Marenostrum com novo disco: “Somos hoje uma banda com uma maturidade acrescida”

 

 

‘Rua do Peixe Frito’ é o novo disco dos Marenostrum, projecto que surgiu em 1994, oriundo do sotavento algarvio.

O projecto Marenostrum é constituído por Zé Francisco (voz/guitarra/bandolim), João Vieira (Voz/Bateria/Percussão), Paulo Machado (Voz/Baixo/Acordeão/Teclados), João Frade (Acordeão) e Lino Guerreiro (Saxofones/Flautas/Tin Whistles) e neste disco contou com os convidados Federica Gallus, Victor Correia, Paulo Temeroso, João Rodrigues, Ângelo Gonçalves, Ligia Rodrigues e David Fernandes.

O disco conta com onze faixas e traz de novo este projecto às edições discográficas, após 10 anos sem gravarem um disco. Em entrevista ao Infocul, o grupo falou sobre o percurso, o disco e o que esperam do futuro.

 

Quanto já caminharam até chegar à ‘Rua do Peixe Frito’?

Foram 25 anos em que viajámos muito musicalmente, percorrendo no meio de tanto som, tanta procura , e envolvimento , acabamos por não nos apercebermos pelo tempo a passar, sentimos sim, que somos hoje uma banda com uma maturidade acrescida , fruto dessa experiência , foi percurso em que cruzámos com muitos outros músicos e diferentes públicos, o que nos ajudou a crescer como projecto musical e seres humanos e que de certa forma também nos encorajaram a chegar até aqui…

 

Quando surge o projecto Marenostrum e porquê a escolha deste nome?

A Banda foi fundada em 1994, oriunda do sotavento algarvio, da região de Tavira. Os seus instrumentistas apostam numa sonoridade que funde algumas características da música popular portuguesa e em particular do Algarve (corridinho e baile mandado), com influências bem diversas, que vão desde a música árabe do Magreb até às tradições celtas, Klezmer e de África. A originalidade do som deste grupo assenta nos instrumentos utilizados, numa formação onde convivem lado a lado, a guitarra acústica, o bandolim, a bateria, a percussão, o acordeão, o baixo eléctrico, a guitarra eléctrica, os saxofones e as flautas. A escolha do nome surgiu ainda numa primeira fase da existência da banda em que a convite da fundação oriente houve a possibilidade de irmos à Índia fazer uns concertos, tínhamos que dar um nome ao projecto que fosse de certa forma ao encontro daquilo que era a sua indentidade, sonoridade naturalmente influenciada por uma corrente musical mediterrânica

 

Podemos dizer que o ponto de partida da vossa viagem musical é a sonoridade tradicional portuguesa (a algarvia em destaque) a que depois juntam sonoridades de distintos pontos do mundo?

O que aconteceu na verdade foi que o corridinho, baile mandado e outras influências tradicionais acabaram por entrelaçar nas nossas composições de tal forma que tudo soa como se de um só estilo se tratasse, embora saibamos que o nosso percurso inicial antes do aparecimento dos originais fosse a música de cariz tradicional e versões de Cantautores Portugueses como Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira,Fausto e outros se abriram fronteiras a outras músicas vindas daqui tão perto e outras terras mais distantes.

 

O mundo, actual, está muito mais digital. Quais as grandes diferenças desde 1994 até agora?

Tudo mudou, para melhor e para o pior. Digamos que por lado as coisas se tornaram mais fáceis no que diz respeito à comunicação, produção , divulgação, etc, tudo se passa a uma velocidade enorme, o que facilita no imediato mas por sua vez nos torna reféns desse mesmo facilitismo, se não acompanharmos a evolução das coisas depressa te deixas ultrapassar.

 

Falando sobre este disco, quando começou a ser pensado e quanto tempo demorou todo o processo de gravação?

Após um interregno de 10 anos sem gravarmos um CD Marenostrum, foi um processo de certa maneira moroso no sentido em que o primeiro passo a ser dado foi nos convencermos uns aos outros se queríamos rumar a um novo porto e prepararmos para mais uma aventura, depois de ultrapassada essa fase e elaboração do Álbum foi um processo que durou mais ou menos um Ano.

 

Como é o vosso processo criativo? A base parte da letra ou da melodia?

Normalmente as canções surgem quase sempre com uma melodia e a letra vai aparecendo naturalmente até chegar à cantiga, são menos os casos em que se tem de escrever uma melodia para uma letra, mas já tem acontecido, depois é juntar a criatividade musical de cada um de nós.

 

Fazendo aqui um paralelismo com a gastronomia, Peixe Frito é mesmo o vosso prato favorito?

Não é mas vai passar a Sê-lo!

 

Há algum tema que gostassem que estivesse no alinhamento mas que não tivesse sido possível?

Fica sempre algum de fora.

 

Em termos de redes sociais onde pode o público interagir convosco e ir tendo acesso às novidades?

Facebook .

Dedicam muito tempo às redes sociais?

Nem por isso, gostaríamos de nos dedicarmos muito mais.

 

Quais os próximos espectáculos?

Para responder à questão: temos em agenda algumas datas que não podemos divulgar por estarem numa fase de negociações e sujeitas a confirmação, essa parte está nas mãos do responsável pelo agenciamento Alain Vachier.

 

Como analisam o actual momento da música portuguesa?

Muita gente Talentosa, Novos Projectos para todos os gostos embora na prática o mercado seja dominado sempre pelos mesmos, nesse aspecto continua tudo na mesma, no que diz respeito à divulgação da música Portuguesa está tudo muito bem controlado e “comprado” manipulação dos ouvintes e de quem compra concertos.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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