Marcha da Mouraria actua no Campo Pequeno, antes do Concurso de Pegas

 

 

 

A Marcha da Mouraria, que no desfile da Avenida da Liberdade tão genuína e vibrantemente contou a história dos amores do toureio (Conde de Vimioso, cavaleiro afamado da segunda metade do século XIX) e da fadista (Maria Severa Onofriana), apresenta-se esta quinta-feira, no Campo Pequeno.

 

É essa “Mouraria fadista, muito presumida, muito requebrada” como cantava Amália na velhinha marcha da Mouraria, que virá à primeira praça de toiros do país, “com seu todo gaudério e ar de mistério de moura encantada”, dar cor e brilho a uma grande noite de toiros.

 

Mas a sua presença no Campo Pequeno tem ainda outro significado, na medida em que representa uma homenagem da empresa a uma marcha que, sem complexos, honra o seu passado e não renega nem reescreve a história do seu bairro, onde os amores do Vimioso e da Severa ainda hoje são cantados.

 

São estes os versos cantados na noite de Santo António e que a Mouraria traz Campo Pequeno:

 

O TOUREIRO E A FADISTA

 

Conta uma lenda velhinha

Que vinha sempre à noitinha

Passear à Mouraria

O mais famoso toureiro

Do nosso país inteiro

E que aqui se divertia

 

Vinha ouvir cantar o fado

Que era bem do seu agrado

Até que se apaixonou

Por uma bela fadista

Que tinha raça de artista

E um dia, assim lhe cantou:

 

REFRÃO

 

Olé, olé, olé

Vê-lo aqui, ninguém diria

Olé, olé, Olé

Mas bem-vindo à Mouraria

Olé, Olé, Olé

O meu canto que lhe agrada

Olé, Olé, Olé

Fala de Fado e Tourada

 

II

 

Os olhos da rapariga

Que o levou nessa cantiga

Incendiaram desejos

Nesses dois apaixonados

Que entre touradas e fados

Trocaram milhares de beijos

 

Era tão grande esse amor

Que o nobre toureador

Na Mouraria ficou

Por amar tanto a fadista

Não a quis perder de vista

E nunca mais toureou.

 

 

O “Concurso de Pegas” na qual os grupos de forcados amadores do Ribatejo, Chamusca e Cascais disputam o prémio para a melhor pega de caras, ante um imponente curro de Pinto Barreiros, que será lidado pelos cavaleiros Luís Rouxinol, Filipe Gonçalves e Francisco Palha.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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