de Arraiolos a 25 de Agosto.

 

 

Isto surge como um desafio, que vem de duas partes sem saberem com uma diferença de dois dias. Primeiro chegou um convite e eu quase nem tinha tido tempo para falar com o meu irmão e passado dois dias surge o segundo convite e se ainda tivéssemos indecisos, deixou de haver qualquer dúvida” começou por nos revelar Mara antes do concerto.

 

 

O Alinhamento para este concerto foi construído com “temas de um e outro, convidámos um a cantar temas do outro e vice-versa e há também temas que fazem também parte da nossa historia, da nossa infância, da nossa raíz” acrescentou-nos Mara que revelou-nos que “comecei a cantar muito nova, a minha raiz começa no fado, o cante existe como a minha vida existe, cantava-se em casa e faz parte do meu repertório. Durante algum tempo andei a cantar bossa nova, estudei jazz e desliguei-me um bocado do fado tradicional, embora eu seja uma amante de fado e nunca me tenha desligado na realidade, sou uma amante de fado mas não o segui cantando regularmente. Entretanto comecei também a compor e a fazer temas originais o que deu origem ao meu primeiro disco “Folha de rosto” que saiu em Dezembro de 2014 com os músicos que vão hoje estar a tocar connosco”.

 

 

Duarte e Mara abriram espectáculo com umas intensas mas belas ” Quadras de um dia sozinho”, saindo depois Duarte de palco para Mara acompanhada por Carlos Menezes no contrabaixo, Daniel Silva na guitarra flamenca, Rui Gonçalves nas percussões e Bruno Chaveiro na guitarra portuguesa,  mostrar a sua voz que carrega o Alentejo mas também as influências mundanas que foi absorvendo ao longo do seu percurso, com os temas ” Às tantas” e “Viagem”, este acompanhado por uma sonoridade flamenca em que sobressai a guitarra flamenca de Daniel Silva.

 

 

Duarte regressou então a palco, saindo “de cena” Mara. Com letra de Duarte e música de Tozé Brito, Duarte apresentou a “Gaiata dos beijos doces” para de seguida viajarmos pela melodia do fado meia noite e uma guitarra com “Quadras de A6 e A2” que integra o ultimo disco de Duarte, “Sem dor nem piedade”. Estas quadras foram escritas por Duarte nas viagens, regulares, efectuadas entre Évora e Lisboa.

 

 

Com os “manos” juntos em palco continuamos a viagem pela portugalidade, não “Pelo toque da viola” mas sim pelas vozes de Duarte e Mara que criam uma bonita simbiose, sublimemente acompanhados pelo contrabaixo e guitarra flamenca, subindo logo de seguida para um dançante ” Altinho” acompanhado no refrão pelas palmas do publico que também o cantou.

 

 

Depois de os músicos que acompanharam Mara e Duarte terem mostrado o seu virtuosismo num bonito instrumental, regresso ao palco dos manos para ” Aquelas coisas da gente”.

 

 

Numa actuação repleta de sentimentos, partilha e amor, secaram as “Rosas” permitindo que o público pudessem sentir o mais puro aroma desta flor através das suas vozes. “Vai de roda” contou com uma introdução instrumental que pedia palmas e o publico, percebendo, colaborou seguindo-se o desfiar do tema.

 

 

Um dos momentos mais bonitos do concerto teve como intervenientes Carlos Menezes e Mara num diálogo musical entre o contrabaixo e a voz, aquando de “Desejos Vãos”. “Barco Negro” da autoria de David Mourão Ferreira foi na voz de Mara a demonstração de uma paleta de cores infindável, com a artista a incentivar o público a cantar consigo o refrão e conseguindo-o.  

 

 

A cidade de Évora e a vila de Arraiolos foram brindadas com “Terra da melancolia” interpretado em dueto por Duarte e Mara  logo seguido por “Essa voz” em que Mara incentivou Duarte a dançar mas sem grande sucesso. No final do tema, Duarte dirigiu-se ao público dizendo que “a minha irmã tem a característica de cantar descalça e eu tenho a característica de não gostar de sair e entrar de palco, e se é para cantar cantamos tudo. Por isso cantamos mais duas e depois vamos todos feirar“.

 

 

” Adeus que me vou embora” e ” Valentim” encerraram um concerto em que a alma alentejana espelhada no cancioneiro tradicional português, aqui e ali com variantes de outras influências nos fez viajar pelo retângulo à beira mar plantado, chamado Portugal, através das vozes dos manos Duarte e Mara, superiormente acompanhados pelos músicos.

 

 

Mara revelou-nos ainda que “se houver convites porque não?” quando questionada sobre a possibilidade de fazerem mais concertos juntos. O próximo será já dia 25 de Agosto no Castelo de Arraiolos.

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